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    InvestNews·29 de out., 12:06

    Quem vai comandar o Banco Central Europeu após Christine Lagarde? Conheça os principais candidatos

    A disputa pela presidência do Banco Central Europeu (BCE) entra em sua fase decisiva depois que a atual presidente, Christine Lagarde , afirmou que deixará o cargo antes do previsto. Holanda e Espanha lideram a lista de possíveis candidatos, que ainda pode aumentar. Com a saída de Lagarde prevista para fevereiro, os 21 países da zona do euro provavelmente tentarão chegar a um acordo até o fim do ano sobre seu sucessor, que ficará responsável pela política monetária da região, onde vivem 360 milhões de pessoas.

    A negociação fará parte de um pacote mais amplo de acordos, que também incluirá os cargos do economista-chefe do BCE, Philip Lane, e da integrante do Conselho Executivo Isabel Schnabel. Embora os candidatos à presidência já estivessem buscando apoio nas capitais europeias, as negociações de fato começam agora. Os governos vão querer um presidente do BCE capaz não apenas de levar a inflação de volta à meta de 2%, mas também de lidar com a complexidade da geopolítica e preservar a estabilidade financeira diante da turbulência no mercado de títulos e dos investimentos massivos em inteligência artificial (IA).

    A seguir, um panorama dos principais candidatos e de outros nomes com menos chances. Pablo Hernández de Cos O ex-presidente do Banco da Espanha Pablo Hernández de Cos, que atualmente comanda o Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), é o favorito para suceder Lagarde, segundo analistas consultados pela Bloomberg. Leia também Economia Christine Lagarde deixará presidência do Banco Central Europeu antes do fim do mandato Economia Sob nova direção, Fed muda calendário e terá menos decisões sobre juros a partir de 2027 O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, declarou apoio ao economista de 55 anos em setembro, afirmando que ele tem “a liderança, a capacidade e o conhecimento” necessários para o cargo.

    Embora Sánchez esteja a caminho de uma derrota nas eleições antecipadas de 29 de novembro, o provável vencedor, o Partido Popular (PP), de centro-direita, liderado por Alberto Núñez Feijóo, também já sinalizou apoio a De Cos, que iniciou sua carreira no banco central espanhol em 1997. Seu sucessor no comando da instituição, José Luis Escrivá, afirmou em setembro que De Cos deve receber apoio expressivo de outros países da zona do euro. Embora não seja o único candidato, Escrivá destacou que seu antecessor conta com “apoio considerável”.

    Caso De Cos, considerado um defensor de uma política monetária mais branda, deixe o BIS, abrirá uma vaga de alto escalão na comunidade global de bancos centrais. O risco de danos à reputação da instituição e a possibilidade de um não europeu assumir o cargo, no entanto, podem dificultar sua saída. O antecessor de De Cos no BIS foi o mexicano Agustín Carstens.

    Klaas Knot O governo holandês apoiou o ex-presidente do banco central do país Klaas Knot para o principal cargo do BCE em agosto, tornando-o o primeiro candidato oficial à sucessão de Lagarde. Em setembro, o primeiro-ministro Rob Jetten afirmou que o economista de 59 anos seria “perfeito” para “muitos países europeus”. Knot, que também presidiu o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês) e atualmente dirige sua própria consultoria, mantém presença internacional por meio de participações em conferências.

    Ainda assim, alguns consideram uma desvantagem o longo período desde que deixou o banco central holandês, em meados de 2025. Outros observam que a Holanda já ocupou a presidência do BCE uma vez, com Wim Duisenberg. Knot era amplamente considerado um defensor de uma política monetária mais restritiva e chegou a entrar em conflito com o ex-presidente do BCE Mario Draghi por causa das políticas expansionistas adotadas durante sua gestão.

    Com o tempo, porém, moderou suas posições e chegou a ser considerado um possível nome de consenso para substituir Draghi, em 2019, antes da escolha de Lagarde. Em outubro, Knot afirmou que as turbulências econômicas e geopolíticas podem exigir que o BCE adote, nos próximos anos, uma orientação monetária ligeiramente mais restritiva. Candidatos com menos chances O presidente do Bundesbank, o banco central alemão, Joachim Nagel, chegou a ser considerado brevemente por Berlim como candidato do país.

    Ele afirmou que “provavelmente todos os integrantes do Conselho do BCE têm as habilidades necessárias para assumir o cargo” e que pessoas de fora do conselho, com “outros perfis”, também têm chances. A própria Lagarde era considerada uma escolha improvável antes de sua indicação inesperada. Outros nomes mencionados ocasionalmente incluem o presidente do Banco da Itália, Fabio Panetta, que integrou o Conselho Executivo do BCE entre 2020 e 2023, e a presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI), Nadia Calviño, ex-vice-primeira-ministra da Espanha.

    Calviño descartou concorrer ao cargo, afirmando que está “definitivamente onde deveria estar”. Lagarde, porém, fez declarações semelhantes poucos meses antes de assumir a presidência do BCE. Além disso, os políticos podem considerar a escolha de uma mulher para o posto.

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