Rio Tem PIB de R$ 1,3 Tri. Por Que a Economia Não Decola?
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. O estado do Rio de Janeiro tem a segunda maior economia do Brasil, atrás apenas de São Paulo . Em 2024, o PIB fluminense foi estimado em cerca de R$ 1,3 trilhão , segundo a Firjan .
Já o último dado oficial do IBGE , referente a 2023, aponta um PIB de R$ 1,17 trilhão . 219 . 762.
Em relação à renda , o Rio permanece entre os estados com os maiores rendimentos do trabalho do país . 190). 560 , de acordo com a PNAD Contínua do IBGE.
Ou seja, o rendimento médio do trabalho no estado ficou em torno de 17% acima da média brasileira no ano. Apesar do peso econômico, o Rio enfrenta desafios estruturais que dificultam transformar essa riqueza em crescimento mais consistente, geração de empregos e aumento da renda. Um dos principais gargalos da está nas contas públicas .
Ao fim de 2025, a Dívida Consolidada Líquida (DCL) chegou a R$ 218,4 bilhões , o equivalente a 217,25% da Receita Corrente Líquida (RCL) ajustada , de R$ 100,53 bilhões. O percentual ficou acima do limite de 200% da RCL estabelecido pelo Senado Federal para os estados, uma diferença de 17,25 pontos percentuais em relação ao teto. A trajetória ao longo do ano passado mostrou o aumento da pressão sobre as contas .
No primeiro quadrimestre de 2025, a dívida líquida correspondia a 198,82% da RCL , ou R$ 193,4 bilhões, ainda abaixo do limite de 200%. No fechamento do ano, a relação havia avançado para 217,25%. A rigidez orçamentária é outro fator.
Em 2025, a despesa total (quanto o governo gasta com servidores públicos ativos, aposentados, pensionistas e outras despesas relacionadas à folha de pagamento, conforme os critérios da Lei de Responsabilidade Fiscal) alcançou R$ 56,72 bilhões ou 56,45% da RCL ajustada. O percentual ficou abaixo do limite máximo de 60% e do limite prudencial de 57% , mas acima do limite de alerta de 54% . Na prática, esse alto nível de endividamento reduz a margem fiscal, responsável por conciliar o pagamento de suas obrigações e a manutenção dos serviços públicos com a necessidade de ampliar investimentos em áreas capazes de estimular o crescimento econômico.
Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, localizada no Rio de Janeiro, destaca que o problema do Rio não é falta de ativos. “Poucos estados brasileiros reúnem simultaneamente petróleo e gás, portos, universidades e centros de pesquisa, indústria naval, energia, turismo, setor audiovisual, serviços financeiros e uma marca internacional tão forte. O problema está na baixa capacidade de transformar esses ativos em produtividade, investimento recorrente e crescimento de longo prazo.
“ Ele destaca três razões para isso acontecer. A primeira é o ambiente de negócios . “Existe uma espécie de ‘Custo Rio’ , que combina infraestrutura deficiente, insegurança, burocracia, incerteza regulatória e custos elevados de operação”, diz.
Um estudo da Firjan estima em R$ 274,8 bilhões por ano o custo adicional enfrentado pelas empresas fluminenses em comparação com referências internacionais da OCDE. A segunda é a instabilidade fiscal e institucional , já que o Rio atravessou boa parte da última década administrando crises fiscais. Isso reduz capacidade de planejamento, comprime investimento público e aumenta a percepção de risco.
E a terceira é que o estado historicamente teve dificuldade de adensar suas cadeias produtivas . “Produzimos enorme quantidade de petróleo, por exemplo, mas o desafio é capturar uma parcela maior do valor gerado em engenharia, equipamentos, serviços especializados, petroquímica, tecnologia e inovação”, comenta Barros. Por dentro das contas públicas Para o professor de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV) Rio, Ricardo Teixeira , o estado registrou o maior déficit entre os estados brasileiros em 2025.
Ou seja, além de financiar o funcionamento da máquina pública, o estado precisa administrar suas obrigações relacionadas à dívida com a União. “As contas públicas interferem muito no resultado que a gente tem. O Rio não só precisa arrecadar para fazer os investimentos necessários, como também precisa cumprir suas obrigações”, afirma.
Um dos maiores problemas está na destinação de recursos provenientes dos royalties do petróleo. Em vez de funcionarem como uma fonte para financiar infraestrutura e criar condições para o desenvolvimento econômico de longo prazo, parte desses recursos acaba sendo utilizada para cobrir despesas correntes, incluindo a folha de pagamentos. “O que hoje a gente tem de royalties deveria ser usado para construir infraestrutura no estado, fazer desenvolvimento ou criar condições para que haja desenvolvimento.
Mas, na realidade, usamos esses recursos também para fechar a folha “, explica o professor. A dependência se torna ainda mais problemática quando o preço do petróleo recua. Nesse cenário, além do estado utilizar uma receita associada a um recurso natural para financiar despesas do cotidiano, a redução da arrecadação pode dificultar até mesmo o cumprimento das obrigações correntes.
Segundo Teixeira, esse quadro ajuda a criar um ciclo , pois sem recursos suficientes, o governo reduz sua capacidade de investir em áreas como educação e segurança; sem avanços nessas áreas, torna-se mais difícil atrair empresas; e, sem a chegada de novos investimentos privados, a arrecadação não consegue se expandir de maneira consistente. Getty Images Dívida, petróleo e segurança estão entre os desafios da economia fluminense “Por não dispor de recursos, não se investe em educação e segurança. Com isso, não conseguimos atrair novos investimentos porque não estamos formando mão de obra e não estamos dando segurança para que as empresas queiram vir para cá.
E, por conta disso, a arrecadação também não cresce, porque novas empresas não vêm para o Rio”, explica. O desafio , de acordo com ele, é conseguir separar as duas necessidades: garantir recursos para manter o estado funcionando e, simultaneamente, preservar capacidade financeira para investimentos capazes de estimular a entrada de capital privado. “Quando uma parcela muito grande da receita está comprometida com despesas obrigatórias, previdência, pessoal e dívida, o investimento passa a funcionar como variável de ajuste”, aponta Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos , localizada no Rio de Janeiro.
Apesar do cenário negativo, em 2026, houve uma mudança institucional. O Rio deixou o Regime de Recuperação Fiscal e aderiu ao PROPAG (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), mecanismo criado para renegociar as dívidas dos estados com a União, em 22 de junho de 2026. Segundo o governo estadual, a operação envolveu amortização de R$ 42,1 bilhões por meio da oferta de ativos e deve reduzir substancialmente o serviço mensal da dívida com a União.
“Isso melhora o fluxo financeiro, mas não elimina o problema estrutural”, diz Barros. O histórico recente mostra a dimensão dessa fragilidade. Somente em 2025, a União precisou honrar R$ 4,69 bilhões em dívidas garantidas do Estado do Rio de Janeiro.
Em 2026 esses pagamentos continuaram até a mudança de regime. Ladeira abaixo A trajetória econômica nas últimas décadas foi marcada pela perda de participação de segmentos industriais . A redução do peso da indústria de transformação no Valor Adicionado Bruto (VAB) estadual — indicador que mede a riqueza gerada pelas diferentes atividades econômicas do estado — alterou a economia fluminense.
“O que aconteceu com o Rio de Janeiro é que houve uma desindustrialização. A indústria que se tinha no estado algum tempo atrás basicamente migrou para São Paulo. Com isso, o Rio perdeu muito”, diz o professor da FGV Rio.
Parte da indústria que antes estava instalada no estado migrou para São Paulo , atraída, entre outros fatores, por melhores condições logísticas e pelo tamanho do mercado consumidor. No processo, a economia do estado passou a depender mais da extração de petróleo e gás , atividade concentrada sobretudo no Norte do estado. Segundo Teixeira, essa configuração dificulta uma distribuição mais ampla da riqueza gerada pela atividade e reforça a necessidade do Rio voltar a ampliar sua base industrial e desenvolver serviços de maior valor agregado.
Na avaliação dele, a perda de empresas para São Paulo enfraqueceu áreas anteriormente industrializadas do território. As consequências também aparecem no mercado de trabalho . De acordo com a PNAD Contínua do IBGE, a taxa de informalidade no Rio de Janeiro ficou em 37,1% no quarto trimestre de 2025, isso significa que mais de um terço dos trabalhadores ocupados no estado estava em atividades informais.
No mesmo período, a média nacional foi de 37,6%. Entre os jovens , o desafio aparece principalmente na transição entre os estudos e o mercado de trabalho . Dados do IBGE mostram que, no ano passado, 17,5% dos jovens de 15 a 29 anos no estado do Rio não estavam ocupados nem estudavam ou se qualificavam, o equivalente a cerca de 600 mil pessoas.
O percentual recuou em relação aos 18% registrados em 2024 e aos 23,7% de 2019, mas ainda representa quase um em cada cinco jovens nessa faixa etária. A desigualdade ainda aparece dentro desse grupo. Entre as mulheres de 15 a 29 anos, 22,9% não estudavam nem estavam ocupadas em 2025, ante 12,2% entre os homens.
No recorte por cor ou raça, a proporção chegava a 19,4% entre jovens pretos ou pardos, acima dos 14,8% registrados entre os brancos. Dependente de petróleo e gás? De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em dezembro de 2025 o Rio respondeu por cerca de 89% da produção brasileira de petróleo e por aproximadamente 78% da produção de gás natural .
À primeira vista, essa posição traz vantagens, já que transforma o estado em grande produtor e exportador dos insumos e amplia a arrecadação quando os preços dessas commodities estão elevados. No entanto, o problema aparece na elevada dependência. “O peso e a vulnerabilidade do petróleo são enormes no estado do Rio de Janeiro.
Isso a princípio parece muito bom, sem dúvida nenhuma, porque o estado é um exportador de petróleo e gás. Mas, por outro lado, faz com que a economia fique muito dependente desses dois produtos”, ressalta Ricardo Teixeira da FGV Rio. Getty Images Há questões estruturais que reduzem a capacidade do Rio de atrair novos investimentos Pela lógica, quando as cotações internacionais sobem, a arrecadação aumenta e o governo ganha maior capacidade financeira para prestar serviços e realizar investimentos.
O movimento contrário, porém, produz efeitos negativos, reduzindo o fluxo de caixa do Rio. Uma estratégia para contornar a situação é fazer com que uma parcela maior da cadeia produtiva do petróleo permaneça no próprio território fluminense. Ricardo afirma que o estado deveria estimular atividades de transformação relacionadas à matéria-prima.
“Não podemos apenas produzir o petróleo. ” Ou seja, aumentar o valor agregado produzido dentro do estado e, consequentemente, ampliar a arrecadação . Com receitas maiores, o governo teria mais condições de investir em educação, infraestrutura e outros vetores capazes
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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