Soja, café e açúcar: cotações caem com vitória de Lula e pressão sobre o real
Os contratos futuros de soja caíram ao menor nível em dois meses em Chicago, enquanto café e açúcar recuaram com força após a vitória inesperada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição brasileira pressionar a moeda do país e melhorar as perspectivas de exportação da potência global de commodities. Lula conquistou um quarto mandato, derrotando Flávio Bolsonaro em uma reviravolta política que frustra investidores que apoiavam seu adversário na expectativa de que ele reduzisse o déficit público do país. Os mercados brasileiros se preparam para uma forte queda quando as negociações locais começarem.
Um contrato de derivativos cambiais do CME Group indica o dólar a R$ 5,60, o que representaria uma desvalorização de 12% do real em relação ao fechamento de sexta-feira. As negociações do real começam às 9h, no horário de Brasília. Leia também Investimentos B3 aumenta limite de queda para contratos futuros de Ibovespa, de dólar e DI com perspectiva de alta volatilidade Investimentos Vitória de Lula surpreende mercado e pressiona títulos brasileiros no exterior Um real mais fraco aumenta a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros, incentivando as exportações, já que os produtores recebem mais moeda local por suas safras.
Como o Brasil é o maior exportador mundial de açúcar, café e soja, esse movimento pressiona os preços internacionais para baixo. O contrato de soja com maior volume de negociação na Bolsa de Chicago (CBOT) caiu até 1,7%, atingindo o menor nível desde o fim de agosto. A ênfase de Lula em manter uma relação pragmática com a China pode consolidar ainda mais a posição dominante do Brasil como principal fornecedor de soja ao país asiático e reduzir a participação dos Estados Unidos no maior mercado importador de soja do mundo.
O Brasil vem ampliando sua fatia do mercado chinês e respondeu por quase 80% das importações de soja da China nos primeiros nove meses do ano, apesar do acordo comercial de Pequim com os Estados Unidos, segundo maior fornecedor. , uma das maiores tradings agrícolas do mundo. “Lula é favorável às exportações de soja para a China.
Portanto, isso pressiona os preços da soja americana para baixo se o Brasil conseguir atender a uma parcela maior da demanda chinesa”, afirmou Joe Davis, diretor de vendas de commodities da Futures International LLC. A queda também atingiu os óleos vegetais. Os contratos futuros de óleo de soja recuaram até 1,2% em Chicago, enquanto o óleo de palma caiu até 1,1% em Kuala Lumpur, interrompendo uma sequência de dois dias de alta.
O óleo de palma costuma acompanhar os movimentos do óleo de soja porque ambos competem em muitos dos mesmos mercados de alimentos e biocombustíveis. Os estoques elevados na Malásia também pressionaram o mercado, apesar da melhora na demanda por exportações, segundo Tasvinderjit Singh, diretor e chefe de contratos futuros da CGS International Futures Malaysia. Os contratos futuros de açúcar e café também caíram na abertura dos negócios nesta segunda-feira.
O contrato de açúcar com maior volume de negociação recuou até 3,6%, a maior queda em mais de um mês, enquanto o café arábica caiu até 3,3%. O café robusta atingiu o menor nível em dois anos. O movimento é uma “simples reação técnica” à expectativa de desvalorização da moeda brasileira, segundo Arnaud Lorioz, CEO da corretora Deepcore, sediada em Paris.
” A reeleição de Lula também coloca em questão a relação do Brasil com os Estados Unidos, diante das diferenças ideológicas entre o presidente brasileiro e Donald Trump. Em julho, o presidente americano impôs uma tarifa de 25% ao Brasil, mas Trump também elogiou a inteligência de Lula e o classificou como um “bom homem”. A forma como a relação entre os dois líderes evoluir poderá ter efeitos de longo prazo nos mercados agrícolas, afirmou Carlos Mera, chefe de pesquisa de commodities agrícolas do Rabobank.
“Os Estados Unidos podem impor uma série de medidas contra países que consideram inimigos”, acrescentou. ]]>
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