Selic: Eleição estressou a curva de juros, diz economista do Daycoval
O mercado financeiro acompanhou nesta quarta-feira a decisão do Copom sobre a taxa básica de juros , com expectativa de manutenção da Selic em 13,75% ao ano. Em entrevista, o economista do Banco Daycoval Julio Cesar Barros avaliou que o resultado das eleições provocou uma pressão significativa sobre a curva de juros e alterou o cenário projetado pela instituição. Juro alto é ruim para o banqueiro, diz CEO da Neon Compras de fim de ano: O que o seguro cobre em roubo ou furto do carro Anthropic escolhe pior momento do mercado para fazer maior IPO da história Segundo Barros, antes do início da semana, o banco ainda trabalhava com a expectativa de continuidade do ciclo de cortes de juros.
“Mesmo com o câmbio tendo ido a 5,40, quando a gente analisa esse câmbio na perspectiva do que entra no modelo do Banco Central, que considera a média dos últimos dias, as projeções de inflação fariam o Banco Central se distanciar um pouco da meta”, explicou. O economista destacou que, somado à desaceleração da atividade econômica e a dados do mercado de trabalho abaixo do esperado, o cenário ainda apontava para pelo menos mais um corte. Mudança de projeção Entretanto, após a divulgação do Boletim Focus com expectativas de inflação significativamente deterioradas, especialmente para os horizontes mais distantes de 2028 e 2029, o Banco Daycoval revisou sua posição.
“Nós alteramos a nossa expectativa e agora adotamos o cenário de pausa para a taxa Selic na reunião de hoje”, afirmou Barros. O economista apontou que a manutenção do governo atual, aliada à ausência de sinalizações claras sobre ajuste fiscal, contribuiu para estressar a curva de juros e elevar a taxa de câmbio, o que, por sua vez, pressionou as expectativas de inflação. “Me parece que a interpretação do mercado vai na direção de que é preciso ter algum ajuste fiscal, e na medida em que você não tem uma alteração no governo e as políticas recentes vão na direção de estímulos fiscais, há uma preocupação em relação a isso”, disse Barros.
O economista ressaltou que esse quadro torna o cenário mais adverso para que o Banco Central continue, neste momento, com o ciclo de cortes. Barros elencou ainda outros fatores de risco que pesam sobre as projeções de inflação. O conflito externo envolvendo os Estados Unidos e o Irã mantém os preços do petróleo em patamar elevado, gerando desconforto adicional.
Lucinda Pinto: Mercado vê fim do corte de juros e discute possível alta da Selic Além disso, o fenômeno El Niño contribui para projeções mais elevadas nos preços de alimentos, tanto no final deste ano quanto no início do próximo. O economista alertou ainda que, após o El Niño, normalmente sobrevém o La Niña, o que pode continuar pressionando os preços de alimentos ao longo do próximo ano. Diante desse conjunto de riscos, a expectativa do Banco Daycoval é de que o Banco Central adote uma postura mais cautelosa, pausando o ciclo de cortes e possivelmente retomando as reduções mais à frente, caso haja descompressão dos riscos e algum encaminhamento da questão fiscal.
“Com isso, poder ter taxa de juros um pouco mais baixa no próximo ano”, concluiu Barros. Juros altos preocupam 69% dos brasileiros com aumento do custo de vida Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas.
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