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    InvestNews·25 de out., 23:01

    Quem é Cristiano Zanin, ministro do STF que estendeu a votação do segundo turno

    O ministro Cristiano Zanin , do Supremo Tribunal Federal (STF), passou ao centro das atenções do segundo turno das eleições 2026 neste domingo (25). Perto do horário previsto para o fechamento das urnas, ele determinou que a votação fosse prorrogada até às 19h , no horário de Brasília, em todas as seções eleitorais do país. A decisão levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspender a totalização dos votos , que havia começado às 17h.

    Congressistas da oposição questionaram a decisão ainda no começo da noite de domingo, antes do início da apuração dos votos. Zanin, de 50 anos, ocupa uma cadeira no Supremo desde agosto de 2023. Foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem foi advogado durante a Operação Lava Jato.

    O que Zanin decidiu neste domingo Zanin atendeu a pedido do PT para ampliar o horário de votação em duas horas. A campanha de Lula alegou que prefeituras reduziram a frota de ônibus no dia da eleição, o que teria dificultado o deslocamento de eleitores em cidades como São Paulo e Salvador. A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) fez um pedido semelhante de extensão do horário de votação, mas por outra razão: apontou dificuldades de locomoção por causa de chuvas fortes em municípios do Sul.

    Na decisão, o ministro determinou que o TSE cumprisse a prorrogação em todo o país. O Ministério Público Eleitoral havia se manifestado contra a extensão. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, confirmou a decisão perto das 18h para seções ainda abertas às 17h.

    Leia também Economia Menos jovens, mais idosos: como o envelhecimento do país se tornou uma conta inescapável Economia Máquinas velhas e juros altos travam a produtividade da indústria e desafiam o próximo governo O TSE comunicou a pausa na totalização às 17h20. Quem indicou Zanin ao STF Zanin foi indicado ao STF por Lula em 1º de junho de 2023, para a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski, em abril daquele ano. Foi a primeira indicação do presidente ao Supremo em seu terceiro mandato.

    A escolha gerou críticas pela proximidade entre os dois. Além de ter sido advogado de Lula, Zanin é casado com a advogada Valeska Teixeira Zanin Martins, afilhada do presidente e filha de Roberto Teixeira, um dos fundadores do PT e amigo de Lula há mais de quatro décadas. Adversários do governo argumentaram que a indicação feria o princípio da impessoalidade.

    Especialistas em direito constitucional ouvidos à época apontaram que não havia impedimento legal. A Constituição exige que ministros do STF tenham entre 35 e 70 anos, notável saber jurídico e reputação ilibada, e cabe ao presidente escolher o nome. Zanin também não foi o primeiro indicado com atuação anterior na defesa do presidente que o nomeou.

    André Mendonça foi advogado-geral da União no governo de Jair Bolsonaro, que o levou ao Supremo. Gilmar Mendes ocupou o mesmo cargo no governo de Fernando Henrique Cardoso antes de ser indicado por ele, e Dias Toffoli foi advogado-geral da União no primeiro governo Lula. Parte da esquerda também fez ressalvas.

    A principal era que as posições de Zanin sobre temas como direito trabalhista e tributário não eram conhecidas. Outra era que a indicação não ampliava a diversidade da Corte. Advogado de Lula na Lava Jato Zanin assumiu a defesa de Lula por sugestão do sogro e ficou conhecido nacionalmente pela atuação nos processos da Lava Jato.

    Quando assumiu o caso, não tinha experiência em direito penal. Sua área era o direito processual, com atuação em disputas empresariais e grandes processos de recuperação judicial . O trabalho da defesa terminou com vitórias no STF.

    Em 2021, a Corte declarou, por 7 votos a 4, que o então juiz Sergio Moro era suspeito para julgar Lula, e as condenações do petista foram anuladas. Com isso, Lula recuperou os direitos políticos, disputou a eleição de 2022 e voltou à Presidência. Indicação, sabatina e posse Depois da indicação de Lula, Zanin foi sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

    O nome foi aprovado pela comissão e confirmado pelo plenário em 21 de junho de 2023. A nomeação saiu no Diário Oficial da União em 5 de julho. A posse ocorreu em 3 de agosto de 2023, no plenário do STF, em cerimônia conduzida pela então presidente da Corte, ministra Rosa Weber.

    Com a chegada de Zanin, o Supremo voltou a ter os 11 ministros. Zanin no TSE Em 2024, Zanin foi eleito pelo plenário do STF para uma das vagas de ministro substituto do TSE, aberta quando André Mendonça passou a titular. Em setembro deste ano, foi reconduzido ao cargo por mais dois anos.

    Até quando Zanin pode ficar no STF Ministros do Supremo deixam o cargo obrigatoriamente aos 75 anos. Zanin chegou à Corte aos 47 e poderá permanecer até novembro de 2050, a menos que se aposente antes. Formação e carreira Cristiano Zanin Martins nasceu em Piracicaba, no interior de São Paulo, em 15 de novembro de 1975.

    Filho do advogado Nelson Martins, formou-se em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 1999 e se especializou em direito processual e empresarial. Começou a carreira no escritório Arruda Alvim, onde ficou de 2000 a 2004. Depois, foi por quase 20 anos sócio do Teixeira e Martins, fundado pelo sogro.

    Mais tarde, abriu com a mulher o Zanin Martins Advogados. O casal tem três filhos. Como advogado, atuou em casos de grande repercussão, como a recuperação judicial da Varig , a falência da Transbrasil, a revisão do acordo de leniência da J&F e a defesa no caso das Lojas Americanas .

    Também deu aulas de direito civil e processual civil na Faculdade Autônoma de Direito (Fadisp) e integra entidades como o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e a Associação dos Advogados de São Paulo (AASP). ]]>

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