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    InvestNews·15 de set., 20:57

    Simples puro ou híbrido? 5 ferramentas para estimar o peso da escolha na sua empresa – incluindo tributos

    A reforma tributária se torna cada vez mais realidade e, para as pequenas empresas, uma das principais dúvidas é bem prática: como e quanto os novos impostos criados vão pesar sobre os custos do negócio? A resposta não é igual para todos, é claro. O impacto da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) depende de fatores como atividade do negócio, tamanho do faturamento, perfil dos clientes e fornecedores – e o regime tributário da empresa.

    Daqui a 15 dias, termina o prazo para quem está no Simples Nacional escolher se vai permanecer nesse modelo ou se vai migrar para o “Simples híbrido” no primeiro semestre de 2027. Essa não é uma decisão simples, justamente porque vai definir a resposta da pergunta lá de cima dessa reportagem: como os novos impostos vão afetar o caixa desses negócios. Leia também Negócios Já decidiu entre ficar no Simples ou migrar para regime híbrido?

    Prazo termina neste mês Naturalmente, os empreendedores não precisam fazer essa escolha sozinhos: podem (e devem) contar com a ajuda do contador para avaliar os prós e contras de cada alternativa. Mas, como os impactos não são só fiscais, influenciando até a competitividade das empresas, não dá para fechar os olhos e deixar tudo com a contabilidade. A boa notícia é que entidades, empresas e o próprio governo criaram ferramentas gratuitas para ajudar você a fazer as contas e decidir.

    Cada uma tem um objetivo, mas todas ajudam, de alguma maneira, a simular os custos que as empresas terão com a implementação de IBS e CBS. O Descomplica PJ testou cinco delas – e você descobre os resultados abaixo: Simples tradicional, regime híbrido – ou nada disso? Voltado para pequenos negócios tanto do comércio, da indústria quanto de serviços, o simulador do Sebrae permite comparar três opções: permanecer 100% no Simples Nacional ; migrar para o regime híbrido, que a ferramenta chama de “Simples Misto”; ou escolher outro modelo tributário, como Lucro Presumido ou Lucro Real, em uma “Migração Total”.

    Recapitulando: para quem fica no Simples tradicional, todos os impostos continuam concentrados em uma guia única, o DAS. Já no regime híbrido, a empresa passa a recolher IBS e CBS separadamente, mas permanece pagando os demais tributos na DAS. Os outros modelos têm dinâmicas próprias (e mais complexas) de apuração de impostos.

    Leia também Negócios Sua empresa está no Simples? Você tem uma decisão importante para tomar em setembro Para fazer a simulação, você precisa informar dados sobre como CNAE, que é o código de atividades da empresa, faturamento e perfil das vendas. A partir dessas informações, a ferramenta estima a alíquota efetiva e o imposto anual em cada um dos três cenários.

    Dá para alterar os dados da simulação para testar outros cenários. Então, é assim: para o Simples 100%, a ferramenta mostra o valor estimado da guia única e quanto dele corresponde ao IBS e à CBS embutidos. No Simples Misto ou híbrido, ela separa o valor do DAS e o valor dos novos impostos, recolhidos separadamente.

    Na Migração Total, o que você recebe é a estimativa da tributação pelo novo regime, sendo que IRPJ, CSLL e contribuição previdenciária são calculados separadamente. A ferramenta também calcula o crédito tributário que pode ser repassado ao cliente pessoa jurídica, nas chamadas operações B2B. Mostra ainda, os pontos positivos e os que demandam atenção em cada alternativa para além dos impostos – do tipo, qual opção é mais ou menos complexa, qual pode gerar mais ou menos créditos, e por aí vai.

    A simulação termina com um veredito da alternativa mais favorável, indicada como “recomendada”. Foco no mix de clientes e fornecedores O Simulador de Impactos IBS/CBS ajuda analisar os efeitos dos novos impostos sobre a cadeia de valor das empresas. Assim como a ferramenta do Sebrae, essa da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) também faz as estimativas para três cenários: Simples Nacional, Regime Geral (que abrange o Lucro Presumido e o Lucro Real) e o Simples Nacional com IBS e CBS fora do DAS (regime híbrido).

    Só que esse simulador tem algumas diferenças. A primeira é que se destina exclusivamente para empresas do setor industrial de diferentes segmentos. A segunda é que a simulação sempre parte de um produto hipotético que custa R$ 100 para mostrar como o preço final se comportaria em cada cenário.

    Leia também Negócios Em dúvida com novos prazos da reforma tributária? Veja o que mudou e o que não pode esperar nos impostos Outro ponto importante é que, além dos dados básicos de atividade e faturamento da empresa, a ferramenta também considera o perfil dos fornecedores, dos clientes e das operações da empresa. Afinal, tudo isso faz diferença para avaliar o aproveitamento de créditos tributários, a formação de preços e a competitividade do negócio.

    Sobre os fornecedores, por exemplo. No simulador, você precisa informar – mesmo que seja só uma estimativa – quanto dos seus insumos vêm de fornecedores que são empresas do Simples Nacional e quanto vem de empresas do Regime Geral. O mesmo vale para os clientes: o simulador questiona que parcela das vendas vai para clientes que podem aproveitar créditos e quanto é vendido para clientes que não têm essa possibilidade.

    A partir dessas informações, o simulador mostra como a combinação entre fornecedores e clientes afetaria os créditos de IBS e CBS, o preço líquido e a competitividade do produto. A ferramenta foi testada em um projeto-piloto com a participação de cerca de 20 empresas. Ao final, apresenta uma avaliação dos resultados nos três diferentes cenários.

    Impostos de uma venda específica A Receita Federal também tem uma calculadora para simular a tributação de operações com bens e serviços. A proposta, porém, é diferente das ferramentas do Sebrae e da Fiesp. Em vez de projetar quanto uma empresa pagaria ao longo da transição, o sistema parte de uma venda específica e calcula como os novos tributos incidiriam nela.

    Para fazer o cálculo, você precisa informar os dados da operação que estiver simulando: o valor, o local da venda, a data, a NCM (código de oito dígitos para identificar produtos físicos e mercadorias) ou a NBS (código de nove dígitos para identificar serviços) e a classificação tributária. A partir dessas informações, o sistema calcula os valores de IBS, CBS e também do Imposto Seletivo, aquele tributo que vai incidir em produtos e atividades que prejudicam a saúde ou o meio ambiente. A ferramenta também identifica automaticamente a alíquota aplicável e eventuais reduções previstas na legislação, quando houver.

    Leia também Negócios Como evitar erros que podem colocar sua empresa na mira dos cruzamentos de dados da Receita Negócios Reforma vai ampliar uso de crédito tributário; veja como preparar sua empresa O diferencial está no nível de detalhamento do resultado. Além da alíquota e de eventuais reduções, a calculadora apresenta a fundamentação legal e a memória de cálculo, além de validar a compatibilidade do NCM ou da NBS informado com a operação. E também considera os créditos da etapa anterior da cadeia.

    Para os empreendedores do Simples Nacional, um ponto de atenção: embora já conte com um módulo específico para esse regime, a versão da ferramenta disponível atualmente (setembro de 2026) informa que os cálculos completos só serão possíveis a partir de janeiro de 2027. Isso está alinhado ao cronograma da reforma tributária, que prevê a aplicação das regras de IBS e CBS no Simples a partir do ano que vem. Na prática, é uma ferramenta mais técnica do que os simuladores voltados diretamente ao pequeno empresário, que indicam qual regime é o mais vantajoso para cada empresa.

    A calculadora da Receita serve principalmente para entender como IBS, CBS e Imposto Seletivo são calculados em uma determinada operação e quais parâmetros fiscais levaram ao resultado. Outras ferramentas: tecnologia e contabilidade Além de entidades e do governo federal, empresas de tecnologia e contabilidade também desenvolveram ferramentas voltadas à adaptação da reforma tributária. O simulador da Omie faz comparações parecidas com as outras ferramentas, mas também permite observar como mudanças no faturamento, nas despesas, nos créditos e nas alíquotas podem alterar o impacto da reforma sobre o negócio durante a transição para o novo modelo, que vai até 2033.

    Um dos parâmetros que podem ser configurados são as alíquotas dos novos tributos. O simulador apresenta separadamente a CBS, de competência federal, com 9,3%, e o IBS, de competência estadual e municipal, com 18,7%. Juntos, os dois somam 28%, uma referência para a simulação.

    Como a alíquota definitiva ainda não está fechada, os valores podem ser alterados pelo usuário para testar outros cenários. A ferramenta também permite detalhar as despesas mensais da empresa em diferentes categorias, como matéria-prima ou mercadorias, energia elétrica, aluguel, tecnologia, limpeza, telefonia, manutenção, consultoria e frete. A partir dessas informações, o simulador compara os créditos tributários no modelo atual com os créditos que poderiam ser aproveitados no novo sistema.

    Já a Calculadora da Reforma Tributária da Contabilizei permite comparar o regime tributário atual da empresa com outros, mas numa perspectiva de impacto financeiro mais ampla. Ela mostra quanto a empresa pagaria em tributos, o percentual da receita destinado aos impostos, quanto sobraria depois da tributação e quanto seria necessário cobrar do cliente em cada cenário. Um detalhe: além dos dados para a simulação, você também precisa informar nome completo, e-mail e telefone.

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