“Se Tudo É Burnout, Então Nada É”, Diz Pesquisadora Pioneira sobre o Tema
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Quando começou a ouvir relatos de esgotamento relacionados ao ambiente e à sobrecarga de trabalho, Christina Maslach não imaginava que o burnout , termo que ajudou a cunhar, se popularizaria a ponto de ser reconhecido no mundo todo e extrapolar o universo profissional. “O problema é que as pessoas usam a palavra para se referir a todo tipo de coisa: para dizer que estão entediadas ou que não tiveram uma boa ideia a semana toda”, diz Maslach à Forbes, durante passagem pelo Brasil.
” Professora de psicologia da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e pesquisadora pioneira sobre o tema desde a década de 1970, ela é a mente por trás da definição formal do conceito e da criação do MBI (Maslach Burnout Inventory) , ferramenta utilizada globalmente para medir o esgotamento profissional. Após mais de quatro décadas de estudos sobre o tema, em 2019, a OMS (Organização Mundial da Saúde) incluiu o burnout na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), definindo-o como “um estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso”. O que é o burnout No entanto, a pioneira nos estudos sobre o tema prefere afastá-lo de uma patologia.
Ela explica: “É basicamente uma resposta a estressores crônicos no ambiente de trabalho. E uma resposta ao estresse não é uma doença. Não é uma condição médica”, disse a pesquisadora durante evento promovido pela Heineken em São Paulo na terça-feira (15), na véspera do Mind Summit, onde palestra nesta quinta.
No início de suas pesquisas com profissionais de linha de frente, como policiais, enfermeiros e assistentes sociais, Maslach notou um padrão: pessoas outrora apaixonadas por suas carreiras tornavam-se exaustas, cínicas e distantes de seu propósito. A primeira vez que tentou publicar suas descobertas, há exatos 50 anos, foi rejeitada por periódicos acadêmicos que classificaram o achado como “psicologia pop”. Aconselhada a publicar em uma revista popular, escreveu um artigo em 1976 para a Human Behavior .
A reação dos leitores não demorou. “Isso foi antes da internet, e eu recebia sacos de cartas e telefonemas de pessoas dizendo: ‘Meu Deus, achei que eu fosse o único'”, relembra. O problema do burnout não é individual O termo se popularizou (até demais, na sua visão), mas a pesquisadora alerta para a forma como as lideranças ainda fogem da responsabilidade .
“A maioria dos líderes pensa em trazer terapeutas para tratar as pessoas. Mas pense em um risco físico: se você trabalha em uma altura perigosa de onde pode cair, a empresa não diz: ‘Se você cair, estaremos lá para te levar ao hospital’. ” A pesquisadora vai abordar o tema enquanto o Brasil enfrenta uma crise de saúde mental .
Nos últimos quatro anos, os afastamentos por burnout cresceram 823% em quatro anos, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Em um ambiente corporativo de pressão constante, em que “fazer mais com menos” virou quase uma regra, trabalhar no limite tornou-se rotina. “Em vez de dizerem ‘o que podemos tirar do seu prato para que você faça essa outra coisa’, dizem apenas: ‘faça mais’.
” O resultado é uma dependência de “soluções de autocuidado” que não resolvem a raiz do problema. “A maior parte das estratégias de enfrentamento que ensinam aos profissionais não funciona. Tirar férias, sair mais cedo, tirar um dia de folga para a saúde mental.
Essencialmente, estão dizendo para você não trabalhar. ” Hoje, seu desafio é mudar a forma como as pessoas enxergam o burnout e lidam com ele, individualmente e dentro das empresas. “Assim como nos Estados Unidos, quando as pessoas no Brasil ouvem essa palavra, imediatamente a associam a uma doença psicológica”, afirma.
“E a solução que encontram em 99,9% das vezes é: você tem que se consertar, cuidar de si mesmo. É focar em quem está passando pelo problema e falhar em perguntar o porquê. ” Como redesenhar o trabalho Em vez de focar apenas no indivíduo, a autora do livro “ The Burnout Challenge ” aponta que o esgotamento é resultado de falhas organizacionais em seis áreas principais: sobrecarga de trabalho, falta de controle, recompensas insuficientes, quebra do senso de comunidade, ausência de justiça e conflitos de valores.
Para executivos que medem os níveis de burnout de seus times em pesquisas anuais apenas para ver se o número cai no ano seguinte, Maslach deixa um alerta: “Eu desenvolvi a ferramenta [MBI] para pesquisa, não para diagnosticar uma doença como um termômetro mede a febre. Medir o burnout sem fazer nada a respeito não serve para nada”. A saída, segundo a pesquisadora, passa por um redesenho contínuo do ambiente de trabalho guiado por 3 Cs: 1.
Colaborar : “Você precisa trabalhar com as pessoas que fazem o trabalho para que elas tenham voz. O que está atrapalhando o trabalho importante? ” 2.
Customizar : “Não existe uma solução única que sirva para todos. Uma iniciativa que funciona em um hospital pode não funcionar em uma escola ou empresa de tecnologia. ” 3.
Comprometer-se: “Não é um workshop de um dia. É fazer até dar certo. Mudanças levam tempo e, como uma reforma em casa, às vezes piora antes de melhorar.
” A chave para liderar times saudáveis, conclui a pesquisadora, não é tentar implementar revoluções disruptivas e milionárias do dia para a noite, mas sim remover o que ela chama de “pedras no sapato”, ou os pequenos e constantes estressores crônicos. ” O post “Se Tudo É Burnout, Então Nada É”, Diz Pesquisadora Pioneira sobre o Tema apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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