Trump respeitará eleição no Brasil, mesmo se Lula for eleito, diz Amorim
Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirma que Donald Trump (Partido Republicano) respeitará o resultado das eleições brasileiras mesmo que o petista vença o 2º turno. 2026), a 3 dias do pleito. “Acho que o presidente Trump vai respeitar.
Não significa que vai sair correndo para reconhecer e dizer ‘que bom’, mas vai respeitar na prática”, disse o ex-chanceler. Amorim acrescentou que o republicano pode ter preferências, mas não deixará de reconhecer o chefe de Estado brasileiro . “Não sei se ele vai elogiar ou não, se vai dizer ‘viva o Lula’.
Ele desejou boa sorte ao Lula em telefonema. Ele pode gostar mais de alguém ou de outro, mas respeita o presidente Lula”, afirmou. Trump não esconde seu apoio ao Flávio Bolsonaro (PL).
Depois do 1º turno, que o republicano chamou de “grande vitória” ao ver o candidato do PL terminar à frente de Lula, o presidente norte-americano tem sido evasivo e não declarou apoio explícito a nenhum dos candidatos. O governo dos EUA também enfrenta tensões com Brasília; há pressões envolvendo sanções a autoridades brasileiras, tarifas e a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington. O Departamento de Estado norte-americano, em resposta recente a parlamentares democratas, afirmou apoiar o direito dos brasileiros a eleições livres e justas.
A declaração, no entanto, não assumiu expressamente o compromisso solicitado pelos parlamentares de respeitar o processo eleitoral. Amorim classificou como “muito grave” o episódio a Meta, em que perfis ligados a Lula sofreram prejuízo algorítmico enquanto contas associadas a Flávio foram impulsionadas pela plataforma. Para o assessor especial, o incidente provocou “danos irreparáveis” e representa “uma interferência que já deixa uma marca, qualquer que seja o resultado” .
O ex-chanceler lembrou que empresas como a Meta, também relevante no setor de inteligência artificial, são próximas do governo Trump. “Isso é uma prova clara de que as grandes redes podem e por vezes interferem nas decisões políticas dos outros países” , disse. Amorim, porém, não atribuiu o episódio diretamente à Casa Branca.
“Você teria que entrar numa discussão de saber se as elites do poder lá se interconectam ou não. Eu tenho a impressão que sim, mas eu não posso fazer uma acusação” , afirmou. Escudo das Américas e Itamaraty Amorim vê riscos ao Brasil na adesão ao Escudo das Américas, iniciativa norte-americana de combate ao narcotráfico com aliados ideológicos no continente.
Flávio sinalizou que, se eleito, quer integrar o Brasil ao programa. Em entrevista anterior, Amorim descreveu a iniciativa como um “cerco” ao país. “Você viu o que aconteceu no Caribe [ataques dos EUA a embarcações], e não estou falando nem da Venezuela, que já é uma coisa mais complexa.
Ninguém sabe quantas pessoas foram mortas, ninguém se preocupou em provar nada. Nós não queremos ter esse tipo de risco conosco, isso não tem cabimento” , disse o assessor especial. Um dos principais apoiadores do Escudo das Américas é o presidente da Argentina, Javier Milei (La Libertad Avanza, direita) , aliado próximo de Trump.
Milei tem feito ataques públicos a Lula e ao Poder Judiciário brasileiro. Em reação, o governo brasileiro retirou seu embaixador de Buenos Aires por tempo indeterminado. Amorim classificou as declarações do argentino como “lamentáveis”.
“Não são dignas de um presidente, para falar a verdade. Mas espero que seja passageiro, que a gente possa recuperar, porque a relação Brasil-Argentina é muito importante” , afirmou. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio e hoje residente nos EUA com trânsito próximo ao governo Trump, tem prometido uma “faxina” no Itamaraty.
Ele ameaçou diplomatas ideologicamente alinhados ao governo Lula e defendeu reformas no Serviço Exterior brasileiro. Amorim chamou de “terrível” a perspectiva. “Não vejo risco [ao Itamaraty] porque eu acho que [Flávio] não vai ganhar.
Mas, se fosse isso, ou se houvesse influência desse tipo de ideia, seria uma coisa terrível” , disse. O assessor preferiu não comentar a gestão do ministro Mauro Vieira no Itamaraty, mas elogiou o colega e defendeu a atuação da pasta durante todos os mandatos petistas. Ele reconheceu que há gargalos na progressão de carreira e citou o aumento nos concursos e no número de diplomatas como avanços.
A insatisfação interna no ministério envolve também atrasos em reembolsos, problemas orçamentários e falta de avanço em políticas de ações afirmativas de gênero e raciais. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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