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    Simples: regime híbrido vale a pena para microindústria? Veja a simulação de custos
    InvestNews·22 de set., 16:06

    Simples: regime híbrido vale a pena para microindústria? Veja a simulação de custos

    Na hora de o pequeno empreendedor do Simples Nacional escolher entre permanecer no modelo tradicional ou migrar para o novo regime híbrido, o tamanho da empresa importa? Faltam apenas oito dias para terminar o prazo de tomar essa decisão – tá lembrado? Quem ficar no regime “puro” continuará concentrando todos os impostos na guia única, o DAS.

    Já quem for para o híbrido passará a recolher IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) separadamente. Não é uma escolha trivial, a gente sabe. Por isso, o Descomplica PJ está publicando uma série de reportagens com casos concretos para mostrar quanto custa ficar em cada regime.

    As simulações foram feitas com auxílio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que lançou uma ferramenta para estimar o impacto dos novos impostos no preço final de um produto. Leia também Negócios Simples puro ou híbrido? 5 ferramentas para estimar o peso da escolha na sua empresa – incluindo tributos Na primeira reportagem, que você pode reler aqui , retratamos o caso de uma pequena indústria: um fabricante de acessórios e calçados de couro (enquadrada no Anexo II do Simples) com faturamento anual de R$ 2 milhões.

    Nesse caso, o preço final de venda no regime híbrido ficaria 5,2% mais caro do que no Simples tradicional, mas o custo efetivo para o cliente seria 2,3% menor (por causa dos créditos). Mas e se estivéssemos falando de uma empresa ainda menor , com um faturamento de R$ 360 mil por ano? O resultado seria diferente para uma microindústria de couro?

    A resposta é sim, o resultado mudaria – e as vantagens do regime híbrido ficariam mais apertadas. O preço final de venda seria 6,5% maior no regime híbrido . E o custo efetivo para o cliente, se ele também for uma empresa (B2B), ficaria só 1,6% menor .

    Agora, vem entender como essa conta toda foi feita. Leia também Negócios Pequena indústria que fatura milhões: veja a diferença de custo do Simples normal para o regime híbrido Micro-indústria, R$ 360 mil por ano Para quem está no Simples, a migração para o regime híbrido traz complexidade para a operação (porque os novos impostos são recolhidos em guias separadas) e uma carga tributária maior (porque as alíquotas de IBS e CBS são mais altas). A grande vantagem é que o empreendedor pode gerar créditos de IBS e CBS para os seus clientes que também são empresas e aproveitar, ele mesmo, os créditos dos insumos que comprou para sua produção.

    Só que, para fazer a conta – e descobrir se os prós compensam os contras –, você precisa levar em consideração não só o setor de atividade e o faturamento da empresa como também o mix de custos de produção, o perfil dos fornecedores e o tipo de cliente para quem ela vende. Então, vamos à simulação. Ela parte de um produto hipotético com preço de custo de R$ 100 para mostrar como o preço final se comportaria no Simples puro e no Simples híbrido .

    A estimativa vale para 2027, quando apenas a CBS será cobrada integralmente – os cálculos consideraram a referência de 9,21%. No ano que vem, o IBS ainda estará em fase de teste, com alíquota simbólica de 0,1%. Agora, os custos.

    Se a empresa compra muitos insumos que geram créditos de CBS, ela é beneficiada. E aqui aparece a primeira diferença da nossa microindústria para a pequena empresa da primeira simulação. Com base no setor de atividade e no faturamento, a ferramenta da Fiesp sugere automaticamente um valor para os custos, a partir de uma base de dados real do IBGE.

    Nessa simulação, para um faturamento de R$ 360 mil, o sistema considerou que as despesas tributadas pela CBS correspondem a 29% da receita da empresa – porque, na média, essa é a realidade dos pequenos negócios brasileiros desse setor e desse tamanho. Na simulação anterior, para um faturamento de R$ 2 milhões, a referência era de 40%. Também entrou no cálculo o perfil da cadeia de fornecedores da empresa.

    Se eles estão no Simples tradicional, não geram quase nada de crédito. Se forem do regime geral – Lucro Presumido, Real ou Simples híbrido –, geram crédito integral. A simulação partiu de 50% de fornecedores no Simples tradicional e 50% no regime geral.

    Por fim, a simulação considerou ainda que todos os clientes da micro-indústria são empresas do regime geral (Lucro Presumido, Real ou Simples híbrido). Resultado: vantagens menores no regime híbrido Voilà. Para uma empresa menor, e considerando os parâmetros adotados na simulação, a diferença do preço final entre o Simples tradicional e o regime híbrido é maior – mas a diferença de custo líquido para o cliente é menor.

    Na prática, as vantagens da migração são menos evidentes. Confira os cálculos item por item: Dois aspectos ajudam a explicar esse resultado. O primeiro são os custos que geram créditos de CBS.

    Entram aí matéria-prima, mercadorias para revenda, aluguel, contas de gás, água, energia e telecom, frete, licenças de softwares e serviços terceirizados, entre outros. Quanto mais custos uma empresa tem, mais créditos de CBS ela pode aproveitar e descontar do preço final de venda. Mas indústrias com o porte considerado nessa simulação costumam ter menos despesas desse tipo na comparação com empresas maiores , segundo a Fiesp.

    Por isso, no Simples híbrido , a microindústria receberia créditos de R$ 1,64 dos seus fornecedores, considerando os R$ 100 de preço de custo. Depois desse crédito, o preço base da operação cairia para R$ 98,36. A CBS devida nessa venda ficaria em R$ 9,06 e esse também seria o valor do crédito que seu cliente poderia recuperar.

    Leia também Negócios Empresas no Simples Nacional terão que pagar IBS e CBS. Entenda o que muda para o seu negócio Agora, a segunda diferença . No Simples tradicional, empresas menores pagam uma alíquota de imposto também menor.

    Para um faturamento de R$ 360 mil por ano, no Anexo II, a alíquota bruta é de 7,8% – bem menor do que a de 14,7% da primeira simulação, com faturamento de R$ 2 milhões por ano. Por isso, se a microindústria permanecer no Simples tradicional, a CBS devida numa operação como essa também seria bem menor – de apenas R$ 0,86. E isso acabaria encarecendo menos o preço de venda.

    Conclusão: o preço final de venda chegaria a R$ 107,42 no Simples híbrido – o que é 6,5% mais do que o preço de venda de R$ 100,86 no Simples tradicional. Porém, como a empresa geraria R$ 9,06 de crédito, o custo líquido para seu cliente seria de R$ 98,36 , uma diferença de 1,6% para o custo final de R$ 100 do Simples tradicional. Aqui o ponto é considerar se a mudança vale ou não a pena.

    Para os pequenos empreendedores, Charles Gularte, sócio-diretor da Contabilizei, recomenda substituir as premissas do simulador pelos dados reais da empresa. Por exemplo: embora a ferramenta sugira um certo volume de custos tributados pela CBS, essa pode não ser a realidade do seu negócio – e você pode alterar as premissas para chegar a um resultado mais fiel. O primeiro passo é levantar quanto das vendas vai para empresas do regime geral, consumidores finais, MEIs (microempreendedores individuais) e empresas do Simples.

    Também é preciso verificar a composição dos fornecedores, quais compras e despesas podem gerar crédito e qual é a margem da operação. A estrutura necessária para o modelo híbrido também entra na avaliação, incluindo sistemas, emissão de notas, apuração de IBS e CBS separadamente do DAS e impacto no caixa. Gularte também recomenda buscar apoio de contabilidade consultiva e conversar com os principais clientes e fornecedores.

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