Tesouro faz terceira intervenção em dois dias e recompra quase R$ 17 bi para conter taxas do IPCA+
O Tesouro Nacional faz sua terceira intervenção em dois dias no mercado, em meio à forte volatilidade nas taxas dos títulos públicos na esteira do resultado inesperado das eleições presidenciais no domingo (25). Na manhã desta terça-feira (27), o órgão recomprou R$ 16,8 bilhões em NTN-Bs, os títulos conhecidos como Tesouro IPCA+ , que pagam a variação da inflação mais uma taxa fixa. O Tesouro aceitou 3,82 milhões de papéis, dos até 4 milhões previstos.
Foram recomprados todos os 1 milhão de títulos oferecidos com vencimentos em 2030 e 2040, 895,75 mil dos papéis de 2035 e 919,7 mil dos de 2045. As taxas aceitas ficaram entre 7,29% e 7,70% ao ano mais IPCA, acima do que foi praticado antes do segundo turno. É mais que o dobro dos R$ 7,7 bilhões que o órgão recomprou ontem em NTN-Bs.
Mais cedo, o Tesouro também cancelou o leilão regular, que ocorreria hoje, das LFTs, os títulos pós-fixados atrelados à taxa Selic. É o papel que chega à pessoa física como Tesouro Selic . Nos leilões tradicionais, o Tesouro vende títulos ao mercado: é assim que o governo pede dinheiro emprestado ao mercado para fechar as contas.
Na recompra, o caminho é o inverso. O Tesouro compra de volta papéis que já estão em circulação e devolve o dinheiro ao mercado. Isso impacta o retorno dos papéis porque preço e taxa funcionam como uma gangorra na renda fixa.
Quando muita gente quer vender um título, o preço cai e a taxa sobe. Com o Tesouro entrando como comprador, a pressão vendedora diminui e a disparada dos juros perde fôlego. É essa a ideia da recompra: absorver a pressão altista.
Leia também Investimentos Tesouro Direto: IPCA+ com vencimento no longo prazo sobe, mesmo após intervenção Nesses dois dias, as intervenções somaram cerca de R$ 31,6 bilhões. Ontem, foram duas intervenções, que totalizaram R$ 14,8 bilhões. De manhã, o Tesouro recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em NTN-Fs, os prefixados.
À tarde, mais cerca de R$ 7,7 bilhões em NTN-Bs. Os volumes ficaram abaixo do teto previsto nos editais. Foram recomprados 8,4 milhões de NTN-Fs, dos até 15 milhões de papéis previstos, e 1,76 milhão de NTN-Bs, dos até 3 milhões possíveis.
O Tesouro já tinha usado o instrumento em março. Nos dias 16 e 17 daquele mês, as intervenções custaram R$ 43,6 bilhões, o maior volume em mais de uma década . Em valores nominais, passou até o que foi gasto no auge da pandemia de covid-19, quando o Tesouro recomprou R$ 35,56 bilhões ao longo de 15 dias.
Em março, bastaram dois. ]]>
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