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    Forbes Brasil·29 de set., 08:00

    Selic Preocupa, Mas Parcelamento e Mounjaro Animam a Espaçolaser (ESPA3)

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Por 13 trimestres consecutivos, a Espaçolaser (ESPA3) melhorou a última linha do seu balanço, em um movimento de turnaround capitaneado pela atual CEO, Magali Leite, que anteriormente ocupava a cadeira de CFO da companhia. Neste ano, a companhia teve o primeiro solavanco após os 39 meses de melhora no seu bottom line, mas a gestão ainda enxerga um cenário operacionalmente positivo após alguns meses de período tempestuoso.

    Entre abril e junho, a Espaçolaser anotou prejuízo líquido ‌ajustado de R$ 134 mil, ante ‌um lucro de R$8,8 milhões no mesmo período de 2025. As vendas brutas da rede foram de R$ 384,9 milhões, crescimento de 0,1% ‌no comparativo de base anual, e a receita líquida ajustada somou R$ 257,5 milhões, queda de 3,5%. Em entrevista à Forbes, a CEO da Espaçolaser conta que a gestão tem feito ajustes e ponderações para lidar com um 2026 que se mostrou ainda mais difícil do que o ano anterior em se tratando de cenário macroeconômico.

    Segundo a executiva, embora as vendas tenham “andado de lado”, as correções de rota devem garantir “que esse cliente volte no futuro”. Ao usar as “alavancas certas”, o corpo executivo mira seguir ganhando escala e melhorando o “micro”, a despeito de um “macro” que tem sido um detrator da empresa — assim como de outras companhias de outros setores que sofrem com juros mais elevados e perda do poder de compra da população. Segundo Magali Leite , as melhoras fizeram a empresa elevar substancialmente seu Net Promoter Score (NPS), indicador que mensura fidelidade e satisfação dos clientes.

    “O ambiente macro está mais desafiador do que no ano passado, com o patamar de endividamento das famílias. A taxa de inadimplência está mais alta, de maneira geral, no varejo. A gente trabalha principalmente para neutralizar esse tipo de coisa e para ter um negócio mais resiliente”, diz a executiva.

    “Para além dessas questões, de cuidar bem da estrutura de capital e conseguir traduzir isso no resultado do negócio com as alavancas corretas, para ter a melhor repercussão possível dentro do que a gente consegue controlar, a gente fez um trabalho em que nosso NPS foi a 89 agora. Eu não conheço ninguém que esteja com um NPS desse tamanho. A gente ainda tem muita melhoria na jornada do cliente para fazer, mas melhoramos três pontos percentuais no último trimestre de NPS”, completa.

    A companhia encerrou o mês de junho deste ano com R$ 526 milhões de dívida líquida, uma redução de R$ 21,1 milhões, seguindo a estratégia de desalavancagem. Com isso, a dívida representa 1,88 vez o Ebitda da empresa. Com a Selic a 13,75%, a empresa segue tendo que manter uma postura espartana na alocação de capital — fator que faz com que receba mais pressão do mercado do que empresas que possuem um balanço ainda mais desalavancado.

    ” Para além dos juros altos, as ações da Espaçolaser foram pressionadas, nos últimos meses, pela saída de um dos principais acionistas. 557 ações , que por sua vez eram equivalentes a cerca de 17% do capital social da empresa. A operação movimentou R$ 38,7 milhões, considerando que os papéis ESPA3 foram alienados a um preço de R$ 6,30 por unidade no âmbito da oferta pública de distribuição ⁠secundária.

    Conforme os dados públicos, Ygor Moura e Paulo Morais, os sócios-fundadores, seguem como bloco controlador, com fatias de 16,4% e 10% no capital social da empresa, respectivamente. Outros acionistas incluem Una Capital (13%) e SMZXP Participações (2,5%) — veículo de investimentos que inclui José Carlos Semenzato e Xuxa Meneghel. O bloco “Outros”, que inclui o free float, é de 56%.

    Em agosto, o então Diretor Financeiro (CFO) e de RI da empresa, Fabio Itikawa, decidiu renunciar ao cargo . Magali Leite acumula o cargo de forma interina até que um novo executivo assuma o posto. Empresa calibra descontos e frequência de pagamentos Na esteira das melhorias operacionais, a Espaçolaser tem concedido vantagens para o bom pagador como forma de aumentar fidelidade dos clientes e, em simultâneo, melhorar o fluxo de caixa e a saúde financeira.

    A empresa tem adotado o que chama de CDP (“o cliente decide o pagamento”), que incentiva o cliente a pagar em menos parcelas e por meios como cartão de crédito tradicional ou Pix, em vez do parcelamento longo tradicional. Até o 3º trimestre, 480 das 811 lojas no Brasil já haviam migrado, e a empresa também fechou uma parceria com o Nupay para ampliar o crédito oferecido a clientes que já têm cartão Nubank — cerca de 60% da base. Segundo a CEO, isso tem sido bom porque melhora a qualidade do recebível e acelera o fluxo de caixa da empresa (as primeiras lojas convertidas já reduziram o recorrente para 50%), reduz a inadimplência num cenário de juros altos, e ainda diminui o churn, já que o cliente sai satisfeito com mais desconto por pagar mais rápido.

    “Ele [cliente] tem mais desconto se ele pagar em menos parcelas, mas nunca mais além do que eu já daria normalmente. Só que antigamente eu dava para todo mundo o mesmo desconto, e agora eu dou mais desconto para quem paga mais rápido, numa equação, obviamente, que para mim vale muito mais a pena, o meu retorno é muito melhor”, conta Leite. A empresa também tem reajustado seus preços para acompanhar a inflação.

    O ticket médio cresceu, no trimestre, cerca de 4,5%. Boom do Ozempic e Mounjaro aumentam gastos com estética O boom das canetas análogas de GLP-1 geraram um efeito colateral positivo para a empresa, segundo a gestão. É algo mais anedótico e difícil de mensurar nos números da empresa, mas a gestão enxerga que um aumento no número de pessoas que priorizam o emagrecimento aumenta seu mercado endereçável — afinal, são pessoas que estão se preocupando com estética , e podem consumir outros produtos e serviços.

    “As pessoas vão mais para a academia, as pessoas arrumam mais o seu cabelo, fazem mais procedimentos estéticos, e a depilação a laser é um elemento importante dentro dessas opções”, diz a CEO. ” Um levantamento da Close-Up International Brasil mostra que Mounjaro, Wegovy e Ozempic movimentaram juntos R$ 13,3 bilhões entre maio de 2025 e maio de 2026. Dados da Panorama Setorial Fitness Brasil apontam que o país deve ultrapassar 70 mil academias no ano que vem.

    Raio-X da Espaçolaser no momento atual Atualmente o valor de mercado da Espaçolaser é de R$ 253 milhões, segundo dados do Status Invest. As ações são negociadas a cerca de R$ 7 na bolsa de valores atualmente, em queda de 30% neste ano. A Espaçolaser encerrou o segundo trimestre de 2026 com 861 lojas, sendo 811 no Brasil — 562 próprias e 249 franquias — e 50 unidades no exterior.

    461. A companhia também registrou NPS de 89 pontos e vem ampliando a participação de homens na base de clientes, que chegou a 13,6%. No primeiro semestre, a Espaçolaser gerou R$ 128,5 milhões em caixa operacional ajustado, alta de 17,2% em um ano.

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