Títulos argentinos com rendimentos de dois dígitos atraem investidores antes da eleição
Títulos argentinos com rendimentos de dois dígitos atraem investidores dispostos a deixar de lado os temores com a queda da popularidade do presidente Javier Milei antes das eleições no fim do próximo ano. A gestora suíça Vontobel e a britânica Schroders ampliaram a exposição à Argentina, enquanto a ProMeritum Investment Management, gestora londrina de hedge funds, montou uma posição durante uma onda de vendas que fez da dívida soberana do país o crédito de pior desempenho entre os mercados emergentes neste trimestre. Estrategistas do Morgan Stanley recomendaram aumentar a exposição aos títulos em dólar de prazo mais longo, sob o argumento de que rendimentos em torno de 10% estão “baratos demais” para serem ignorados, apesar das preocupações com a agenda do presidente libertário.
Leia também Economia Milei diz a Trump que não tem votos para ratificar acordo comercial com os EUA Economia Desaceleração da economia ameaça reeleição de Milei na Argentina “É cedo demais para começar a operar com base na eleição”, disse Thomas Haugaard, gestor da Janus Henderson Investors em Copenhague. ” Apesar dos baixos índices de aprovação de Milei, a âncora fiscal da Argentina permanece intacta, as reservas cambiais estão crescendo e o movimento peronista estatista continua bastante fragmentado, segundo Haugaard. Esses fatores devem limitar perdas adicionais e não apontam necessariamente para o tipo de mudança política que os mercados começam a temer, afirmou.
Fernando Gimenez, economista e estrategista sênior da ProMeritum, disse que a gestora não tinha exposição ao crédito argentino no início de agosto, mas começou a comprar após a onda de vendas. Embora a volatilidade política provavelmente persista até a eleição de 2027, “os níveis de mercado me parecem um ponto de entrada muito atraente em comparação com outras alternativas de crédito de mercados emergentes”, disse Gimenez. Primeiros sinais de nervosismo Investidores veem os primeiros sinais de perda de força da terapia de choque de Milei para reanimar a economia argentina.
Analistas vêm reduzindo as projeções de crescimento, o mercado de trabalho continua fraco e pesquisas recentes mostram a popularidade do presidente perto dos níveis mais baixos do mandato. A pressão política também põe à prova os planos mais amplos de reformas do governo. No mês passado, parlamentares diluíram uma proposta para flexibilizar os limites à propriedade de terras por estrangeiros diante de forte reação contrária.
Mais tarde, Milei foi obrigado a abandonar outra parte importante da lei antes de sua aprovação, o que provocou uma forte queda nos títulos do país. Os papéis registraram leve baixa nesta semana após uma notícia de que o Congresso argentino não apoiaria o acordo comercial bilateral de Milei com os EUA. Milei minimizou as preocupações com o crescimento e as perspectivas eleitorais e disse ao editor-chefe da Bloomberg News, John Micklethwait, em entrevista na quinta-feira, que os indicadores econômicos não captam a transformação estrutural do país, especialmente nos setores de petróleo e gás.
Os títulos argentinos em dólar acumulam queda de mais de 6% desde o fim de julho, o pior desempenho entre os países em desenvolvimento. Alguns investidores afirmam que a onda de vendas foi impulsionada em parte por investidores locais, que detinham quase um quarto dos títulos em dólar em circulação no primeiro trimestre do ano, segundo estimativas da corretora Portfolio Personal Inversiones, de Buenos Aires. Esse nível de concentração “terá impacto sobre os fatores técnicos do mercado”, disse Jared Lou, gestor de portfólio da William Blair em Nova York.
Ainda atrativo A queda tornou a dívida cada vez mais atraente em relação à de outros mercados emergentes para investidores como Alexander Robey. “Ainda gostamos dos títulos soberanos da Argentina”, disse Robey, gestor da Allianz Global Investors. “É muito atrativo neste nível de avaliação em comparação com outros créditos, como Equador ou Nigéria.
” Enquanto isso, JPMorgan e Barclays reforçaram as recomendações de posição acima da média para a Argentina, e o Barclays classificou o país como “uma das propostas de valor mais atraentes” entre os créditos de alto rendimento dos mercados em desenvolvimento. Fernando Grisales, gestor sênior de estratégias de dívida de mercados emergentes da Schroders, começou a ampliar a posição enquanto os títulos caíam. Ele apontou sinais de estabilização dos números de Milei nas pesquisas e vê os investimentos no setor de petróleo do país, impulsionados pela formação de xisto de Vaca Muerta, como uma tendência de prazo mais longo que provavelmente continuará.
“Os títulos foram reprecificados, os índices de Milei nas pesquisas estão se estabilizando, o banco central continua acumulando reservas e o investimento no setor de petróleo é real — e continuará sendo real, seja com Milei ou qualquer outro presidente, por muitos anos”, disse Grisales. ]]>
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