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    Trégua negociada por Melania Trump interrompe ataques em cidade na Ucrânia
    CNN Brasil·30 de out., 15:39

    Trégua negociada por Melania Trump interrompe ataques em cidade na Ucrânia

    Centenas de moradores de uma cidade ocupada no sul da Ucrânia, que sobreviveram durante meses sem acesso a suprimentos básicos, começaram a ser retirados nesta sexta-feira (30) sob um acordo de cessar-fogo negociado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump. A cidade de Oleshky, na região ucraniana de Kherson, está sob ocupação russa contínua desde abril de 2022. Cerca de 2 mil pessoas, incluindo 50 crianças, continuam presas no município, que foi severamente destruído, segundo autoridades ucranianas.

    Todas as rotas de acesso estavam fortemente minadas ou tomadas por drones, o que tornava impossível a fuga até a entrada em vigor da trégua. “A delegação ucraniana, juntamente com os moradores retirados de Oleshky, partiu em direção a Anapa, na Rússia. De lá, eles seguirão de avião para Belarus e, depois, voltarão para casa de ônibus”, afirmou o parlamentar ucraniano Davyd Arakhamia no Telegram.

    Leia Mais Ucrânia e Rússia pausam ataques para visita de enviados de Trump Enviados dos EUA chegam a Kiev após conversas com Putin sobre plano de paz Ataque russo atinge ponto de acolhimento de civis na Ucrânia A situação humanitária se deteriorou nos últimos meses. Segundo autoridades ucranianas, em setembro a cidade ficou sem alimentos e outros suprimentos, além de não ter acesso a eletricidade, gás, medicamentos e outros itens essenciais. A situação crítica provocou preocupação internacional, com organizações, líderes religiosos e outras entidades pedindo medidas urgentes.

    Segundo relatos, moradores passaram a procurar restos de alimentos e comer ervas daninhas. Corpos de pessoas que morreram chegaram a permanecer nas ruas. A trégua temporária entrou em vigor na terça-feira e, desde então, foi ampliada para toda a região de Kherson.

    O cessar-fogo também trouxe alívio à cidade de Kherson, capital regional controlada pela Ucrânia, que vinha sendo alvo de ataques quase constantes de drones russos. O acordo deve expirar no domingo (1º). Comissária de Direitos Humanos da Rússia, Yana Lantratova, e o ouvidor da Ucrânia, Dmytro Lubinets, conversam com jornalistas em uma área da região de Kherson controlada pela Rússia, em 30 de outubro.

    O ouvidor ucraniano Dmytro Lubinets viajou a Oleshky para acompanhar pessoalmente os moradores durante a saída em direção ao território controlado pela Ucrânia. Com isso, tornou-se o primeiro representante de alto escalão do governo ucraniano a viajar abertamente para áreas ocupadas sob controle russo desde o início da guerra. “Estamos em Oleshky”, afirmou ele em comunicado.

    “As pessoas que querem ir para o território da Federação Russa estão se reunindo aqui, assim como aquelas que desejam partir para o território da Ucrânia. ” Mulheres caminham por um mercado local sob redes de proteção contra drones instaladas sobre uma rua em Oleshky. A homóloga russa de Lubinets, Yana Lantratova, também estava presente em Oleshky.

    Os dois apareceram em vídeos lado a lado, conversando com moradores da região. A retirada começou durante a tarde, no horário local. Segundo Lubinets, 25 ônibus, com capacidade total para 750 passageiros, participam da operação.

    A previsão é que eles cheguem à fronteira ucraniana em algum momento de sábado. Voluntários da Cruz Vermelha transportam um homem em uma maca para uma ambulância durante uma operação de retirada em Oleshky, na região de Kherson, na Ucrânia. Vídeos divulgados pelo gabinete de Lubinets mostram o ouvidor cumprimentando grupos de moradores emocionados em Oleshky e conversando sobre a viagem.

    Em uma das gravações, ele fala com pessoas que estão partindo sobre os moradores que desejam permanecer na cidade. “Disseram-me que essa é uma escolha deles. Pelo menos vamos garantir que alguma ajuda humanitária chegue até lá”, afirmou.

    Cerca de 40% da população da cidade antes da guerra, que era de aproximadamente 24 mil pessoas, conseguiu fugir para territórios controlados pela Ucrânia quando isso ainda era possível, no início do conflito, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, organização americana que acompanha conflitos. Milhares de outras pessoas conseguiram escapar desde então, mas muitas permaneceram, seja por não conseguirem ou por não quererem partir. A cidade desempenha um papel importante nas operações militares russas na região.

    Ela fica próxima às margens do rio Dnipro, diretamente em frente às posições ucranianas. Enquanto os dois lados trocam ataques, os moradores de Oleshky ficam no meio do conflito. Todas as rotas de fuga em direção à Ucrânia foram gradualmente bloqueadas à medida que a ocupação russa se intensificava.

    Anteriormente, ainda era possível deixar a cidade seguindo por áreas mais profundas do território controlado pela Rússia. Isso também se tornou impossível nos últimos meses, com a intensificação dos combates e as rotas de saída tomadas por minas terrestres ou drones. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de minar as rotas de acesso à cidade em uma tentativa de impedir que os moradores deixassem a região.

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    Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.

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