Supermercados na Europa são novamente alvo de ataque de hackers: refrigeradores chegam a 50°C
Supermercados em vários países da Europa foram atingidos nesta segunda-feira (2) por suspeitas de ataques cibernéticos que provocaram mudanças repentinas nas temperaturas de seus refrigeradores e freezers, para a casa de 50°C, em um episódio semelhante a um problema mais disseminado ocorrido na França no mês passado. Foram relatados incidentes em cinco países: Bélgica, Irlanda, Suécia, Finlândia e Estônia; mas o impacto geral parece ter sido bem mais limitado do que o dos ataques cibernéticos na França, sendo afetadas apenas algumas dezenas de estabelecimentos. A Ahold Delhaize, o Carrefour e a Spar relataram problemas em refrigeradores e freezers de lojas na Bélgica.
Redes de supermercados na Suécia, Irlanda e Finlândia também foram afetadas, levando varejistas a descartar alimentos, segundo porta-vozes e relatos da imprensa local. A Ikea informou que uma de suas lojas em Mons, na Bélgica, foi afetada. Leia também Negócios Saques a 50 lojas e prejuízo de US$ 12 milhões.
Carrefour cobra proteção após protestos na França Negócios Temperaturas de 50°C: o que se sabe sobre o ataque hacker a supermercados na França Um porta-voz da Danfoss, fabricante dinamarquesa de sistemas de refrigeração, disse que os incidentes em toda a Europa envolveram produtos da empresa, assim como ocorreu na França em outubro. Naquele país, cerca de 700 lojas foram atingidas por ataques cibernéticos que desativaram sistemas de refrigeração e obrigaram os estabelecimentos a descartar alimentos estragados. As redes Intermarché, Coopérative U e Carrefour estavam entre as afetadas.
Nenhum grupo reivindicou publicamente a autoria do ataque. Se os incidentes mais recentes forem de fato ataques cibernéticos, os equipamentos podem ter permanecido vulneráveis caso utilizem softwares antigos que não podem receber correções. Após os ataques a supermercados na França, muitos varejistas desconectaram da internet sistemas vulneráveis de controle de refrigeração da Danfoss para repará-los ou substituí-los, segundo especialistas em segurança cibernética.
Mas quase 5 mil permaneciam expostos na internet e potencialmente vulneráveis até a semana passada, antes dos incidentes mais recentes, afirmou Daniel dos Santos, vice-presidente de pesquisa da Forescout Technologies. Alguns varejistas podem não saber que seus sistemas estavam expostos. Outros avaliavam a substituição de sistemas obsoletos que não podiam ser corrigidos ou podem ter decidido que os custos seriam maiores do que as perdas potenciais, disse ele.
“É provável que haja necessidades comerciais que expliquem por que esses sistemas estão conectados à internet e que elas não tenham mudado desde os ataques na França”, afirmou dos Santos. A Forescout identificou mais de 20 ataques confirmados contra sistemas de refrigeração desde o início do ano, muitos deles ligados a grupos de hackers ativistas pró-Rússia. Nenhum grupo reivindicou a autoria dos incidentes mais recentes, e as evidências até agora sugerem que é improvável que eles tenham tido motivação financeira, disse dos Santos.
“É muito provável que alguém esteja enviando uma mensagem à sociedade: podemos prejudicar seu abastecimento de alimentos”, afirmou. A varejista holandesa Ahold Delhaize confirmou que um “incidente de TI” ocorreu em algumas de suas lojas Delhaize na Bélgica na noite de domingo (1), afetando os sistemas de refrigeração. Um porta-voz do Carrefour Bélgica disse que 15 de suas 700 lojas foram afetadas.
Um porta-voz da Spar, rede holandesa, afirmou que a refrigeração de cerca de cinco de suas lojas foi atingida. Na Irlanda, um porta-voz do Musgrave Group disse que um incidente cibernético afetou os sistemas de refrigeração de 13 de suas lojas SuperValu. Produtos refrigerados e congelados foram retirados de venda nos estabelecimentos afetados como medida de precaução.
O problema foi resolvido e todas as lojas estão operando normalmente, informou a empresa em comunicado. Vários supermercados das redes ICA e Coop na Suécia registram temperaturas mais altas nos freezers. No Ica Kvantum de Sjöbo, a temperatura dos freezers subiu para 50 °C, informou a loja em sua página no Facebook, acrescentando que suspeita de um ataque cibernético.
“Estamos cientes de que um número limitado de lojas foi afetado por um incidente durante a noite, que atingiu seus sistemas de refrigeração e freezers”, disse um porta-voz da ICA Sverige por e-mail na segunda-feira. Ele acrescentou que as lojas estão recebendo apoio para lidar com a situação, sem confirmar um ataque cibernético. A Coop tem sete lojas afetadas, disse um porta-voz, confirmando um ataque.
Uma porta-voz da Ikea escreveu em um e-mail que a empresa está investigando a natureza e a dimensão do incidente. Na Finlândia, alguns equipamentos de refrigeração em um pequeno número de mercearias menores da rede K-food “registraram anomalias de temperatura durante a noite”, segundo Petri Käyhkö, chefe de segurança corporativa da Kesko Oyj, segunda maior varejista de alimentos do país. A Kesko começou a investigar a causa após receber alertas automáticos e quando funcionários chegaram aos estabelecimentos pela manhã, disse ele em resposta a perguntas enviadas por e-mail.
Um incidente relacionado à tecnologia da informação não está descartado, afirmou. Segundo Käyhkö, não se trata de um fenômeno generalizado: ele afeta apenas algumas mercearias menores cujos equipamentos não estão cobertos pelas proteções centralizadas da Kesko. Na Estônia, a rede de supermercados Selver enfrentou o problema em sua única loja que ainda usava um modelo antigo de sistema de controle de refrigeração da Danfoss.
A falha foi corrigida em minutos, disse uma porta-voz à emissora local ERR. No mês passado, um ataque cibernético provocou dias de interrupções nos serviços e prateleiras vazias em lojas da Ahold Delhaize na Holanda. A empresa ainda não informou o que causou o problema.
Hackers sob investigação Nos Estados Unidos, o Pentágono informou na semana passada que estava investigando falhas em freezers usados para armazenar alimentos em várias instalações militares. Mesmo após os ataques se tornarem públicos na segunda-feira, quase mil sistemas da Danfoss potencialmente vulneráveis permaneciam conectados à internet, disse Christiaan Beek, vice-presidente de inteligência da Rapid7. Segundo ele, o número evidencia como é difícil proteger sistemas físicos essenciais, nos quais códigos obsoletos e vulnerabilidades conhecidas podem persistir por anos.
“Esses tipos de dispositivos podem ter um impacto enorme em nossa sociedade e em nosso dia a dia”, afirmou Beek. ” Ele comparou os sistemas ao “lixo espacial” em órbita da Terra. “Temos muito lixo da internet flutuando por aí, dispositivos antigos dos quais não temos realmente conhecimento”, disse.
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Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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