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    Susana Salvador, a Pecuarista por trás de um Legado de 120 Anos
    Forbes Brasil·23 de out., 08:00

    Susana Salvador, a Pecuarista por trás de um Legado de 120 Anos

    Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Com cerca de 6 mil bovinos, uma área de aproximadamente 8 mil hectares e a venda de 320 touros por ano, Susana Macedo Salvador, 63 anos, construiu sua trajetória entre os nomes de destaque do melhoramento genético bovino no Brasil . À frente da Cia.

    Azul Agropecuária, em Uruguaiana (RS), a médica-veterinária trabalha com diferentes raças taurinas e combina seleção genética e uma produção de arroz de cerca de 4 mil toneladas por ano. O criatório acumula resultados em exposições e premiações, incluindo reconhecimentos nas raças angus e ultrablack (bovino composto por, pelo menos, 80% de sangue angus e cerca de 20% de sangue zebuíno). A história começou com seu bisavô, João Vieira de Macedo, que iniciou a atividade rural entre Quaraí e Uruguaiana, região oeste do estado do Rio Grande do Sul, na fronteira do Brasil com Uruguai e Argentina, dentro da região dos Pampas Gaúchos.

    Desde então, quatro gerações da família trabalharam na produção agropecuária, com foco crescente na seleção de bovinos. Susana deu continuidade ao trabalho iniciado pelo pai, João Guerra Macedo Neto, e hoje prepara a transição para a quinta geração, representada por seus três filhos e sete netos. “Para mim, este é um dos temas mais sensíveis hoje em dia, principalmente nas empresas rurais: ter grandes empreendimentos e às vezes não ter para quem passar o bastão”, diz Susana.

    Mas a produtora conseguiu resolver bem esta questão, aproximando todos os filhos da produção na fazenda. “Desde 2010 começamos a organizar essa estrutura. ” Susana integra a série FORBES FARMERS , da Forbes Agro, que serve para contar a rotina, a vida e os desafios de produzir alimentos em um país diverso e de dimensões continentais.

    Não importa o tamanho da propriedade, a Forbes Farmers mostra quem transforma a fazenda em referência, unindo produção, gestão, inovação e visão de futuro. Da Cabanha Azul à seleção genética Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Susana começou a trabalhar com o pai após concluir a graduação. Assumiu os plantéis da então Cabanha Azul, onde teve contato com técnicos e pesquisadores estrangeiros e recebeu autonomia para conduzir o rebanho.

    Em 1999, seu pai doou metade do patrimônio aos filhos. A operação conduzida por Susana e seu marido, o engenheiro-agrônomo Reynaldo Titoff Salvador, passou a atuar sob o nome Cia. Azul.

    Enquanto os irmãos seguiram caminhos próprios, com maior dedicação à produção de arroz, o casal manteve o foco na genética bovina. “Meu pai me abriu muitas portas quando fui trabalhar na Cabanha Azul, o que foi um grande desafio por ser uma empresa de reconhecimento internacional. Ele me deu autonomia para assumir os plantéis e proporcionou muito aprendizado”, afirma.

    A empresa trabalha com as raças bovinas angus, hereford, devon, brangus e braford, além da raça ovina merino australiano, voltada à produção de lã fina. A seleção dos animais acompanha a evolução das ferramentas de melhoramento, com uso de dados e tecnologias para identificar características que possam elevar o desempenho dos rebanhos. “Algo bem importante no nosso perfil é que somos pioneiros em todos os programas de melhoramento genético dos quais participamos”, diz Susana.

    O mercado no qual está a pecuarista é bilionário. Segundo o Beef Report 2026 da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o mercado de animais para melhoramento movimentou R$ 6,13 bilhões em 2025. Os números do melhoramento A Cia.

    Azul vende cerca de 320 touros por ano, somadas as diferentes raças. Segundo Susana, a empresa aparece com frequência entre os cinco maiores vendedores de genética taurina nos levantamentos especializados do setor. A relação com o melhoramento genético começou ainda na geração de seu pai.

    Dados do rebanho da família foram utilizados pelo geneticista Luiz Alberto Fries em seu trabalho acadêmico, em uma etapa ligada à origem do Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) , em 1974, e que representa um dos pilares históricos e tecnológicos da seleção genética de gado de corte no Brasil. Por isso, a coleta de informações e a avaliação dos animais passaram a integrar a rotina da propriedade. Os resultados também aparecem nas pistas de avaliação de genética de bovinos.

    Em 2018, a Cia. Azul conquistou reconhecimento na Expointer com a vaca Cia. Azul TE15 Reliquia NET Worth, reservada grande campeã Angus.

    No mesmo ano, a matriz Cia. Azul Kayene TE 1425 foi reconhecida no Prêmio Difusão Genética Nacional, com 18 filhos registrados. Em 2019, a propriedade obteve títulos entre machos e fêmeas na estreia da raça Ultrablack nas pistas.

    Na Expoutono de Uruguaiana, em 2024, voltou a registrar resultados nos julgamentos Angus. Em 2025, Susana ficou em segundo lugar no Prêmio Mérito Genético Ultrablack, promovido pela Associação Brasileira de Angus. A estratégia da empresa é selecionar animais capazes de transmitir características relevantes aos rebanhos.

    Para isso, o trabalho genético precisa estar acompanhado de manejo adequado. Susana resume a pecuária em três pilares: sanidade, genética e nutrição. Arroz, pastagens e eficiência Além da pecuária, a Cia.

    Azul produz arroz e sementes de arroz. A operação combina agricultura e criação de bovinos por meio da integração lavoura-pecuária: após a colheita do arroz, as áreas entram em rotação com pastagens utilizadas na alimentação dos animais. A empresa trabalha com cerca de 350 hectares de arroz por ano.

    Segundo Susana, a produtividade gira em torno de 11,5 toneladas por hectare, o que dá uma safra de cerca de 4 mil toneladas anuais. A integração permite organizar o uso da terra e conectar as duas atividades. ” A produtora associa a continuidade da operação à responsabilidade sobre os recursos naturais e às condições de produção.

    “Estamos aqui há 120 anos e quero que os meus netos sigam produzindo e cuidando destas terras. É fundamental devolver à terra o que ela nos oferece”, afirma. Preservação ambiental, bem-estar animal e cuidado com as pessoas estão entre os valores que orientam a empresa.

    Governança para preparar a quinta geração Susana considera que a preparação para assumir o negócio começa antes da transferência formal de responsabilidades. Seus filhos cresceram na estância, acompanhando o trabalho no campo. Mas a identificação com a atividade, segundo ela, precisa ser acompanhada de rentabilidade, participação nas decisões e autonomia.

    “Todo jovem precisa do seu pequeno reinado: um lugar onde ele possa ter certa autonomia para realmente se comprometer com aquele trabalho”, afirma. A gestão também exige espaço para opiniões diferentes. Susana vê a participação dos mais jovens como uma oportunidade de incorporar novas tecnologias e uma visão atualizada do mercado.

    Para lidar com divergências, a família procura basear as decisões em dados e, quando necessário, recorre a consultores externos. “A família é a célula vital. Para haver uma empresa próspera, é preciso uma família empresarial estruturada, organizada, que se relacione e se comunique bem”, diz.

    “Para ter sucesso no agro é preciso paixão e comprometimento, mas as decisões precisam ser tomadas estritamente com base em números e dados” , afirma. O post Susana Salvador, a Pecuarista por trás de um Legado de 120 Anos apareceu primeiro em Forbes Brasil . ]]>

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