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    Sucessão na dona da Fórmula 1: Liberty Media acaba com ações que davam mais poder de voto ao seu fundador
    InvestNews·05 de nov., 16:27

    Sucessão na dona da Fórmula 1: Liberty Media acaba com ações que davam mais poder de voto ao seu fundador

    A Liberty Media, empresa americana que controla a Fórmula 1 e o campeonato de motovelocidade MotoGP, vai acabar com uma classe de ações que concede a John Malone, fundador e ainda hoje um de seus principais acionistas, influência muito maior nas decisões da companhia do que sua participação financeira representava. Com a mudança, o poder de voto do bilionário cairá de 48% para cerca de 3% . A operação foi anunciada nesta quinta-feira (5), a pedido de Malone, de 85 anos, e tem como objetivo simplificar a estrutura de capital da empresa e facilitar o planejamento da sucessão patrimonial do investidor.

    Ele deixará o cargo de presidente emérito do conselho, mas continuará ligado à companhia como consultor sênior. Leia também Negócios Fórmula 1: como uma ‘reforma fiscal’ transformou a categoria em mina de ouro Negócios Título de Antonelli na F1 dá alívio a Jim Ratcliffe após tropeços no esporte A Liberty Media tinha três tipos de ações, com direitos diferentes. As ações da classe A davam direito a um voto cada; as da classe B, a dez votos; e as da classe C não tinham direito a voto.

    Esse modelo permitia que Malone concentrasse grande influência nas decisões da empresa sem precisar ter a maioria do capital. Pelo novo acordo, a Liberty vai recomprar todas as ações da classe B de Malone e de fundos e entidades ligados a ele. Em troca, cada ação da classe B será convertida em 0,26 ação da classe A e 2,34 ações da classe C.

    Com isso, o investidor deixará de concentrar os votos que tinha por meio dessa estrutura. Nenhum acionista da empresa terá mais de 9% do poder de voto após a operação. Segundo a companhia, a decisão também veio depois que a empresa recebeu propostas não solicitadas de terceiros interessados em comprar as ações da classe B.

    Um comitê independente foi criado para avaliar a operação. A mudança impede que o poder de voto concentrado por Malone seja transferido a outro investidor e aproxima sua influência nas decisões da participação financeira que ele efetivamente possui na empresa. “Continuo tendo grande confiança na equipe de gestão da Liberty Media e dou total apoio à sua estratégia”, afirmou Malone, em comunicado.

    Segundo ele, a operação permite aumentar sua participação econômica na companhia e distribuir o poder de voto de forma mais ampla entre os demais acionistas. A mudança também pode tornar a Liberty Media mais atraente para uma eventual venda. As ações da empresa subiram cerca de 7,5% nas negociações antes da abertura do mercado em Nova York nesta quinta-feira.

    Reorganização dos negócios A mudança faz parte de um processo mais amplo de reorganização dos negócios de Malone, um dos nomes mais conhecidos dos setores de televisão por assinatura e mídia nos Estados Unidos. Ao longo das últimas décadas, o bilionário construiu participações em empresas de diferentes segmentos. Mais recentemente, participou da incorporação da Liberty Broadband pela Charter Communications e apoiou a venda da Warner Bros.

    Discovery para a Skydance. Ele também desfez estruturas de ações vinculadas ao desempenho de empresas como Sirius XM e Live Nation e separou o time de beisebol Atlanta Braves da Liberty Media. Malone criou a Liberty Media em 1991, a partir de uma separação de sua antiga empresa, a Tele-Communications Inc.

    Em janeiro deste ano, deixou a presidência do conselho e passou a ocupar o cargo de presidente emérito. Segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, sua fortuna é estimada em US$ 11,3 bilhões. Menos de US$ 500 milhões desse patrimônio estão ligados à Liberty Media.

    A maior parte está concentrada em imóveis e recursos acumulados com a venda de participações em empresas de mídia e telecomunicações. ]]>

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