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    ‘Tenzing’: ‘reparação histórica’ em um bom filme
    Revista Oeste·24 de out., 00:00

    ‘Tenzing’: ‘reparação histórica’ em um bom filme

    Em 29 de maio de 1953, o explorador neozelandês Edmund Hillary e o montanhista sherpa Tenzing Norgay entraram para a história como os primeiros homens a chegar comprovadamente ao topo da montanha mais alta do mundo, o monte Everest. Durante muito tempo, porém, Hillary ocupou o centro dessa narrativa, enquanto Tenzing — nascido no Tibete ou no Nepal, dependendo da versão — raramente recebeu o mesmo protagonismo. O filme Tenzing (Apple TV) procura corrigir esse desequilíbrio ao colocar o montanhista sherpa no centro da história.

    O roteiro de Luke Davies mostra sua vida simples no Nepal, sua trajetória profissional como guia de montanha e seu casamento. Um dos pontos fracos do filme, porém, é a construção de uma realidade excessivamente idealizada em torno de Tenzing, próxima da visão segundo a qual “os nativos são bons por natureza”. A parte mais interessante acompanha a expedição propriamente dita.

    Tenzing é integrado à equipe britânica pelo comandante John Hunt (Willem Dafoe), que se revela um homem durão, mas equilibrado. A relação entre Tenzing e Edmund Hillary (Tom Hiddleston) se transforma no coração do filme, e os dois acabam chegando juntos ao cume do Everest. A diretora Jennifer Peedom filmou boa parte da história no Nepal, inclusive na região do Everest, mas as cenas literalmente culminantes foram realizadas nas montanhas da Nova Zelândia.

    Tenzing é um filme que melhora à medida que avança, e sua última meia hora é fascinante. Boa parte dos diálogos é falada nas línguas sherpa e tibetana. O elenco asiático é muito bom, a começar por Genden Phuntsok, ator chinês de origem tibetana que interpreta o protagonista.

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