Sabesp investe R$ 25 bilhões em obras para acelerar despoluição do Rio Tietê
A Sabesp investiu R$ 25 bilhões em obras de esgotamento sanitário na Região Metropolitana de São Paulo, em um programa que prevê ampliar a coleta e o tratamento de esgoto e reduzir o despejo de matéria orgânica no Rio Tietê e em seus afluentes. Uma nova etapa das intervenções alcançará cerca de 650 mil imóveis, onde 1,75 milhão de pessoas vivem. De acordo com a Sabesp, a nova fase prevê 460 quilômetros de tubulações e 112 Estações Elevatórias de Esgoto (EEEs).
Essas unidades serão instaladas sobretudo em áreas onde o relevo impede que o material coletado siga naturalmente pela rede. Nesses locais, o esgoto precisa ser bombeado para transpor morros e vales e seguir até as estações de tratamento. As obras também terão de enfrentar terrenos rochosos e travessias de grandes rodovias, como a Raposo Tavares.
Os trabalhos serão realizados nos seguintes municípios: Caieiras; Cajamar; Carapicuíba; Cotia; Franco da Rocha; Francisco Morato; Itapevi; Jandira; Osasco; e Santana de Parnaíba, além de bairros das zonas norte e oeste da capital paulista. A previsão da Sabesp é concluir essa etapa até 2028. As intervenções compõem o plano da empresa de universalizar os serviços de saneamento em sua área de atuação no Estado em 2029.
O prazo antecede em quatro anos a meta de 2033 estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento. “Estamos acelerando a chegada do saneamento a regiões que ainda permanecem fora dos grandes sistemas e, ao mesmo tempo, ampliando a recuperação de rios e córregos da Região Metropolitana de São Paulo”, afirmou Roberval Tavares, diretor de Engenharia e Operações da Sabesp. ” Programa já alcançou mais de 3 milhões de pessoas As obras integram um programa iniciado em 2023.
De acordo com a Sabesp, mais de 3 milhões de pessoas já foram beneficiadas desde o começo da primeira fase. Os trabalhos foram divididos em 42 pacotes e chegaram a 43% de execução. Essa etapa inclui novas tubulações e estações de bombeamento, além da ampliação de seis Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs).
A diferença agora está no avanço da infraestrutura sobre áreas que permanecem fora dos sistemas de esgotamento. Dados da Sabesp mostram o avanço do programa desde o lançamento do Integra Tietê, em março de 2023. Até dezembro de 2024, cerca de 365 mil imóveis haviam sido conectados à rede, o que beneficiou uma população estimada em mais de 1,1 milhão de pessoas.
Segundo a companhia, desde o início da primeira fase, o programa já alcançou mais de 3 milhões de moradores. Cajamar está entre os municípios que receberão maior volume de intervenções nesta nova etapa. A ETE Polvilho terá a capacidade de tratamento duplicada, de 100 para 200 litros por segundo.
O município também terá 78,3 quilômetros de tubulações e 35 estações elevatórias. Em Francisco Morato, as obras devem complementar as redes coletoras nas áreas que ainda não dispõem do serviço. Os dois primeiros contratos do novo pacote, ambos em Osasco, estão em execução desde 2025.
De acordo com a Sabesp, a assinatura dos demais lotes garantiu a contratação de todas as obras previstas para esta fase. Cotia terá a maior extensão de novas tubulações entre os municípios relacionados pela empresa: 107,5 quilômetros, acompanhados de 15 estações elevatórias. Osasco terá 76,8 quilômetros; Itapevi, 66,8 quilômetros; Carapicuíba, 34,3 quilômetros; Jandira, 31,5 quilômetros; Santana de Parnaíba, 25,8 quilômetros; Caieiras, 13,8 quilômetros; Franco da Rocha, 8 quilômetros; e Francisco Morato, 6,8 quilômetros.
Comunidade na zona leste recebe rede de esgoto depois de cinco décadas; obras fazem parte do projeto Foto: Divulgação/Sabesp O fim da poluição A ampliação da rede ocorre enquanto medições apontam melhora em partes da Bacia do Tietê. Conforme a Sabesp, houve redução de 46 toneladas por dia na carga de poluição transportada pelo rio nos últimos dois anos. A companhia afirma ter identificado melhora também em afluentes como Tamanduateí, Jacu, Aricanduva, Rio da Pedra, Ribeirão Perová, Ribeirão Três Pontes e Baquirivu-Guaçu.
Um levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) divulgado em setembro também registrou queda da carga de poluição no Tietê na Grande São Paulo. A carga média de matéria orgânica medida na saída da Região Metropolitana caiu de 210 toneladas por dia em 2025 para 154 toneladas por dia nos dois primeiros trimestres de 2026, redução de 26,7%. A expansão da coleta interfere nesse indicador, porque impede que parte do esgoto doméstico seja lançada nos córregos.
Depois de coletado, o material é conduzido às estações de tratamento. Os afluentes, nesse caso, deixam de carregar parte dessa matéria orgânica até os rios maiores. A Sabesp acompanha esse processo por meio de indicadores como o Carbono Orgânico Total (COT), usado para medir a presença de matéria orgânica na água e observar sua variação ao longo do tempo.
“O acompanhamento dos córregos é estratégico, porque eles representam a maior parte da rede hídrica da bacia, funcionando como capilares que alimentam o rio principal”, afirmou Guilherme Paixão, diretor de Gestão de Empreendimentos da Sabesp. ” Obras da Sabesp devem alcançar 52 cursos d’água A Sabesp calcula que a nova etapa terá impacto sobre 52 cursos d’água: 32 córregos, 16 ribeirões e quatro rios — Cotia, Juqueri, Sapiantã e São João. As respectivas bacias abrangem aproximadamente 190 bairros e localidades.
A companhia também registra melhora em pontos monitorados da Bacia do Pinheiros. Na comparação com 2024, a concentração de matéria orgânica teria diminuído em três dos quatro pontos acompanhados na calha do rio: 55% na Barragem de Pedreira, 29% na Ponte do Socorro e 26% na Usina São Paulo. Entre os afluentes monitorados, dois de cada três apresentaram melhora, segundo a empresa.
Em alguns deles, a redução superou 40%. Os efeitos das obras aparecem também em comunidades que passaram décadas sem rede de esgoto. Na Vila Progresso, em Itaquera, zona leste de São Paulo, cerca de 500 famílias começaram a receber infraestrutura de esgotamento sanitário.
O material que antes era despejado no córrego passou a ser encaminhado para a rede da Sabesp. “Há muito tempo sofremos com a falta de saneamento”, afirmou o líder comunitário Fábio Gonçalves. “As crianças e os idosos ficavam doentes, e o esgoto atraía ratos, baratas e insetos.
” A Sabesp atende 376 municípios paulistas. Dados corporativos atualizados pela companhia informam atendimento diário de 30,7 milhões de pessoas com abastecimento de água e de 27,8 milhões com coleta de esgoto. A empresa prevê aproximadamente R$ 70 bilhões em investimentos entre 2024 e 2029, período em que pretende atingir a universalização dos serviços em sua área de cobertura.
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