Rio Tinto muda estratégia e começa a negociar metais de outras mineradoras
A Rio Tinto planeja ampliar as operações comerciais para negociar mais metais de outros produtores, além de derivativos, segundo pessoas a par da estratégia, em uma iniciativa do novo CEO para tornar a empresa mais ágil. A Rio é a segunda maior mineradora do mundo, com operações que vão de minério de ferro na Austrália Ocidental a cobre na Mongólia e alumínio na América do Norte. Historicamente, porém, a empresa não teve uma grande operação de trading e não conseguiu extrair o máximo valor de todas as áreas do negócio com o mesmo sucesso de alguns concorrentes — algo que o presidente do conselho, Dominic Barton, e o CEO, Simon Trott, querem mudar.
Leia também Investimentos O que acontece com seu dinheiro se a gestora do fundo pedir recuperação judicial Investimentos Na contramão da lógica, ouro sobe com juro americano em alta – veja como investir As deficiências da Rio ficaram evidentes durante duas rodadas de negociações nos últimos dois anos para comprar a Glencore Plc, rival do setor de mineração que possui amplas operações de trading nos mercados de energia, metais e eletricidade. As consolidadas redes de trading e a experiência comercial da Glencore eram atrativos importantes para a Rio, assim como a lucrativa carteira de cobre. As conversas foram posteriormente abandonadas.
A Rio não pretende replicar as gigantes independentes de trading do setor, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas porque as discussões estão em andamento. A empresa, porém, quer promover uma mudança significativa no negócio atual, comandado pelo diretor comercial Bold Baatar. A mineradora, por exemplo, vai ampliar o trading com terceiros — atividade normalmente dominada por tradings especializadas, que costumam comprar commodities em vez de extraí-las —, em uma ruptura significativa com o modelo atual, concentrado principalmente na comercialização da própria produção.
Ainda assim, a Rio vê a mudança como uma forma de extrair mais lucro dos ativos, e não como uma tentativa de criar uma operação independente de trading, disseram as pessoas. Entre as áreas de interesse está o mercado de alumina, no qual a empresa tem excesso de oferta em algumas regiões e déficit em outras. A Rio também avalia oportunidades de trading no mercado de cobre da América do Norte, onde possui capacidade ociosa de fundição nas operações de Kennecott.
A empresa poderia acrescentar cátodos de cobre e produtos relacionados, como ácido sulfúrico. A companhia também está disposta a começar a usar derivativos financeiros para fazer hedge de posições e exposições, disseram as pessoas, em vez de apostar na direção dos preços das commodities. “A comercialização da produção de nossas próprias operações para atender às necessidades de clientes e parceiros continua sendo a base dos negócios da Rio Tinto”, afirmou a Rio em comunicado.
” A empresa não quis fazer mais comentários sobre os planos. A Rio centralizou as operações comerciais em um hub de marketing em Singapura em 2018 — sob Trott, então diretor comercial —, na tentativa de reduzir a distância em relação às mineradoras rivais BHP Group e Anglo American, que tinham áreas de marketing mais consolidadas. Essas iniciativas, porém, praticamente pararam durante a pandemia.
A Anglo recuou ainda mais nessa estratégia a partir de 2024, quando enfrentou uma tentativa de aquisição. Sob Trott, que assumiu como CEO no ano passado, a Rio apresentou planos para simplificar os negócios, vender ativos e reduzir custos. Ao mesmo tempo, também busca aumentar os lucros das operações.
A empresa já negocia com a gigante do trading de petróleo Vitol Group a criação de uma joint venture de frete e logística, segundo a Bloomberg publicou em junho. A equipe comercial da Rio tem atualmente cerca de 20 traders e planeja contratar mais alguns, disseram as pessoas. A contribuição financeira da unidade também não será divulgada, mas será mensurada internamente.
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