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    InvestNews·28 de set., 21:10

    Treasuries: veja tipos, riscos e como investir em títulos do Tesouro americano

    Poucos números do mercado financeiro internacional são acompanhados com tanta atenção quanto a taxa dos Treasuries , os títulos que o governo americano emite para se financiar. Essa taxa serve de referência para o custo de crédito e para a precificação de ativos em vários países, inclusive no Brasil. O interesse pelos Treasuries cresceu nas últimas semanas com o movimento de alta dos juros americanos.

    O rendimento do título de 10 anos fechou a 5,2% nesta segunda-feira, 28, o nível mais alto desde 2007. Já o de 30 anos terminou em 5,5%, maior patamar desde 2004. A alta dos rendimentos ocorre em meio à inflação persistente e à expectativa de novas altas de juros pelo Federal Reserve, o banco central americano.

    Como funcionam os títulos do Tesouro americano Para quem tem Treasuries na carteira, a alta dos juros afeta diretamente o preço dos títulos. Os títulos são vendidos em leilões pelo Departamento do Tesouro e depois negociados diariamente no mercado secundário, onde o preço oscila. Quando os juros sobem, os papéis emitidos antes, que pagam taxas menores, perdem valor.

    Foi o que aconteceu com quem comprou títulos longos antes da alta recente. Nos títulos de taxa fixa, quem leva o papel até o vencimento recebe os juros e o principal previstos na emissão. Quem precisa vender antes fica sujeito ao preço de mercado.

    A lógica é a mesma dos títulos do Tesouro Direto no Brasil. Leia também Investimentos Juros americanos estão no maior nível em 20 anos. Veja como isso afeta o investidor brasileiro Investimentos Criptomoeda “fora do radar” decola 300% após parceria com gigante dos pagamentos O pagamento é garantido pelo governo americano, e os prazos vão de algumas semanas a 30 anos.

    O prazo, a forma de pagar os juros e o indexador definem os diferentes tipos de Treasury. Quais são os tipos de Treasuries Título Prazo Como remunera Similar no Tesouro Direto T-Bill 4 semanas  a 1 ano Comprado com desconto, paga tudo no vencimento Tesouro Prefixado (LTN) T-Note 2 a 10 anos Juro fixo pago a cada 6 meses Tesouro Prefixado com Juros Semestrais ( NTN-F ) T-Bond 20 ou 30 anos Juro fixo pago a cada 6 meses Sem similar nesse prazo TIPS 5, 10 ou 30 anos Valor investido corrigido pela inflação (CPI) e juro pago a cada 6 meses Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B) FRN 2 anos Juro variável, ligado à T-Bill de 13 semanas, pago a cada 3 meses Tesouro Selic (LFT) STRIPS Até 30 anos Comprado com desconto, paga tudo no vencimento  Tesouro Prefixado (LTN) e Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) A T-Bill é o título de curto prazo. 000 no vencimento e embolsa a diferença como rendimento.

    T-Notes e T-Bonds pagam cupons, juros distribuídos a cada seis meses até o vencimento, quando o investidor recebe o último cupom e o valor investido. A taxa do cupom é definida no leilão de emissão. Os TIPS (Treasury Inflation-Protected Securities) protegem contra a inflação.

    O principal, valor que o governo se compromete a devolver ao investidor no vencimento, é corrigido pelo índice de preços ao consumidor (CPI), e o juro fixo incide sobre essa quantia atualizada. No vencimento, o investidor recebe o maior valor entre o principal corrigido e o original, o que evita perdas em caso de deflação. Os FRNs (Floating Rate Notes) são o pós-fixado do Tesouro americano.

    A taxa acompanha a T-Bill de 13 semanas, somada a um spread fixo definido na emissão. A lógica lembra a do Tesouro Selic, com a diferença de que o FRN paga juros a cada três meses. Como a taxa se ajusta com frequência, o preço oscila pouco, e o título é usado como aplicação de caixa.

    Os STRIPS não são vendidos pelo Tesouro. Bancos e corretoras separam o principal e os cupons de T-Notes, T-Bonds e TIPS, e cada parte passa a ser negociada como um título independente, comprado com desconto e pago de uma vez no vencimento. Como investir em Treasuries a partir do Brasil O Tesouro americano tem uma plataforma própria de venda direta, o TreasuryDirect , mas ela fica fora do alcance da maioria dos brasileiros.

      Para quem mora no Brasil, os caminhos mais comuns são quatro:  Um deles é abrir conta em corretora internacional e comprar os títulos no mercado secundário ou nos leilões, quando a corretora oferece acesso; O segundo é investir em ETFs que reúnem carteiras de Treasuries, negociados nas bolsas americanas;  O terceiro são os BDRs desses ETFs, listados na B3 e negociados em reais;  E há ainda os fundos brasileiros que aplicam em títulos americanos. Quando os Treasuries ficam custodiados em uma corretora americana, a proteção relevante é o SIPC, que cobre ativos até US$ 500 mil em caso de quebra de uma instituição associada, com limite de US$ 250 mil para dinheiro em conta. A proteção vale também para clientes que não moram nos Estados Unidos, mas não cobre perdas causadas pela oscilação de preço dos títulos.

    Quais são os riscos de investir em Treasuries O risco de calote é considerado baixo porque o pagamento depende do governo americano. Os outros riscos são concretos. O principal é o de taxa de juros.

    Quem precisar vender um título longo antes do vencimento, em um momento de alta dos juros, vende com prejuízo. Quem leva o papel até o fim recebe exatamente o que foi contratado. O segundo risco é o cambial.

    Para o investidor que pensa em reais, o resultado final depende da variação do dólar. Uma queda da moeda americana pode anular o ganho com juros. Há ainda o risco de reinvestimento.

    Quando uma T-Bill vence em um cenário de juros menores, o dinheiro volta a ser aplicado a uma taxa mais baixa. Por fim, há o risco de inflação. Se o CPI, índice de preços ao consumidor americano, subir acima da taxa contratada em um título prefixado, o rendimento real fica negativo.

    754, de 2023 . A norma determina a declaração separada desses rendimentos no ajuste anual do Imposto de Renda , com alíquota de 15% sobre a parcela anual, sem dedução na base de cálculo. A variação cambial entra no cálculo do rendimento.

    Nos Estados Unidos, os juros de Treasuries pagos a investidores estrangeiros não são tributados na fonte, desde que o investidor apresente à corretora o formulário W-8BEN , que comprova que ele não mora no país. A regra pode ser diferente quando o investimento é feito por ETFs , cujas distribuições têm tratamento próprio. Quem investe por BDRs ou fundos brasileiros segue as regras de tributação desses produtos no Brasil.

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