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    Money Times·25 de set., 14:43

    RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3): Qual o tamanho do impacto do Mercado Livre nas farmacêuticas, segundo o JP Morgan

    As ações da RD Saúde (RADL3) e da Pague Menos (PGMN3) enfrentaram um final de pregão amargo na quinta-feira (24), após o Mercado Livre (MELI34) ter anunciado que, a partir de hoje, passará a vender medicamentos com prescrição e retenção de receitas – incluindo antibióticos e canetas emagrecedoras. As ações da RD Saúde caíram cerca de 5% depois da notícia, enquanto Pague Menos registrou queda em torno de 7%. Na leitura do JP Morgan , a novidade deve continuar sendo um fator negativo no curto prazo.

    No pregão desta sexta (25), por volta de 11h30 (horário de Brasília), as ações RADL3 recuavam 0,98%, cotadas a R$ 18,27, enquanto PGMN3 registrava queda de 0,29%, cotada a R$ 3,44. Os analistas do banco destacam o forte posicionamento em RD Saúde diante do momentum diferenciado de resultados da companhia em relação à maioria das empresas domésticas, o que torna o fator particularmente negativo para a empresa. Apesar disso, o JP Morgan vê impacto fundamental limitado e não vê motivo para alterar suas estimativas de lucro por ação (EPS).

    “Compraríamos em momentos de fraqueza, reconhecendo que pode levar alguns trimestres para que os efeitos dessa movimentação sejam totalmente absorvidos”, disseram os analistas do banco. De modo geral, o JP Morgan avalia o desenvolvimento como mais relevante para o sentimento e o posicionamento dos investidores do que para os resultados nesta etapa, especialmente considerando que já existem outros participantes, como o iFood , atuando no segmento em uma estrutura 3P ( marketplace ). “Vemos o anúncio como uma notícia importante e esperamos que os investidores continuem monitorando a expansão do Mercado Livre na categoria, mas vemos implicações limitadas para os resultados das varejistas de medicamentos listadas nesta etapa”, dizem os analistas.

    O banco tem classificação Overweight (equivalente à compra) para RD Saúde e Underweight (equivalente à venda) para Pague Menos. A novidade do Mercado Livre A partir desta sexta-feira (25), o Mercado Livre inicia a venda de medicamentos que exigem a retenção de receita, respeitado o processo de um farmacêutico validar as informações da receita e preenchimento de informações necessárias para a liberação, conforme prevê a legislação. Os clientes farão o upload das receitas para validação por um farmacêutico antes da conclusão da compra, com a operação inicialmente concentrada em São Paulo, por meio de sua farmácia física própria (1P), e entrega em até uma hora em áreas selecionadas.

    Ainda no âmbito farmacêutico, o Mercado Livre anunciou o “Farma Modelo 3P”, que consiste na entrada das farmácias no marketplace da companhia a partir de outubro. Em fase inicial, o Mercado Livre prevê até o final do ano 20 farmácias de redes terceiras estrategicamente distribuídas em São Paulo para conseguir chegar à entrega em 60 minutos. Já no mês de outubro, três redes de farmácia já estarão operando dentro desse modelo.

    Há exatamente um ano, a gigante do e-commerce adquiriu a farmácia “Target”, propriedade da Memed, startup focada em prescrições e exames digitais. Por dentro dos mercados Receba gratuitamente as newsletters do Money Times OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários. Canetas emagrecedoras inclusas O anúncio do Mercado Livre inclui a comercialização de canetas GLP-1 (como Ozempic e Wegovy), conhecidas como “canetas emagrecedoras”.

    O JP Morgan pondera, no entanto, que os GLP-1, em particular, não são uma categoria simples para disrupção de preços. Os grandes fabricantes operam programas de benefícios aos pacientes, ou PBMs, por meio dos quais estabelecem preços preferenciais e descontos que as farmácias credenciadas repassam aos consumidores. Nesse sentido, os preços efetivos são relativamente definidos pelos fabricantes, o que também ocorre com a maior parte das vendas de medicamentos.

    “A Novo Nordisk , por exemplo, tem utilizado seu programa NovoDia para oferecer condições diferenciadas em produtos à base de semaglutida. É importante destacar que o Meli também não teria a mesma liberdade para utilizar cupons amplos como ocorre com produtos em geral”, pondera o banco. O JP Morgan destaca ainda que descontos para medicamentos condicionados a cupons, cartões ou identificação do paciente estão sujeitos à regulamentação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) .

    Ainda que isso não impeça promoções, reduz o espaço para uma estratégia irrestrita de cupons financiados pela plataforma, que é o maior temor dos investidores em relação a essa discussão, na visão dos analistas. “Além disso, considerando as margens normalmente baixas do varejo farmacêutico e o baixo tíquete médio, acreditamos que isso limita o potencial de rentabilidade do marketplace (se houver), já que há pouco espaço para que as taxas cobradas ( take rates ) cubram os custos operacionais, especialmente considerando que a logística deveria ser segregada devido às restrições sanitárias”, diz o JP Morgan. ]]>

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