Tarcísio vê ‘dois times’ em choque no STF e diz que tribunal está ‘sangrando’
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira, 17, que o Supremo Tribunal Federal (STF) , que vive uma das mais graves crises de sua história, está “sangrando” diante dos olhos da sociedade brasileira. Em entrevista coletiva depois de uma visita às obras do Hospital Regional de Itapetininga (SP), no interior paulista, Tarcísio disse que o Supremo está dividido em dois grupos de ministros que estariam buscando “autoproteção”. O governador paulista defendeu o avanço das investigações sobre o ministro Alexandre de Moraes pela ligação com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso por suspeita de liderar a maior fraude financeira da história do país.
+ Entenda o que é Política em Oeste Em sessão na terça-feira 15, o STF decidiria sobre a abertura de uma investigação contra Moraes. Depois de horas de discussões, um pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Flávio Dino suspendeu o julgamento, que nem sequer chegou a analisar o mérito do caso. A única votação que ocorreu foi sobre uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes.
“Não dá para a sociedade imaginar ou admitir que o Supremo agora vai se dividir para se proteger, e é o que a gente está vendo. Dois blocos, dois times que buscam autoproteção”, criticou Tarcísio. Segundo o candidato à reeleição em São Paulo, os ministros do STF “deixaram de se comportar como os juízes que são”.
“Uma investigação foi adiada, e a pergunta que se faz é: por que magistrados não podem ser investigados ou não têm de prestar contas? Todo mundo tem de prestar contas”, declarou Tarcísio. O governador paulista classificou a crise enfrentada pela Suprema Corte como “muito grave” e “sem precedentes”.
Tarcísio pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que tenha “sabedoria” para conduzir o tribunal em um momento tão tumultuado. v=NAINqOHppws Leia também: "Tarcísio ganha direito de resposta contra deputado do PT por acusação falsa" “Tudo isso também traz um cenário de insegurança jurídica, e o Supremo tem de garantir a segurança jurídica”, completou. Relação ‘institucional’ com Milton Leite Na entrevista aos jornalistas, Tarcísio de Freitas também comentou a situação do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), alvo de uma investigação do Ministério Público e da Polícia Civil do Estado contra a infiltração do crime organizado no setor de transportes.
A investigação mira a participação do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções criminosas do país, em esquema de lavagem de dinheiro, fraude em licitações e controle das linhas de ônibus na Grande São Paulo e no litoral paulista. Milton Leite é considerado foragido pela polícia , alvo de um mandado de prisão emitido no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira. Nesta sexta-feira, 18, a Polícia Civil apreendeu R$ 287 mil e US$ 89 mil, em espécie, na casa de um ex-assessor de Leite .
Segundo Tarcísio de Freitas, seu relacionamento com o ex-vereador sempre foi “institucional”. “Sempre foi um relacionamento institucional, propositivo, voltado a projetos, e é assim que a gente tem trabalhado. Isso não tem nada a ver com outras questões, que são objeto de investigação”, afirmou o governador.
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