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    InvestNews·16 de set., 17:08

    União Europeia convida Canadá a se tornar o primeiro ‘membro associado’ do bloco

    A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen , propôs que o Canadá se torne o primeiro membro associado da União Europeia (UE), criando uma nova aliança transatlântica enquanto o presidente Donald Trump desmantela a antiga. Ela fez o convite durante seu discurso sobre o estado da União Europeia, em Estrasburgo, na França, nesta quarta-feira (16), com a presença do primeiro-ministro canadense, Mark Carney. “Em um mundo novo, precisamos urgentemente repensar nossas parcerias e construir coalizões globais para nossa resiliência e nossas democracias”, disse von der Leyen.

    ” Leia também Negócios BNDES entra na corrida de terras raras com crédito para projeto de mineradora australiana Negócios China retoma compras de petróleo e reforça cenário favorável para Petrobras e junior oils Ao criar uma categoria sob medida para o Canadá, a UE envia um sinal importante, como bloco comercial, de que pode se expandir para além de suas fronteiras e se reinventar após o Brexit, quando perdeu uma potência econômica. O que isso significará na prática é outra questão, e as negociações provavelmente levarão anos. De forma significativa, a proposta também abre um caminho para o Reino Unido reconstruir seus laços com a UE, embora o Canadá esteja à frente na definição do que será esse modelo de associação.

    A adesão plena à UE envolve um longo processo de entrada e traz direitos, como o acesso ao mercado único, além de obrigações financeiras, fiscais e jurídicas. Não há precedente para a categoria de membro associado, e propostas feitas no início deste ano para oferecer uma espécie de “membro light” à Ucrânia enfrentaram resistência de vários países do bloco. Alguns países, como Islândia, Noruega, Liechtenstein e Suíça, têm, no entanto, acordos especiais com o bloco em áreas como a livre circulação de bens e pessoas.

    A Islândia rejeitou, há duas semanas, a retomada das negociações com a UE sobre uma adesão plena. Carney alertou no início deste ano que a “ordem internacional baseada em regras” estava efetivamente morta e fez repetidos apelos para que as chamadas potências médias se unissem para se opor às táticas de pressão e intimidação das maiores economias do mundo. A Bloomberg informou anteriormente que os aliados transatlânticos negociavam a formação de uma nova aliança para garantir sua segurança.

    Von der Leyen também defendeu uma cooperação mais estreita com o Canadá em manufatura, tecnologia, defesa e energia, além de citar o Ártico como um “projeto conjunto emblemático”. O governo de Carney, abalado economicamente por uma guerra comercial com os EUA, colocou como prioridade o aprofundamento da parceria com a UE e com outros países. Depois que as negociações entre EUA e Canadá terminaram no mês passado, Trump impôs tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos importados do Canadá.

    Carney reagiu pouco depois com tarifas sobre um valor aproximadamente equivalente em produtos fabricados nos EUA. O foco do Canadá está na conclusão da ratificação do CETA, o Acordo Econômico e Comercial Abrangente entre UE e Canadá, um tratado negociado há uma década, mas que ainda não foi formalmente aprovado por 10 países europeus, segundo pessoas familiarizadas com as discussões. Carney e von der Leyen se reuniram em Estrasburgo.

    Depois do encontro, o gabinete do primeiro-ministro canadense afirmou que o país busca uma “aliança muito mais forte e ambiciosa no futuro” com a UE. “Isso inclui minerais críticos, capacidade industrial de defesa, inteligência artificial e computação, segurança energética, espaço, além de serviços financeiros e pagamentos”, afirmou o gabinete do primeiro-ministro em comunicado. ” — Antonio Barroso.

    Entre as questões ainda pendentes com o bloco estão também as diferenças em relação ao mecanismo de precificação de carbono da UE para produtos importados e às regras europeias sobre desmatamento e pesticidas. A Bloomberg informou anteriormente que autoridades da UE veem a possibilidade de estabelecer uma relação mais próxima com o Canadá do que com o Reino Unido. A UE considera que o Canadá vem implementando com sucesso uma chamada agenda de soberania em questões econômicas e de defesa — uma estratégia que poderia servir de referência para a própria iniciativa do bloco de reduzir dependências externas.

    Além disso, o Canadá não carrega o histórico associado ao Brexit que acompanha Londres. “Já estamos analisando como aumentar o comércio, o que podemos fazer em pesquisa e inovação, como podemos cooperar mais em defesa e também como podemos apoiar uns aos outros em todas as negociações multilaterais, seja na OMC ou em outras negociações comerciais”, disse o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, a jornalistas em Estrasburgo após o discurso. Sefcovic afirmou que se reuniria mais tarde nesta quarta-feira com seu colega canadense, o ministro das Finanças, François-Philippe Champagne.

    Ao contrário do Reino Unido, o Canadá recebeu acesso ao SAFE, programa de empréstimos de € 150 bilhões (US$ 173 bilhões) do bloco para compras de equipamentos de defesa. Canadá e UE deverão avançar nas negociações antes da cúpula que será realizada em Montreal, em outubro, quando poderão assinar um acordo de comércio digital que está em elaboração, disseram as pessoas, sob condição de anonimato. “A Europa e o Canadá acreditam na democracia”, disse von der Leyen.

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