Rússia, Irã, Palestina: quem foi “barrado” pelos EUA para ir à ONU
Às vésperas da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) os Estados Unidos negaram vistos a autoridades e integrantes da imprensa da Rússia, do Irã e da Autoridade Palestina que pretendiam viajar a Nova York para participar do encontro anual da entidade. O evento começa nesta terça-feira (22) com discurso de líderes de todo o mundo no icônico púlpito da entidade. Os casos provocaram críticas dos três lados e levantaram questionamentos sobre as obrigações dos Estados Unidos como país-sede da ONU.
Nos termos de um acordo firmado em 1947 , os Estados Unidos são, em geral, obrigados a permitir o acesso de diplomatas estrangeiros à Nova York para participação do encontro. O governo americano, porém, afirma que pode negar vistos por motivos relacionados a segurança, extremismo e política externa. Leia Mais EUA barram visto de presidente palestino a dias da Assembleia Geral da ONU Por que o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia Geral da ONU?
Líder supremo do Irã diz que EUA não terão mais "refúgio seguro" no Golfo Rússia O Kremlin afirmou nesta terça-feira (22) que os Estados Unidos negaram um visto ao vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Alimov. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou a decisão como um ato “hostil” e disse que a medida contraria as obrigações americanas como país-sede da ONU. Segundo Peskov, Moscou levará o assunto a Washington.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin • RUSSIAN POOL Irã O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, criticou a decisão dos Estados Unidos de negar vistos a jornalistas e profissionais de imprensa iranianos que acompanhariam a delegação do país à Assembleia Geral. Segundo Baghaei, a medida representa uma tentativa de “esconder a verdade” e manter uma campanha de desinformação ao restringir o acesso às informações. Ele ainda disse que os Estados Unidos estavam construindo uma nova “Cortina de Ferro”, em alusão ao termo da Guerra Fria que simbolizava o muro diplomático entre os americanos e seus apoiadores e a União Soviética.
com/BxNnvQhecd — Esmaeil Baqaei (@IRIMFA_SPOX) September 21, 2026 O presidente Masoud Pezeshkian partiu de Teerã para Nova York em tom desafiador, acusando potências mundiais de desrespeitarem acordos assinados e de cometerem crimes contra civis. O presidente iraniano se prepara para discursar na 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Antes da partida, Pezeshkian afirmou que as partes violaram repetidamente acordos escritos firmados durante negociações e condenou o que descreveu como atrocidades em curso em Gaza, na Síria, no Iêmen e no Irã.
Ele citou diretamente o ataque de 28 de fevereiro à Escola Primária Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab. Autoridades iranianas afirmaram que mais de 150 pessoas morreram no episódio, incluindo cerca de 120 crianças em idade escolar. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também discursou em Nova York após desembarcar.
Ele afirmou que o tema da Assembleia Geral deste ano — “Restaurando a Confiança, Gerenciando a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Beneficia a Todos” — representa, por si só, um reconhecimento de que a confiança na organização internacional entrou em colapso. Araqchi atribuiu essa perda de confiança ao desrespeito de diversos países pelo direito internacional e pelas instituições internacionais. Autoridade Palestina Os Estados Unidos também negaram um visto ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que participará da Assembleia Geral da ONU por vídeo pelo segundo ano consecutivo.
A Assembleia Geral aprovou na quinta-feira (17) uma resolução autorizando Abbas a discursar remotamente. A medida recebeu 152 votos a favor, três contra e quatro abstenções. Presidente palestino Mahmoud Abbas em Ramallah • 14/5/2025 REUTERS/Mohammed Torokman A resolução também permite que Abbas e outros altos funcionários palestinos participem por vídeo de reuniões e conferências da ONU durante o próximo ano caso sejam impedidos de viajar aos Estados Unidos.
O governo de Donald Trump havia anunciado um dia antes a extensão das restrições de visto a autoridades palestinas. Segundo o Departamento de Estado, as medidas foram adotadas em razão de ações que Washington afirma terem como objetivo “internacionalizar o conflito israelense-palestino”, incluindo processos contra Israel em tribunais internacionais. A vice-embaixadora dos EUA na ONU, Tammy Bruce, afirmou antes da votação que, se a Autoridade Palestina quiser ser tratada como parceira, deverá parar de “subsidiar o terror” e deixar de usar a diplomacia como substituto para uma governança séria.
* Com informações da Reuters Autoridades sem visto dos EUA podem ir à Assembleia da ONU em Nova York? ]]>
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