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    InvestNews·28 de out., 19:05

    Tesouro IPCA+ sobe para perto de 8% e prefixado passa de 15%: hora de comprar?

    O governo bem que tentou. Gastou R$ 32 bilhões em dois dias para conter a disparada das taxas dos títulos públicos. Funcionou por uma sessão, mas a pressão de alta voltou marcar presença no mercado nesta quarta-feira (28).

    No Tesouro Direto , os prefixados já voltaram para a faixa dos 15% ao ano, enquanto os papéis indexados à inflação se aproximam dos 8% ao ano. E fica a pergunta: é hora de aproveitar esses retornos que retomaram os patamares mais elevados em termos históricos? A resposta vai depender de qual o horizonte de investimentos você tem pela frente.

    Longo ou curto prazo? Quem tem recursos para deixar aplicado sem mexer por vários anos tem tudo para aproveitar uma janela de retornos muito elevados. O Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, aparece na plataforma do Tesouro Direto com um retorno de IPCA mais 7,97% ao ano nesta quarta-feira (28).

    Esse nível de rendimento foi observado pela última vez em setembro. Uma aplicação de R$ 10 mil nesse título levada até o vencimento resultaria em R$ 15,6 mil, em valores de “hoje”, ou seja, sem considerar a inflação no período. Leia também Investimentos Governo vai subir IOF de papéis isentos?

    Veja os impactos potenciais sobre LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures Já o Tesouro IPCA+ 2040 voltou a pagar inflação mais 7,57% anuais. O mesmo valor de aplicação nesse título alcançaria um resgate de R$ 27,4 mil no fim de validade do papel, em valores reais, ou seja, sem aplicar a variação do IPCA e sem o desconto do Imposto de Renda. O Tesouro Prefixado 2032, por sua vez, paga uma taxa nominal de 15,27% ao ano.

    No caso de um investimento de R$ 10 mil, o papel renderá, brutos, R$ 21 mil no vencimento. É bom lembrar que, quanto mais distante o vencimento, mais volátil será o comportamento das taxas e dos preços do papel. Na renda fixa, quando a taxa sobe, o preço do título cai, ou seja, o saldo em reais diminui na tela.

    E vice-versa. Um eventual prejuízo – ou ganho se a taxa cair – só se concretiza se você vender o título antes do vencimento e nas condições de mercado do dia. Quando o ambiente está desfavorável, o investidor vai ter de oferecer uma taxa maior para atrair os compradores.

    Nesse caso, para ter um retorno mais elevado, o preço do ativo precisa ficar menor. Veja como funciona neste link . Intervenções e risco fiscal Agora, se você pensa em investir agora sabendo que poderá precisar do dinheiro antes do vencimento, a resposta muda.

    As incertezas são muitas e há riscos realmente concretos de as taxas subirem ainda mais – por exemplo, se os anúncios da próxima equipe econômica, como o do próximo ministro da Fazenda, não agradarem ao “mercado”. No curto e médio prazos, portanto, várias turbulências podem surgir. Há no momento muitas incertezas relacionadas a medidas que o governo agora reeleito pode tomar – se é que pretende fazer – para a contenção de gastos públicos e a estabilização do crescimento da dívida.

    Em meio à escalada dos juros, o Tesouro Nacional realizou três intervenções no mercado entre segunda (26) e terça-feira (27) que somaram R$ 31,6 bilhões: foi o terceiro maior volume da história. Esse volume só perde para as recompras de março, que alcançaram R$ 43,6 bilhões; e as que ocorrerem no começo de 2020, durante a pandemia, quando o governo gastou R$ 35,6 bilhões ao longo de 15 dias. Leia também Economia Sem ajuste fiscal crível, economia em novo governo Lula pode entrar em recessão, diz Solange Srour A ação do órgão trouxe maior estabilidade ao mercado, mas não arrefeceu a força de subida das taxas.

    Esse avanço ainda pode estar no meio do caminho. Analistas têm alertado para a possibilidade de uma reversão na queda dos prêmios de risco fiscal ocorrida após o primeiro turno, quando o mercado passou a contar com a perspectiva de um novo governo mais preocupado com as contas públicas, o que, sabemos, não se concretizou. Com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mercado passou a reincorporar o prêmio de risco fiscal nos preços.

    Leia também Investimentos Tesouro faz terceira intervenção e recompra R$ 31,6 bi em dois dias para conter taxas O retorno de IPCA+ 7,97% do título com vencimento em 2032, por exemplo, ainda está longe do pico do ano antes do primeiro turno, de inflação mais 8,47%, praticado no mercado em junho. No caso das taxas prefixadas, o retorno de 15,27% ao ano está abaixo da máxima de 15,78% da segunda-feira no day after do segundo turno. O patamar atual, porém, já iguala a maior taxa do ano antes das eleições, ocorrida em fevereiro.

    O que pode dar certo As taxas muito elevadas, por outro lado, em algum momento vão passar a atrair mais investidores interessados em travar retornos bem acima da média histórica. Outro ponto que pode ajudar a melhorar o cenário dos títulos é a possibilidade de o governo passar a sinalizar ajustes fiscais que está disposto a adotar no próximo mandato, mesmo que mais tímidos comparados às expectativas de antes do segundo turno. Nesse ambiente, os juros podem passar a se ajustar gradualmente para baixo, conforme as informações e os números apontem para uma trajetória mais benigna do endividamento e das contas públicas.

    Leia também Investimentos Goldman e JPMorgan veem mercados mais estáveis pela frente, mas melhora só após medidas fiscais Analistas do JPMorgan apontaram essa possibilidade em um relatório a clientes divulgado na terça-feira (27). “Depois de um período inicial de choque, o mercado se adapta”, pontuou o banco americano. O JP Morgan lembrou que, após a eleição de Lula em 2022, o mercado passou a olhar, posteriormente, de maneira mais positiva tanto as escolhas da equipe econômica (com Fernando Haddad para a Fazenda) quanto a perspectiva na condução da política macroeconômica.

    O Goldman Sachs também fez uma observação semelhante. Alberto Ramos, chefe de pesquisa econômica para América Latina do banco americano, afirmou esperar “medidas modestas para conter o crescimento dos gastos primários e, ao mesmo tempo, um aumento da já elevada carga tributária”. Tesouro Selic e Reserva: portos seguros Em meio ao momento turbulento mercado, um porto seguro para os investidores está nos títulos indexados à Selic, chamados de pós-fixados.

    O recém-lançado Tesouro Reserva e o irmão mais velho Tesouro Selic continuam imbatíveis quando olhamos tanto o risco quanto o retorno. “O pós é sempre interessante, porque varia diariamente confrome a Selic ou o CDI”, explica a chefe de fundos de crédito do ASA, Thais Prado. No caso dos títulos públicos pós-fixados, a volatilidade é mínima ou inexistente.

    E o saldo em reais na conta, basicamente, sempre sobe. Além disso, Prado já enxergava um juro caindo muito menos do que o esperado antes mesmo das eleições. Leia também Investimentos Por que Selic e CDI são as respostas contra a volatilidade em 2026 O boletim Focus do Banco Central, que mostra as projeções de instituições financeiras sobre juros, câmbio, inflação e PIB, apontava, por exemplo, uma Selic de 12% ao ano no fim de 2027 antes do primeiro turno.

    Para o ASA, a taxa básica pode até cair mais um pouco na reunião do Copom na próxima semana, mas vai terminar 2026 em 13,50% ante os 13,75% atuais. E, no ano que vem, vai encerrar em 13%. Se a previsão estiver correta, o BC teria espaço para apenas mais três cortes de 0,25 ponto percentual nos próximos 14 meses.

    E, para papéis atrelados à Selic, juro maior por mais tempo significa mais ganho. Ganho garantido de 1% ao mês Essa trajetória para a Selic também implica em um manter o retorno bruto de 1% ao mês ao longo de todo o ano de 2027. Se usarmos a mediana de projeções do Focus para o IPCA em 2027, de 4,34%, uma taxa básica de 13% ao ano representa um juro real (acima da inflação) de 8,66%.

    Uma taxa de IPCA+ 8,66% segue acima de qualquer retorno de títulos indexados à inflação no Tesouro Direto atualmente. ]]>

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