Reeleição de Lula ultrapassa fronteiras e mobiliza o “L” em países europeus
Ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no último domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quebrou um paradigma: tornou-se o primeiro candidato ao Planalto a terminar o primeiro turno da eleição atrás de seu adversário e, ainda assim, superá-lo na segunda rodada do pleito . 232 de votos ( 51,79% dos válidos ). 041 ( 48,21% dos válidos ).
Na primeira etapa da eleição, no entanto, Flávio havia conquistado 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. Para especialistas ouvidos pela CNN Brasil , o triunfo de Lula é resultado de uma mobilização civil há muito tempo não vista no campo progressista no país. De acordo com o cientista político Rafael Cortez , em alguma medida, “ a esquerda, quando encontrou a melhor maneira de se organizar, ou lidar com redes sociais e o potencial de mobilização que tem, conseguiu se mobilizar e ir para as ruas depois de um longo período em que as ruas pareciam não ser mais domínio progressista no Brasil “.
Leia Mais Bukele parabenizou Lula por vitória nas eleições brasileiras Lula agradece Edinho por reeleição: "Sua dedicação foi fundamental" Eleições 2026: Como SP votou e o que explica diferença entre regiões? A jornalistas, o próprio presidente Lula afirmou que, no segundo turno, “ a população assumiu a responsabilidade de dizer que a eleição é uma coisa de quem se preocupa com o país “. Segundo aliados do petista, ele mesmo teria se surpreendido com as mobilizações “orgânicas” que ocorreram nas últimas semanas de campanha.
A reeleição do petista vai na contramão do que acontece na América do Sul, que elegeu nomes da direita como Javier Milei , na Argentina, Santiago Peña , no Paraguai, e Rodrigo Paz , na Bolívia. Ainda segundo Cortez, por essas razões, a vitória de Lula “ultrapassa as fronteiras internacionais “. “ Isso tem a ver com esse problema em comum que as democracias contemporâneas e o setor progressista, em particular, estão enfrentando, e além do fato da vitória do Lula representar uma resistência ao trumpismo, sobretudo pensando no contexto da América do Sul e América Latina “, explica.
O cientista político Mauricio Santoro , colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, corrobora a ideia no que diz respeito ao impacto internacional da eleição brasileira: “Diante de uma crise global da democracia, o Brasil foi um dos poucos países em que a extrema-direita foi derrotada nas urnas” . “ Neste ano, isso só aconteceu na Hungria e na Sérvia, mas que não têm a mesma expressão política e econômica do Brasil, que é uma das dez maiores economias do mundo “, emendou. A partir das proporções que tomaram os atos públicos e manifestações realizadas no Brasil em prol de Lula e do ineditismo da virada, líderes políticos internacionais passaram a adotar o sinal do “L” , feito com as mãos e utilizado por manifestantes e eleitores para demonstrar apoio ao candidato petista.
A catalã Ada Colau , ex-prefeita de Barcelona e ativista social, compartilhou nas redes sociais, pouco depois do resultado do segundo turno, um vídeo em que pede para que apoiadores “façam o L” . Em ato na cidade espanhola, ela declarou: “ Vamos levantar o braço com o L de Lula, pela esperança, Palestina livre, por Lula no Brasil, pela esperança e pela Frente Ampla no dia 29 de novembro. ”.
Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Ada Colau (@adacolau) Na avaliação do professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudtiz , “o gesto de ‘fazer o L’ ultrapassou seu significado original de apoio a Lula e começou a funcionar como um símbolo de identificação política internacional. Entretanto, mais importante que o símbolo, é a experiência de mobilização eleitoral brasileira” . “ A campanha mostrou a capacidade de combinar mobilização da sociedade civil, manifestações de rua e utilização intensiva das redes sociais para ampliar o engajamento político.
Essa combinação despertou interesse de movimentos europeus que enfrentam desafios eleitorais semelhantes, especialmente na Espanha e na França “, completou. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, usou as redes sociais para exaltar a vitória de Lula : “Grande vitória de Lula! O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha.
” , escreveu. ¡Gran victoria de @LulaOficial! Lo que ha pasado en Brasil, pasará en España.
La remontada del progresismo global acaba de comenzar. — Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) October 26, 2026 O presidente francês, Emmanuel Macron, seguiu os passos do colega espanhol: “ A França e o Brasil têm muito a construir juntos. Diante dos grandes desafios do nosso tempo, reforcemos nossa parceria estratégica e façamos viver a amizade entre nossos dois países a serviço de um mundo mais justo “, registrou.
Toutes mes félicitations @LulaOficial pour ta réélection. La France et le Brésil ont beaucoup à construire ensemble. Face aux grands défis de notre temps, renforçons notre partenariat stratégique et faisons vivre l’amitié entre nos deux pays au service d’un monde plus juste.
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) October 26, 2026 Gunther ressalta também a dimensão do papel do Brasil no contexto global: “ Estamos falando de uma das maiores democracias do mundo, e o resultado de uma eleição presidencial brasileira tem repercussões que ultrapassam a América Latina. A vitória de Lula ganha ainda mais significado por ocorrer em um contexto internacional de crescente polarização política “. No entanto, ele ressalta que “cada país tem suas próprias condições políticas, econômicas e sociais” .
“ O que o resultado brasileiro oferece, neste momento, é uma referência política e uma experiência de mobilização que outros movimentos podem tentar adaptar às suas realidades “, concluiu. Atos pró-Lula em SP e RJ mostram esquerda mobilizada ]]>
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