Rússia liga tomada de ativos da Nestlé à ajuda europeia à Ucrânia
O Kremlin relacionou a tomada de ativos na Rússia pertencentes à gigante suíça de alimentos Nestlé e à rede francesa de supermercados Auchan ao apoio militar europeu à Ucrânia. “Estamos falando de empresas, empresas europeias de países hostis”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas na sexta-feira (18). V.
Menedzhment. Leia também Negócios Desafios do novo CEO da Nestlé vão do efeito Ozempic à inflação de alimentos É a maior tomada de ativos corporativos estrangeiros na Rússia desde pelo menos 2024. A medida ocorre em meio às tensões com a Europa, que impôs amplas sanções à Rússia e está enviando dezenas de bilhões de dólares em armas e ajuda financeira para apoiar a defesa da Ucrânia contra a invasão em larga escala ordenada por Putin em fevereiro de 2022.
V. Menedzhment foi registrada em Moscou em 2024, com capital social de apenas 15 mil rublos (US$ 177) e um único funcionário, segundo dados do registro russo. A empresa tinha pouca exposição pública antes do decreto.
As ações da Nestlé caíram até 1,9% nas negociações iniciais de sexta-feira (18), atingindo o menor nível em três meses antes de reduzir parte da queda. A medida do Kremlin evidencia o ambiente empresarial cada vez mais difícil enfrentado pelas empresas internacionais que permanecem na Rússia. Mais de mil empresas deixaram o país depois do início da guerra e da imposição de várias rodadas de sanções internacionais contra Moscou.
Ainda assim, grandes empresas como PepsiCo, Mondelez International e Raiffeisen Bank International continuam operando na Rússia sob restrições crescentes, embora tenham reduzido suas operações. A Rússia aprovou uma lista de países que considera “hostis” pouco depois do início da invasão. Além de todos os países da União Europeia e dos Estados Unidos, vários outros países, incluindo a Suíça, estão na lista.
Transações financeiras e comerciais envolvendo empresas desses países estão sujeitas a restrições adicionais e exigências regulatórias na Rússia. A Nestlé afirmou em comunicado na sexta-feira (18) que tomou conhecimento do decreto de Putin e estava avaliando a situação e suas opções. “A Nestlé está empenhada em tomar todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e garantir a continuidade das operações comerciais no interesse de todas as partes interessadas, especialmente seus funcionários”, afirmou.
O governo suíço deve se pronunciar sobre o caso ainda nesta sexta-feira (18). A Suíça adotou sanções semelhantes às da União Europeia contra a Rússia por causa da guerra na Ucrânia, rompendo com sua abordagem anterior de neutralidade. A medida deu origem a uma iniciativa para impor uma interpretação mais rígida da tradicional doutrina de neutralidade do país, e os eleitores decidirão sobre a proposta em 27 de setembro.
A Rússia se manifestou publicamente sobre a campanha a favor de uma neutralidade mais rígida. Se aprovada, a proposta impediria a Suíça de impor sanções a países em conflito sem respaldo da ONU, o que significaria que o país não poderia mais manter as atuais medidas contra a Rússia com base no mesmo fundamento. A Auchan Retail Russia afirmou ter solicitado esclarecimentos sobre o decreto e que apresentaria uma resposta mais detalhada depois de receber as informações pertinentes, informou a empresa à agência estatal Tass.
A Rússia assumiu o controle de dezenas de ativos internacionais desde 2023, quando alterou a legislação para criar um mecanismo de administração temporária que permite ao Estado assumir o controle de participações pertencentes a empresas de países “hostis”. Entre os casos estão as unidades locais da empresa finlandesa de serviços públicos Fortum, da fabricante francesa de iogurtes Danone e da cervejaria dinamarquesa Carlsberg. As ordens de administração temporária muitas vezes foram seguidas pela transferência dos ativos para compradores russos aprovados pelas autoridades, muitos deles com ligações com o Kremlin.
Danone e Carlsberg tiveram seus ativos brevemente devolvidos, mas depois foram obrigadas a vendê-los a empresas russas com grandes descontos. Ativos estrangeiros sob controle russo O Kremlin também tornou cada vez mais difícil para empresas estrangeiras deixarem a Rússia. Transações envolvendo investidores de países “hostis” exigem que os vendedores aceitem um desconto de pelo menos 60%, além de um imposto especial de saída.
Em agosto, Putin sancionou uma lei que permite aos tribunais russos impedir que investidores estrangeiros que deixaram o país depois da invasão da Ucrânia em 2022 recomprassem os ativos que haviam vendido. Ele afirmou repetidamente que será difícil voltar ao mercado russo. Ainda assim, o decreto sobre a Nestlé e a Auchan, publicado na noite de quinta-feira (17), foi inesperado.
O Kremlin não havia usado o mecanismo contra ativos de valor comparável desde pelo menos 2024, quando fábricas pertencentes à AB InBev Efes, uma joint venture entre a cervejaria belga AB InBev e a turca Anadolu Efes, foram colocadas sob administração temporária. Nestlé na Rússia A Nestlé opera na Rússia desde os anos 1990, mas reduziu seus negócios após 2022, suspendendo algumas marcas e interrompendo importações e exportações não essenciais, além de publicidade e investimentos de capital. A gigante suíça possui seis fábricas na Rússia, que empregam mais de 7 mil pessoas e onde continuou a produzir o que descreve como alimentos essenciais e de consumo cotidiano.
A Rússia responde por cerca de 2% das vendas globais da Nestlé, o equivalente a aproximadamente 2 bilhões de francos suíços (US$ 2,5 bilhões) por ano. A perda do controle sobre os ativos russos poderia representar uma baixa contábil de cerca de 1 bilhão de francos suíços, segundo analistas liderados por David Hayes, do Jefferies. A resposta da Nestlé à ordem de Putin tem sido “pouco comprometedora” até agora, embora os precedentes de Danone e Carlsberg não sejam animadores, disse Warren Ackerman, analista do Barclays.
“Interpretamos o decreto como um passo em direção a uma possível mudança de propriedade, embora o momento, o processo e a compensação sejam desconhecidos”, acrescentou. A Auchan esteve entre a primeira onda de grandes empresas ocidentais de bens de consumo a expandir suas operações na Rússia, ao abrir sua primeira loja no país em 2002. A empresa construiu uma ampla rede de lojas e atualmente opera 230 supermercados e hipermercados em todo o país, segundo seu site.
No início deste ano, uma empresa pouco conhecida chamada KS Logistics pediu a Putin que colocasse as entidades locais da Nestlé sob administração temporária, informou o jornal Kommersant. Na época, a Nestlé disse ao veículo que não havia recebido nenhuma solicitação das autoridades russas e que seus escritórios e fábricas continuavam funcionando. V.
Menedzhment. Esta última nomeou Andrey Krayushkin como seu novo diretor-presidente apenas na semana passada, segundo dados do registro russo. Krayushkin atuou até pelo menos 2020 como primeiro vice-chefe do departamento de migração do Ministério do Interior e tinha a patente de major-general, informou na quinta-feira (17) o veículo de oposição russo Novaya Gazeta Europe, citando bancos de dados que, segundo o veículo, estavam em sua posse.
A Bloomberg não conseguiu verificar a informação de forma independente. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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