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    InvestNews·27 de out., 14:44

    Tesouro faz terceira intervenção e recompra R$ 31,6 bi em dois dias para conter taxas

    Em dois dias, o Tesouro Nacional entrou três vezes no mercado e gastou R$ 31,6 bilhões para tentar segurar as taxas dos títulos públicos. É a terceira maior intervenção da história em valores nominais. O motivo é a forte volatilidade nas taxas , na esteira do resultado inesperado das eleições presidenciais no domingo (25).

    Na manhã desta terça-feira (27), o órgão recomprou R$ 16,8 bilhões em NTN-Bs, os títulos conhecidos como Tesouro IPCA+ , que pagam a variação da inflação mais uma taxa fixa. O Tesouro aceitou 3,82 milhões de papéis, dos até 4 milhões previstos. Foram recomprados todos os 1 milhão de títulos oferecidos com vencimentos em 2030 e 2040, 895,75 mil dos papéis de 2035 e 919,7 mil dos de 2045.

    As taxas aceitas ficaram entre 7,29% e 7,70% ao ano mais IPCA, acima do que foi praticado antes do segundo turno. O montante financeiro foi mais que o dobro dos R$ 7,7 bilhões que o órgão recomprou ontem em NTN-Bs. Mais cedo, o Tesouro também cancelou o leilão regular, que ocorreria hoje, das LFTs, os títulos pós-fixados atrelados à taxa Selic.

    É o papel que chega à pessoa física como Tesouro Selic . Nos leilões tradicionais, o Tesouro vende títulos ao mercado: é assim que o governo pede dinheiro emprestado ao mercado para fechar as contas. Na recompra, o caminho é o inverso.

    O Tesouro compra de volta papéis que já estão em circulação e devolve o dinheiro ao mercado. Isso impacta o retorno dos papéis porque preço e taxa funcionam como uma gangorra na renda fixa. Quando muita gente quer vender um título, o preço cai e a taxa sobe.

    Com o Tesouro entrando como comprador, a pressão vendedora diminui e a disparada dos juros perde fôlego. É essa a ideia da recompra: absorver a pressão altista. Leia também Investimentos Tesouro Direto: IPCA+ com vencimento no longo prazo sobe, mesmo após intervenção Ontem, foram duas rodadas , que totalizaram R$ 14,8 bilhões.

    De manhã, o Tesouro recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em NTN-Fs, os prefixados. À tarde, mais cerca de R$ 7,7 bilhões em NTN-Bs. Os volumes ficaram abaixo do teto previsto na véspera nos editais.

    Foram recomprados 8,4 milhões de NTN-Fs, dos até 15 milhões de papéis previstos, e 1,76 milhão de NTN-Bs, dos até 3 milhões possíveis. Em março, o Tesouro fez a maior intervenção da história em valor nominal. Nos dias 16 e 17 daquele mês, as operações custaram R$ 43,6 bilhões, volume que superou até o que foi gasto no auge da pandemia de covid-19, quando o Tesouro recomprou R$ 35,56 bilhões ao longo de 15 dias.

    Em março, bastaram dois. ]]>

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