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    InvestNews·26 de out., 15:25

    Tesouro Direto suspende negociações após alta dos juros. Veja o que muda para o investidor

    Quem tentou investir no Tesouro Direto na manhã desta segunda-feira (26) encontrou a plataforma fechada para parte das operações. No primeiro pregão depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) , que derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno neste domingo (25), as taxas dos títulos públicos dispararam e o Tesouro Nacional suspendeu as negociações. Em aviso publicado às 10h, o Tesouro informou que a plataforma “está fechado para negociação devido à alta volatilidade nas taxas de juros dos títulos públicos nesta manhã” e que a expectativa é de normalização ao longo do dia.

    A suspensão atinge os títulos prefixados e os atrelados à inflação. O Tesouro Selic e o Tesouro Reserva continuam disponíveis. A turbulência pós-segundo turno também atingiu a bolsa de valores.

    Logo na abertura, a forte queda do Ibovespa levou a B3 a acionar o circuit breaker , mecanismo que interrompe as negociações por 30 minutos quando o índice recua 10% em relação ao fechamento anterior. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde março de 2020, no início da pandemia. Leia também Investimentos Bolsa retoma negociação após circuit breaker e Ibovespa cai mais de 16%.

    Dólar passa de R$ 5,60 Investimentos Dólar sobe mais de 12% e passa de R$ 5,60 no day after da eleição Por que o Tesouro Direto parou O preço de cada título acompanha as taxas negociadas no mercado de juros. Quando essas taxas sobem várias vezes em poucos minutos, o valor exibido na plataforma fica velho antes mesmo de o investidor concluir a operação. Ao fechar as negociações, o Tesouro consegue evitar que alguém compre ou venda um título por um preço que já não corresponde ao mercado.

    Na bolsa, a parada é automática e segue percentuais definidos pela B3. No Tesouro Direto, a decisão de suspender cabe ao próprio Tesouro Nacional, que costuma travar apenas os títulos mais sensíveis à oscilação das taxas. Estes são os prefixados e os atrelados à inflação, sobretudo os de vencimento longo, porque eles carregam as expectativas sobre as contas públicas dos próximos anos.

    Quais títulos estão parados Título Efeito da alta das taxas Negociação Tesouro Reserva Sem marcação a mercado Aberta Tesouro Selic Oscilação pequena Aberta Tesouro Prefixado Preço cai quando a taxa sobe Suspensa Tesouro IPCA+, Renda+ e Educa+ Queda maior nos vencimentos longos Suspensa O Tesouro Selic segue liberado porque acompanha a taxa básica de juros e quase não perde valor quando as taxas de mercado sobem. Para quem precisa aplicar ou resgatar hoje, é a alternativa disponível além do Tesouro Reserva. O que acontece com quem já tem títulos Com a alta dos juros, os títulos prefixados e indexados à inflação perdem valor na marcação a mercado, e a perda é maior nos vencimentos mais longos.

    Essa queda só vira prejuízo para quem vende antes da data de vencimento. Quem consegue segurar o título até o fim recebe exatamente a rentabilidade contratada no momento da compra. Para quem pretende investir, o cenário, no entanto, tem outro lado.

    Taxas mais altas permitem travar uma rentabilidade maior quando a plataforma reabrir, com o risco de novas oscilações nos próximos dias, enquanto o mercado ajusta os preços ao resultado do segundo turno. Copom e política fiscal no radar O próximo teste para os juros é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que está marcada para 3 e 4 de novembro. A Selic está atualmente em 13,75% ao ano desde 16 de setembro, quando o Banco Central fez o quinto corte consecutivo.

    Até lá, o mercado vai observar os sinais do governo reeleito sobre a condução das contas públicas e a formação da equipe econômica para o novo mandato, o quarto de Lula. O dólar também entra na conta, porque uma moeda mais fraca pressiona a inflação e pode reduzir o espaço para que haja novos cortes na taxa básica. ]]>

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