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    Forbes Brasil·16 de set., 22:27

    Selic a 13,75% Marca o Fim do Ciclo? Veja o Que Dizem Especialistas

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. O corte da Selic para 13,75% ao ano já era esperado pelo mercado. Agora, a discussão é se o Banco Central encerrou o ciclo de redução dos juros ou se a perda de força da economia permitirá um novo movimento.

    A redução de 0,25 ponto percentual anunciada nesta quarta-feira (16) foi aprovada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Foi o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros. O cenário central do mercado é de encerramento do ciclo neste ano.

    O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (14) manteve em 13,75% a projeção para a Selic no fim de 2026. Como a taxa já chegou a esse patamar, a mediana das estimativas indica que não haverá novas reduções nas próximas reuniões. Para o fim de 2027, o mercado espera uma Selic de 12% ao ano.

    Entre os especialistas, porém, não há consenso. Enquanto parte concorda com uma interrupção dos cortes, outros ainda identificam espaço para uma taxa menor. Os próximos passos dependerão principalmente da inflação, do câmbio, da atividade econômica e do cenário externo.

    O que mudou no comunicado do Copom Para Rafael Pastorello, portfolio manager do Banco Sofisa, a decisão repetiu um movimento já antecipado pelos agentes econômicos. “Assim como na última reunião do Copom, a decisão de reduzir a taxa de juros já era amplamente esperada pelos agentes econômicos. O movimento foi novamente respaldado por indicadores que seguem apontando desaceleração da atividade econômica e por dados recentes mais favoráveis de inflação”, afirmou.

    Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, avalia que o comunicado manteve a estrutura e boa parte do diagnóstico apresentado em agosto. A principal mudança apareceu na avaliação da inflação corrente. No documento anterior, a inflação cheia ainda estava acima do limite superior do intervalo de tolerância.

    Agora, o Copom afirmou que tanto o índice cheio quanto a média das medidas subjacentes desaceleraram para um patamar abaixo desse limite, embora continuem acima do centro da meta. Na atividade, o Banco Central passou a localizar a moderação principalmente nos setores mais cíclicos. Em agosto, o comunicado mencionava sinais mistos entre os diferentes segmentos da economia.

    Kayo chama atenção para o fato de que as projeções do próprio Copom para 2026 e 2027 subiram na margem, apesar da melhora da inflação corrente. A estimativa para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, permaneceu em 3,2%. Para o economista, a combinação entre uma comunicação praticamente inalterada e projeções um pouco mais altas mostra que o Copom decidiu manter o ritmo do ciclo, sem reagir à deterioração marginal de suas estimativas.

    Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, também considera que o comunicado teve poucas alterações. Ela destaca a desaceleração dos setores cíclicos e a melhora da inflação subjacente. Victal identificou uma ligeira elevação na estimativa para os preços livres, possivelmente relacionada à inflação mais alta esperada para 2027.

    A economista também considera possível que o Banco Central tenha incorporado um impacto maior do El Niño sobre os preços dos alimentos. Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras de Valores (Ancord), afirma que o Copom reconheceu uma perda mais clara de força da economia, mas ficou mais cauteloso com o cenário à frente. No cenário de referência do Banco Central, a projeção para o IPCA de 2026 passou de 5,1% em agosto para 5,2% agora.

    A estimativa para 2027 ficou em 3,9%. “O Copom entregou o corte que o mercado esperava, mas não entregou um cheque em branco para os próximos cortes”, afirmou Spyer. ” Melhora da inflação pode ser temporária José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, também considera que o comunicado trouxe poucas mudanças.

    Para ele, o Copom reconheceu a desaceleração dos setores cíclicos, mas ressaltou que a economia continua resiliente. Camargo chama atenção, porém, para a origem da melhora recente da inflação. Segundo o economista, parte da desaceleração veio de fatores temporários, como a queda da inflação dos alimentos, e não necessariamente dos efeitos da política monetária.

    Esse alívio pode ser revertido nos próximos meses diante de um El Niño mais intenso. Camargo também cita como risco a manutenção do petróleo acima de US$ 100 por barril em razão da guerra no Oriente Médio. Para o economista, o fato de o Copom não ter destacado o caráter pontual de parte da desinflação indica uma postura mais branda do Banco Central.

    “Não mencionar o fato de que a desaceleração da taxa de inflação depende de fatores pontuais e não da política monetária sugere uma expectativa mais suave da política monetária”, afirmou. Quem ainda espera novos cortes A SulAmérica Investimentos manteve, em um primeiro momento, a projeção de Selic em 13,75% no encerramento de 2026, em linha com o Focus. Victal reconhece, porém, a possibilidade de uma taxa menor caso os próximos dados sejam favoráveis.

    A economista avalia que a sinalização do Copom continua dependente dos dados e que o comportamento do câmbio será determinante para a continuidade do ciclo. Kayo também considera que o Copom deixou a porta aberta para um novo corte. Segundo ele, a decisão dependerá dos indicadores divulgados até a próxima reunião.

    “A decisão final dependerá da evolução dos dados até lá”, afirmou. Para o economista, a leitura ainda é de continuidade, mas com cautela e sem uma trajetória previamente definida. Augusto Parente, especialista em investimentos e fundador da AW Capital, também acredita que o Banco Central preservou a possibilidade de novas reduções.

    Na avaliação de Parente, os comunicados de agosto e setembro foram semelhantes na análise dos riscos inflacionários. Desta vez, porém, o Copom reconheceu uma desaceleração mais forte da economia e não indicou claramente uma interrupção dos cortes. “O Banco Central deixou o futuro em aberto, sem entregar uma pausa nos cortes”, afirmou.

    Segundo o especialista, os próximos resultados do IPCA e do IBC-Br serão importantes para determinar quanto espaço ainda existe para a redução dos juros. Parente acredita que a comunicação pode levar o mercado a revisar suas estimativas. ” Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, também identifica espaço para novas reduções, mas ressalta que os próximos movimentos não estão assegurados.

    “O Copom deu continuidade ao processo de normalização dos juros, mas a Selic em 13,75% ainda caracteriza uma política monetária bastante restritiva”, afirmou. ” Gustavo Assis, CEO do Asset, tem avaliação semelhante. Para ele, o Brasil ainda não entrou em um ambiente de juros baixos, apesar da flexibilização iniciada pelo Banco Central.

    “A taxa continua elevada e o principal sinal desta reunião é justamente a combinação entre flexibilização e cautela”, disse. Assis vê possibilidade de novas reduções, mas afirma que elas dependerão da inflação, do câmbio e das expectativas do mercado. Quem aposta no fim do ciclo Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, apresenta a leitura mais conservadora e próxima da projeção central do Focus.

    Para ele, o corte anunciado nesta quarta-feira já estava contratado e o ciclo chegou ao fim ou está perto disso. “O corte estava contratado, e para mim ele é o de menos. O que importa é a mensagem, e o recado mais provável é que o ciclo chegou ao fim, ou muito perto disso”, afirmou.

    Trevisan cita três obstáculos para novas reduções: as expectativas de inflação ainda acima da meta, o aperto monetário no exterior e as incertezas fiscais relacionadas ao período eleitoral. Spyer não crava se a Selic atual será o piso. Na avaliação do conselheiro da Ancord, a desaceleração da atividade abre espaço para outra redução, mas inflação, petróleo, câmbio e política fiscal podem impedir a continuidade do ciclo.

    A ata da reunião e os próximos indicadores serão importantes para mostrar se os 13,75% representarão o fim da flexibilização ou apenas mais uma etapa do processo. Fed e petróleo aumentam a cautela O cenário externo aparece como um dos principais riscos para os próximos cortes. No mesmo dia da decisão do Copom, o Federal Reserve elevou os juros americanos para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.

    Juros mais altos nos Estados Unidos diminuem a diferença em relação às taxas brasileiras e podem aumentar a pressão sobre o real. Uma desvalorização persistente da moeda encarece produtos importados e insumos, com possíveis efeitos sobre a inflação. “Se o real sofrer pressão persistente, parte da desinflação pode ser comprometida pelo encarecimento de produtos importados e insumos, reduzindo a liberdade do Copom”, afirmou Araújo.

    Trevisan também ressalta que o Fed sinalizou a possibilidade de uma nova alta neste ano. ” Kayo afirma que o cenário externo continua marcado pelas incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e à política monetária das economias avançadas. Camargo e Parente acrescentam os riscos de novos choques nos preços do petróleo e de seus derivados.

    Quando o corte vira alívio para as empresas Para as empresas, a redução da Selic ainda não representa uma mudança imediata nas condições de crédito. Eduardo Palomine, sócio da EXM Partners, afirma que o corte já era amplamente esperado e que a principal dúvida está na velocidade de transmissão dos juros menores para a economia. Segundo Palomine, muitas companhias ainda enfrentam um cenário de juros elevados por mais tempo, com custo de capital alto e crédito restrito.

    Uma parcela relevante da geração de caixa também continua comprometida com o pagamento de dívidas. “A decisão de hoje é relevante, mas o que está em jogo agora é quando a redução da Selic poderá efetivamente ser considerada um alívio para as empresas — e quanto desse alívio poderá ser convertido em desalavancagem e investimento”, afirmou. Assis também avalia que os efeitos da queda dos juros chegarão primeiro ao mercado financeiro.

    Curvas de juros, emissões de dívida e ativos de maior duração costumam incorporar rapidamente as mudanças nas expectativas. “O efeito sobre consumo e investimento produtivo será mais lento e deverá aparecer ao longo dos próximos trimestres”, disse. O que muda para os investidores Apesar do corte, os especialistas avaliam que a renda fixa continua oferecendo retornos elevados.

    A redução gradual da Selic, porém, começa a alterar a relação entre risco e retorno dos investimentos. Araújo afirma que, à medida que o CDI recua, investidores passam a olhar com mais atenção para risco de crédito, prazo e ativos capazes de oferecer retornos adicionais. Esse movimento exige análise adequada e maior atenção à governança.

    Trevisan recomenda cautela. Para o executivo, boa parte dos ganhos provocados pela expectativa de redução dos juros já foi incorporada aos preços dos ativos. “A renda fixa pós-fixada continua pagando muito bem, mas o grande ganho do ciclo de cortes já ficou para trás”, afirmou.

    Até a próxima reunião, o mercado deverá acompanhar principalmente os dados de inflação e atividade, a política fiscal, o comportamento do câmbio e os desdobramentos do cenário externo. Esses fatores definirão se a Selic de 13,75% será mantida até dezembro, como prevê o Focus, ou se haverá espaço para uma nova redução. O post Selic a 13,75% Marca o Fim do Ciclo?

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