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    Sul da Flórida Vive Guerra de Arranha-céus, e o Novo Luxo São Prédios Menores
    Forbes Brasil·23 de out., 20:16

    Sul da Flórida Vive Guerra de Arranha-céus, e o Novo Luxo São Prédios Menores

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. O sul da Flórida sempre teve dificuldades para definir sua própria identidade. Quando cheguei à região pela primeira vez, no início dos anos 1990, grandes áreas ainda eram fortemente associadas a Jimmy Buffett e à série de televisão Miami Vice .

    Naquela ocasião, fiquei apenas cinco anos. Mas, sempre que tive a oportunidade de voltar, pouca coisa havia mudado — e essa era uma das características de que eu mais gostava: o progresso parecia um elemento secundário do estilo de vida, e não o contrário. Ainda assim, a história do sul da Flórida também foi marcada por um ciclo incessante de booms imobiliários que transformaram outras partes da região aparentemente da noite para o dia.

    Historicamente, essa alternância brusca entre expansão e retração criou desafios particulares para os incorporadores imobiliários. Cidades e bairros têm características muito próprias. Os compradores chegam com prioridades bastante distintas.

    E os negócios acontecem rapidamente. Acertar o momento do ciclo imobiliário também é fundamental. Os melhores incorporadores sabem como entrar e sair de um projeto rapidamente porque aprenderam, da maneira mais difícil, a evitar a fase de desaceleração que sucede um boom.

    Os novatos e os investidores de fora da região são os mais fáceis de identificar: acabam nas capas da revista The Real Deal pelos motivos errados. Não surpreende, portanto, que a diferença entre os empreendimentos imobiliários anunciados no sul da Flórida e aqueles que efetivamente saem do papel — sobretudo no segmento de altíssimo luxo — diga muito não apenas sobre quais empresas sabem executar seus projetos, mas também sobre os rumos do mercado. Quando incorporadoras com bons históricos de execução começam a atuar em novas áreas, sejam elas geográficas, arquitetônicas ou de outra natureza, geralmente é sinal de que algo está mudando no mercado.

    E vale a pena prestar atenção. É por isso que venho me perguntando se a recente reação em favor de edifícios de menor densidade e escala mais humana, em meio à atual disputa incessante por arranha-céus no sul da Flórida, representa menos uma estratégia de construir para atrair compradores e mais uma tentativa de atender às preferências de quem já está no mercado. E se, depois de tantos anúncios de superarranha-céus, coberturas distribuídas por cinco andares e estádios reluzentes, a próxima grande tendência do mercado imobiliário de Miami e do sul da Flórida for justamente a volta de edifícios menores e mais exclusivos?

    Maison d'Or O exclusivo virou tendência Em extremos opostos do sul da Flórida, três novos empreendimentos estão colocando essa ideia à prova. À primeira vista, os projetos têm pouco em comum. O primeiro é o Maison d’Or, edifício de 19 andares localizado na South Flagler Drive, em West Palm Beach.

    Lançado em janeiro deste ano, o empreendimento terá apenas 39 residências, em meio a um bairro residencial de alto padrão, diretamente em frente ao resort Mar-a-Lago, do presidente Donald Trump, do outro lado da Intracoastal Waterway (ICW). O segundo é o Kempinski Residences Miami Design District, a primeira incursão nos Estados Unidos da tradicional rede hoteleira europeia. O empreendimento terá 120 unidades residenciais distribuídas em duas torres de altura intermediária, a poucos passos de um dos distritos comerciais com maior concentração de marcas de luxo dos Estados Unidos.

    O terceiro, o Ritz-Carlton Residences Fort Lauderdale Beach, ocupará um trecho de aproximadamente 122 metros lineares de frente para a ICW. O projeto oferecerá 83 residências personalizadas em dois edifícios de 13 andares, com vistas panorâmicas e desimpedidas para o oceano Atlântico, a poucos quarteirões da praia e do MAASS, o único restaurante de Fort Lauderdale com estrela Michelin. Ritz-Carlton Residences Fort Lauderdale Beach/The Boundary Pelos padrões de outras cidades, nenhum desses edifícios poderia ser considerado pequeno.

    Mas, por qualquer métrica mensurável — número de andares, quantidade de unidades ou densidade de moradores —, os três projetos são extremamente enxutos quando comparados aos demais empreendimentos em desenvolvimento no sul da Flórida. Muitos deles contam com mais de 300 unidades, complexos gigantescos de lazer e milhões de dólares em soluções de engenharia para evitar que as estruturas balancem durante um furacão. Esses edifícios exclusivos vendem algo mais difícil de quantificar: a sensação de que sua casa realmente importa.

    E, mais importante, a percepção de que ela foi construída por alguém que não o enxerga apenas como mais uma linha na planilha de capital do empreendimento. “Os compradores sofisticados do sul da Flórida estão cada vez mais interessados em adquirir um estilo de vida, e não apenas uma parte do boom imobiliário”, afirma Ed Jahn, vice-presidente sênior da Kolter Urban, incorporadora que desenvolve o Maison d’Or em parceria com a Perko Development Partners. “Eles não estão necessariamente procurando o maior edifício ou a marca mais reconhecida na fachada.

    Buscam uma residência que reflita a maneira como querem viver. ” Kolter Urban Tudo o que reluz está ficando menor É importante esclarecer que nenhum desses edifícios é pequeno quando o assunto é preço ou nível de atenção aos detalhes. No segmento imobiliário de altíssimo luxo, o conceito de exclusividade em pequena escala equivale ao que marcas como Patek Philippe e Pagani representam em seus respectivos mercados: produção artesanal, oferta restrita, compradores de elite e uma janela limitada para fazer parte de um grupo seleto.

    Isso significa localizações escolhidas criteriosamente, residências com dimensões de mansões, serviços comparáveis aos dos restaurantes com estrelas Michelin e edifícios que se assemelham mais a um conjunto de ilhas particulares interligadas do que a uma caixa de vidro repleta de apartamentos. “Um projeto menor nos permite tomar decisões muito deliberadas sobre cada aspecto do empreendimento, das próprias residências ao caráter geral do edifício”, acrescenta Dan Riordan, diretor de vendas e sócio sênior da Perko Development Partners, que constrói o Maison d’Or em parceria com a Kolter. Kolter Urban Kolter Urban “Podemos priorizar plantas mais amplas, maior distância entre as residências e detalhes arquitetônicos e áreas de lazer diferenciados, pensados para atender aos moradores, em vez de simplesmente acrescentar itens a uma lista de comodidades.

    Com menos unidades, não podemos depender apenas da escala para entregar valor. ” Como parte dessa proposta de valor, a Kolter também priorizou o ambiente e a identidade do empreendimento, além do apelo visual do projeto. Maison d’Or significa “Casa de Ouro” em francês.

    O edifício se inspira nos estilos mediterrâneo e regencial e combina acabamentos que remetem aos anos dourados de Palm Beach com toques vibrantes de rosa, verde e azul. As cores dão às áreas comuns e aos espaços de lazer um aspecto descontraído, inspirado na estética da marca de moda Lily Pulitzer. “O Maison d’Or representa o ápice de uma experiência residencial sofisticada e integrada ao contexto local em West Palm Beach.

    Desde a chegada, os moradores encontram um ambiente refinado, que remete à era dourada”, continua Riordan. ” Essa relação com o entorno não é um detalhe secundário. Uma das grandes vantagens dos edifícios exclusivos é a possibilidade de ocupar terrenos menores, nos quais a maioria dos empreendimentos de luxo com mais de 300 unidades não conseguiria se instalar.

    Por sua própria concepção, esses projetos também tendem a ser mais bem recebidos pelos vizinhos e por grupos contrários a novas construções em seus bairros. Isso permite aos incorporadores escolher localizações nas quais conceitos como “comunidade” e “conexão” têm chances reais de se concretizar. Um exemplo é a localização do Maison d’Or, em meio a um bairro consolidado de casas, mas também a uma distância que permite chegar a pé ao centro de West Palm Beach.

    A região vem incorporando hábitos de uma cidade que já não fecha as portas depois de escurecer nem paralisa suas atividades quando os visitantes de inverno vão embora. Kolter Urban Kolter Urban O CityPlace, empreendimento de Stephen Ross, está dando origem a um ecossistema de escritórios e residências ocupado durante todo o ano, que se tornou motivo de inveja para outras cidades de médio porte da Flórida. Enquanto isso, o distrito de Nora — sigla para North of Railroad (ao norte da ferrovia) — está rapidamente se tornando um dos projetos de revitalização urbana mais comentados dos Estados Unidos.

    208 m², além do novo Nora Hotel, desenvolvido pelo mesmo grupo responsável pela abertura dos hotéis The Bowery, The Mercer e Hotel Chelsea, em Nova York. “Hoje, os compradores não enxergam o sul da Flórida apenas como um destino sazonal, mas também como um lugar para construir uma vida e investir no longo prazo”, afirma Riordan. “Muitos são empresários consolidados ou empreendedores com famílias que procuram uma residência principal.

    À medida que esse público evolui, suas expectativas em relação ao projeto residencial, à privacidade, aos serviços e à qualidade também mudam. Como resultado, observamos uma valorização crescente das diferenças entre mercados e bairros. West Palm Beach tem identidade e história próprias, assim como Naples e Fort Lauderdale têm seus atrativos.

    ” the Kempinski Residences Miami Design District/GMI As melhores coisas ainda vêm em embalagens pequenas A cerca de 113 quilômetros ao sul de West Palm Beach, o Kempinski Residences Miami Design District adota uma estratégia semelhante à do Maison d’Or. A marca hoteleira suíça, com 129 anos de história, porém, escolheu um bairro de características opostas para estrear nos Estados Unidos e testar esse modelo. Do ponto de vista geográfico, o Miami Design District é uma localização adequada para uma marca do porte e da tradição da Kempinski entrar no mercado imobiliário de luxo.

    Diferentemente de Brickell, do Miami Worldcenter ou do vizinho Edgewater, o bairro sempre teve uma escala mais humana. Essa característica remonta à década de 1920, quando toda a área era ocupada pela plantação de abacaxis de uma única família. Getty Images Mais importante, sua identidade contemporânea foi construída sobre um ecossistema de comércio de luxo do qual apenas um grupo restrito de pessoas dispõe dos recursos necessários para participar.

    Do ponto de vista comercial, essa é a própria essência da exclusividade. A transformação do Miami Design District dentro da cidade é amplamente conhecida. Fora do sul da Flórida, porém, o bairro ainda surpreende quem dobra uma esquina e tem a impressão de ter acabado de descobrir a Quinta Avenida, em Nova York, ou a Rodeo Drive, em Los Angeles.

    Há vinte anos, um empresário local chamado Craig Robbins começou a comprar todos os galpões e terrenos do bairro que conseguia adquirir, por preços que hoje mal cobririam alguns meses de aluguel pagos pelos atuais inquilinos. Durante a Grande Recessão, ele conseguiu convencer alguns dos principais designers de móveis e tecidos a abrir estúdios e showrooms nos espaços recém-reformados. A iniciativa, por sua vez, ajudou a atrair outros investidores públicos e privados para a

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