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    Quem é o Grupo Vázquez, conglomerado por trás do Ueno Bank, que entrou em crise no Paraguai
    InvestNews·04 de nov., 16:03

    Quem é o Grupo Vázquez, conglomerado por trás do Ueno Bank, que entrou em crise no Paraguai

    A crise do Ueno Bank , instituição financeira que sofreu intervenção das autoridades paraguaias, jogou luz sobre os negócios do Grupo Vázquez , conglomerado empresarial que controla o banco e reúne mais de 20 empresas em diferentes setores da economia. Com origem em dois negócios familiares criados há mais de 75 anos, o grupo familiar atua nas áreas financeira, tecnológica, de varejo, agronegócio e mercado imobiliário. 500 funcionários e faturamento diário superior a US$ 1 milhão.

    Leia também Negócios Crise no Paraguai: clientes do Ueno ficam sem acesso a contas após intervenção Economia Crise no Ueno Bank derruba presidente do BC do Paraguai e leva a intervenção federal O balanço consolidado do grupo mostra a dimensão financeira dos negócios. Até 30 de junho de 2026, o conglomerado registrava ativos de 4,92 trilhões de guaranis, equivalentes a aproximadamente US$ 808 milhões, e patrimônio líquido de 2,11 trilhões de guaranis, ou US$ 347 milhões. Os passivos somavam 2,81 trilhões de guaranis, cerca de US$ 461 milhões.

    Origem familiar A história começou com duas famílias. De um lado, os Villasanti , fundadores da Cóndor SACI , empresa que se tornou representante da Mercedes-Benz no Paraguai em 1951. De outro, os Vázquez , que iniciaram suas atividades no comércio e, posteriormente, entraram no setor de crédito.

    Em 1945, Miguel Jacobo Villasanti, avô de Miguel Vázquez Villasanti, abriu uma oficina mecânica no bairro Obrero, em Assunção. Um ano depois, foi fundada a Cóndor SACI, que ampliou a atuação da família no setor comercial. A trajetória dos Vázquez começou em 1956, quando Brígida Vázquez, mãe de Víctor Hugo Vázquez, abriu o Comercial Santa Catalina no Mercado 4, tradicional centro comercial da capital paraguaia.

    Décadas depois, em 1984, Víctor Hugo fundou a Credicentro , empresa de crédito voltada a empréstimos para pessoas físicas e empresas. A companhia se tornou a base da expansão do grupo no setor financeiro. Família Vázquez, paraguaio Grupo Vázquez, que reúne negócios nos setores financeiro, automotivo, imobiliário e de tecnologia.

    A transformação ganhou força em 2012, quando a Credicentro fez sua primeira emissão de ações na Bolsa de Valores de Assunção. Em 2015, o grupo ampliou sua presença no agronegócio com a aquisição das propriedades rurais Don Miguel, Costa Flor e Doña Brígida. No ano seguinte, incorporou as empresas Pagopar e Hendyla, ligadas aos setores de pagamentos e comércio eletrônico.

    Em 2017, a Credicentro absorveu a Crediplus, ampliando sua atuação no mercado de crédito. Da Credicentro ao Ueno Bank A expansão também passou por uma reorganização dos negócios financeiros. Em 2020, a Credicentro realizou uma fusão com outras instituições listadas na bolsa paraguaia e lançou as plataformas digitais ioio e Vinanzas.

    Em 2021, o grupo adquiriu a empresa de tecnologia ITTI, a J. Fleischman e a Financiera El Comercio. No ano seguinte, a Credicentro mudou de nome para Ueno Holding SAECA .

    Também foram incorporadas a Alfa Seguros e a Red UTS, ligada ao setor de entretenimento e venda de ingressos. Em 2023, o conglomerado ampliou o portfólio com as plataformas MUV, de mobilidade, Conto e Más Money, de serviços financeiros, além da Place Analyzer, voltada à análise imobiliária. O Ueno Bank se tornou um dos principais negócios financeiros do grupo e ganhou espaço rapidamente no mercado paraguaio.

    A instituição tinha 2,6 milhões de clientes no fim de 2025, segundo informações divulgadas em seu site, o equivalente a aproximadamente um terço da população do país. Até setembro de 2026, o banco havia emitido quase 1,1 milhão de cartões de crédito, de acordo com dados do Banco Central do Paraguai, é a maior emissora de cartões de crédito do país. A estrutura societária do conglomerado também passou por mudanças.

    Em julho de 2025, a Ueno Holding SAECA foi incorporada pelo Grupo Vázquez. A U Holdings, sociedade registrada em Luxemburgo, aparece como uma das principais estruturas de participação do grupo nos negócios financeiros. Participações e dívida Os investimentos em empresas associadas e controladas somavam 3,88 trilhões de guaranis, cerca de US$ 637 milhões, no fechamento de junho de 2026.

    Entre as participações relevantes estavam a ITTI, empresa de tecnologia, e a U Holdings. O grupo também tinha 890,7 bilhões de guaranis em títulos de dívida emitidos no mercado de capitais, aproximadamente US$ 146 milhões, com vencimentos em 2031. No primeiro semestre de 2026, o conglomerado registrou lucro líquido de 182,2 bilhões de guaranis, cerca de US$ 30 milhões, praticamente estável em relação aos 186,5 bilhões de guaranis apurados no mesmo período do ano anterior.

    As vendas, porém, caíram 31,2%, para 272,9 bilhões de guaranis. Parte do resultado veio da valorização de investimentos, que gerou receitas de 132,4 bilhões de guaranis. As despesas financeiras também aumentaram: passaram de 58,6 bilhões para 90 bilhões de guaranis na comparação anual.

    O balanço ainda registra uma dívida de 31 bilhões de guaranis da holding com o Ueno Bank em dezembro de 2025. No fechamento de junho de 2026, esse saldo aparecia zerado. Relação com o governo paraguaio O crescimento do Ueno também ocorreu em meio à ampliação de sua relação com o setor público.

    Os depósitos do governo no banco aumentaram desde que Santiago Peña assumiu a Presidência do Paraguai, em 2023. No fim de junho de 2026, os recursos públicos depositados na instituição somavam cerca de 5 trilhões de guaranis, ou US$ 869 milhões. O montante correspondia a 29% de todos os depósitos do banco.

    A proximidade entre o grupo e o governo também ganhou atenção porque Peña foi sócio comercial do Grupo Vázquez até março de 2025. A crise do banco, portanto, ultrapassou o campo financeiro e chegou ao debate político. A senadora de oposição Yolanda Paredes pediu a abertura de um processo de impeachment contra o presidente, embora o partido governista tenha maioria no Congresso para barrar a iniciativa.

    Problemas financeiros O Ueno já vinha enfrentando questionamentos de reguladores sobre suas operações e sua estrutura financeira. Uma das investigações busca determinar se o banco concedeu financiamento indireto para viabilizar a venda de uma carteira de crédito pertencente a uma empresa ligada à holding. A administração do banco nega irregularidades.

    Em entrevista em outubro, o presidente do conselho, Juan Manuel Gustale, afirmou que não houve financiamento indireto. A instituição também enfrentou pressão no mercado de dívida. Em março, realizou a maior emissão de títulos corporativos da história do Paraguai, mas os papéis perderam valor nos meses seguintes.

    Em outubro, a Fitch Ratings revisou a perspectiva dos títulos para negativa, citando o rápido crescimento do balanço e o elevado volume de ativos intangíveis. Na semana anterior à intervenção, executivos apresentaram um plano de capitalização de US$ 100 milhões. Metade dos recursos viria da U Holdings, holding do grupo, e a outra metade da venda de ações a investidores privados paraguaios.

    O banco também atribuiu parte das dificuldades no mercado de dívida a um efeito indireto dos problemas financeiros do Frigorífico Concepción, empresa paraguaia do setor de carnes. Apesar da dimensão do Ueno, autoridades paraguaias afirmaram que o caso não representa uma crise generalizada do sistema financeiro. O Banco Central informou que depósitos de até 228 milhões de guaranis por pessoa, cerca de R$ 200 mil, seriam garantidos pela autoridade monetária.

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