Túmulo de Evaristo de Moraes corre risco de desaparecer no Rio de Janeiro
Evaristo de Moraes, um dos pioneiros do Direito do Trabalho no Brasil e criminalista de sua época, morreu há mais de oito décadas. Apesar da notabilidade e das contribuições intelectuais, o local onde ele foi sepultado corre o risco de desaparecer. O túmulo fica no Cemitério São Francisco Xavier, conhecido como Cemitério do Caju, na zona norte do Rio de Janeiro.
O jazigo foi construído para Elisa Augusta de Moraes, mãe do advogado. Quando Evaristo morreu, em 1939, foi sepultado no mesmo local. Leia mais: "Garotinho é impedido de votar no 2º turno das eleições" Décadas mais tarde, em 1997, o túmulo recebeu também Antônio Evaristo de Moraes Filho, filho do jurista e um dos mais conhecidos criminalistas brasileiros da segunda metade do século 20.
Foi justamente esse sepultamento mais recente que tornou possível localizar o jazigo nos registros atuais. Os arquivos mais antigos do cemitério já não permitem reconstruir o histórico da sepultura. Evaristo de Morais Filho, filho de Antônio Evaristo de Morais e Flávia Dias de Morais, faleceu em 22 de julho de 2016, no Rio de Janeiro, aos 102 anos | Foto: Reprodução/Academia Brasileira de Letras Para que o jazigo seja retomado, existem taxas atrasadas que somam cerca de R$ 11 mil, de acordo com o relato de um dos estudantes que pretende resgatar o túmulo.
Caso a situação não seja regularizada, existe o risco de perda do direito sobre o jazigo e de remoção dos restos mortais. Segundo relatos, o procedimento burocrático já está em andamento. Não existe uma data final estabelecida para a retomada.
Uma eventual retirada e transferência dos restos mortais aumenta a preocupação com a preservação da memória e da localização dos restos de Evaristo e de seus familiares. Existem casos como o do jogador Garrincha, ex-jogador da seleção brasileira a partir de 1958. Anos depois da morte do craque, a administração do cemitério onde ele havia sido enterrado não conseguiu determinar com segurança a localização de seus restos mortais.
O risco de perder o jazigo A tentativa de impedir a retomada passa agora pela localização dos descendentes da família. Evaristo de Moraes Filho deixou filhos, netos e bisnetos. Entre eles está Regina Lúcia de Moraes Morel, que teve carreira acadêmica e foi professora da Universidade de Brasília e da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Antônio Carlos Flores de Moraes, outro filho do acadêmico, já morreu. Tentativas de contato com possíveis familiares, representantes da família e com a própria ABL não tiveram sucesso até o momento. Até algum posicionamento, os estudantes que tentam encontrar os familiares realizaram a limpeza do local neste ano, como forma de manter o local preservado.
Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Thomas Giulliano (@thomasgiulliano) Quem foi Evaristo de Moraes Antônio Evaristo de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 1871. Antes de se formar em Direito, atuava nos tribunais como rábula. O nome refere-se aos que exerciam a advocacia sem diploma formal.
Sua trajetória atravessou o Direito Penal, as questões trabalhistas e os grandes debates sociais do início do século 20. Em 1905, publicou Apontamentos de Direito Operário , obra considerada pioneira na discussão sobre a proteção jurídica dos trabalhadores no Brasil. Leia também: "‘Metrô limpinho, sem vandalismo’, diz Nikolas depois de ato na Paulista" Mais tarde, tornou-se consultor jurídico do recém-criado Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio.
Também participou da defesa de marinheiros envolvidos na Revolta da Chibata e escreveu sobre temas como trabalho infantil, acidentes de trabalho, sistema prisional, alcoolismo, escravidão e criminalidade. Evaristo esteve ainda entre os fundadores da Associação Brasileira de Imprensa e participou de movimentos políticos e intelectuais de sua época. Seu nome permanece como patrono da Academia Brasileira de Letras Jurídicas e de outras instituições ligadas ao Direito.
+ Leia mais notícias do Brasil em Oeste Evaristo de Moraes Filho, outro de seus filhos, tornou-se jurista, sociólogo, professor e uma das maiores referências brasileiras em Direito do Trabalho. Ele ocupou a cadeira 40 da Academia Brasileira de Letras durante mais de três décadas e morreu, aos 102 anos, em 2016. Diferentemente do pai e do irmão, Evaristo de Moraes Filho foi sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista.
Durante anos, ele teria sido o responsável pelo túmulo no Caju que abriga a avó, o pai e o irmão. Com o avanço da idade, depois sua morte, o acompanhamento da sepultura acabou interrompido. v=jaKRGJZZV2o O post Túmulo de Evaristo de Moraes corre risco de desaparecer no Rio de Janeiro apareceu primeiro em Revista Oeste .
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