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    Um ETF avançou mais de 3.600% neste ano com a guerra no Irã. E em dólar
    InvestNews·17 de set., 16:42

    Um ETF avançou mais de 3.600% neste ano com a guerra no Irã. E em dólar

    As perspectivas de ganhos com o avanço do uso da IA continuam a dominar as conversas no mundo da renda variável. E não é para menos: algumas ações, como as das fabricantes de chips e memórias Marvell, Micron e Western Digital (WD), sobem três dígitos neste ano — mais de 200% no caso das duas primeiras e cerca de 125% para a WD. Mas, apesar da persistente exuberância dos retornos dos papéis de companhias ligadas à inteligência artificial , os verdadeiros campeões da renda variável internacional até aqui em 2026 são ETFs.

    Os resultados de alguns fundos passivos que seguem índices ilustram a versatilidade desses veículos como forma de o investidor montar posições – e sair delas rapidamente, se for o caso – em setores que ganham destaque diante de eventos específicos ou inesperados. Leia também Investimentos O básico bem-feito: 4 ETFs que podem fazer mais pelo seu bolso do que fundos tradicionais Economia Frete de petroleiros supera US$ 1 milhão por dia pela 1ª vez em meio à disputa entre Irã e Israel Esse tipo de movimento para aproveitar oportunidades pontuais é conhecida no mercado como alocação tática. A Guerra do Irã, que teve início em fevereiro e, portanto, já se aproxima dos sete meses de duração, se tornou um desses catalisadores.

    Isso se aplica especialmente a ETFs ligados a fretes marítimos ou ao petróleo. 600% no ano até setembro. 691%.

    000%, saindo de US$ 63 para US$ 710. Significa que quem colocou US$ 1 mil no ETF no início de janeiro hoje tem na carteira um saldo de US$ 36 mil. Se tivesse feito a aplicação logo que o conflito começou, os mil dólares teriam virado US$ 10 mil.

    ETFs também podem ser táticos O BWET, que foca especificamente no transporte de petróleo, é o caso mais vistoso de ativos que ganharam valor com a guerra. Outros fundos de índice de fretes marítimos também apresentam resultados que chamam a atenção. O ETF SonicShares Global Shipping (BOAT) sobe 72% em 2026.

    Mas, diferentemente do BWET, o BOAT acompanha ações de empresas abertas globais envolvidas no transporte marítimo em geral. Já o Breakwave Dry Bulk Shipping (BDRY) acumula alta de 82% no ano até setembro. O índice do BDRY foca em contratos futuros de frete de carga a granel seca, como minério de ferro, carvão e grãos agrícolas.

    Leia também Investimentos Nova safra de ETFs explora o variável da renda fixa – com opções para conservadores e agressivos Negócios Frete de contêiner dispara e encarece importações no Brasil. A conta vai chegar na Black Friday Há ainda os ETFs ligados ao setor de petróleo e gás, com relação mais evidente com as repercussões do conflito no Oriente Médio. O fundo United States Oil Fund (USO), por exemplo, está atrelado a um índice que segue o preço do barril americanoWTI.

    O ETF tem um ganho de 136% neste ano. O United States Brent Oil Fund (BNO) segue a referência internacional, o barril do tipo Brent. Em 2026, a alta alcança 126%.

    Retorno passado não garante ganhos futuros É sempre preciso ressaltar, no entanto, que os rendimentos que estamos olhando pelo retrovisor já aconteceram. E, embora elevados, não significam que o movimento vai continuar. No caso do frete marítimo do petróleo, após sete meses de fechamento do Estreito de Ormuz, provavelmente esse custo já atingiu o pico.

    O risco do ativo, portanto, vem da possibilidade de uma normalização dos preços no mercado de transporte. Nesse caso, o valor da cota pode convergir para o preço de antes da guerra, ou seja, devolver boa parte do ganho já obtido até agora. O petróleo também vive situação parecida.

    Os preços do barril atingiram a máxima logo após a guerra perto de US$ 130 o barril. No momento atual, a cotação do Brent se situa na casa de US$ 107, ou seja, relativamente perto do topo dos últimos meses. No caso do frete marítimo em geral, no entanto, há novos complicadores.

    Além do bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passavam até antes da guerra um quinto do petróleo global, outras rotas marítimas enfrentam problemas. Nas últimas semanas, os rebeldes Houtis, do Iemên, tomaram o controle de vários portos na região do Mar Vermelho. Essa região, por sua vez, representa um acesso estratégico para o Canal de Suez, no Egito, e pode criar novo desafio para o comércio marítimo.

    O Canal do Panamá é outro gargalo. A passagem que liga os oceanos Atlântico e Pacífico enfrenta uma seca histórica. Com isso, a rota tem limitado a quantidade de navios que passam por lá, além de elevar os preços de pedágio.

    Conta global oferece acesso Os ETFs citados não contam com programas de BDRs na B3. Isso significa que o aplicador local não consegue investir por meio de recibos que representam cotas desses fundos diretamente na bolsa brasileira, em reais. Mas a boa notícia é plataformas de investimentos plugadas a contas globais oferecidas no mercado brasileiro trazem acesso a esses ETFs.

    Avenue, Nomad, BTG Pactual, Inter e XP oferecem possibilidade de o investidor local aplicar nesses veículos diretamente no mercado americano, em dólar. O caminho é simples: basta abrir uma conta internacional em moeda forte, que pode ser feito totalmente on-line. Via app, você converte reais em dólar ou outra divisa com alguns cliques.

    A partir daí, o aplicador tem acesso a produtos na moeda americana, como fundos, renda fixa , ações, ETFs,  corporate  bonds   (títulos privados) e títulos do Tesouro dos EUA. Leia também Investimentos ETFs batem recorde no Brasil. E isso reacende o debate sobre como o seu assessor é remunerado Antes de investir é preciso converter os reais em dólar.

    O melhor é fazer o câmbio diretamente na conta-investimento em lugar de depositar na conta-corrente. O  IOF  é menor e cai de 3,5% para 1,1%. Uma vez que os recursos estejam na conta-investimento, é só escolher o produto e transferir o dinheiro.

    Existe uma vantagem em usar o ecossistema digital de uma instituição, porque as contas ficam conectadas. Quando você resgatar, o valor vai ser depositado na versão de investimentos. Mas o dinheiro pode ser transferido a qualquer momento para a conta de pagamentos, sem cobrança de taxa.

    Em toda conversão cambial, os bancos cobram um spread , ou seja, uma taxa extra para remunerar os serviços prestados. No caso do dólar, o spread é cobrado, em geral, sobre a cotação comercial. Esse pedágio varia de casa para casa – de 0,8% a 2% para cada operação.

    Por exemplo, se a moeda americana tem sido negociada a R$ 5,15, a conversão de seus reais seria feita ao câmbio de R$ 5,19, no caso de um spread de 0,8%. No topo dessa faixa, o custo subiria para R$ 5,25. Como existe ainda o IOF , a cotação efetiva subiria para R$ 5,25, no caso do spread de 0,8%.

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