Vitória de Lula marca primeira virada em disputa presidencial em 2º turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito, neste domingo, 25, para um quarto e inédito mandato como presidente da República. Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL), marcando a primeira virada em uma disputa presidencial na história entre o primeiro e o segundo turno. Lula ampliará o período de poder do Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil pós-redemocratização.
Esta é a sexta eleição presidencial vencida pelo PT desde o fim da ditadura militar e volta do voto direto para presidente. A sigla perdeu uma vez para Fernando Collor (então no PRN, em 1989), duas vezes para Fernando Henrique Cardoso (PSDB, em 1994 e 1998) e uma vez para Jair Bolsonaro (então no PSL, em 2018). O atual presidente e agora presidente reeleito teve 51,76% dos votos neste segundo turno até as 21h15 deste domingo e está matematicamente eleito de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Flávio Bolsonaro teve 48,24% dos votos até este momento. A distância entre os dois candidatos à Presidência caminha para ser a menor na história brasileira desde a redemocratização. 645 de diferença entre Lula e Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
Desafios do mandato Lula, de 80 anos, aumentará a marca de presidente mais velho a tomar posse. Ele completará 81 anos na terça-feira, 27. Michel Temer, aos 75 anos, e Getúlio Vargas, aos 68 anos, são o segundo e o terceiro lugar nesse ranking.
Lula é o líder democraticamente eleito a ocupar a Presidência do País por mais tempo e estenderá esse período por mais quatro anos, caso finalize o mandato. Serão 16 anos no posto mais alto do Poder Executivo do País. Getúlio Vargas ocupou o cargo por 18 anos e meio, mas a maior parte foi durante a ditadura do Estado Novo.
O presidente reeleito terá o desafio de liderar, nos próximos quatro anos, uma agenda de ajuste fiscal, diante da deterioração da dívida em relação ao PIB. Os integrantes da campanha responsáveis pela pauta econômica já anunciaram que será necessário conter gastos para evitar uma bomba fiscal nos próximos anos. Lula também terá de lidar com um País ainda mais dividido do que em 2022 e com um Congresso mais hostil, com o fortalecimento da direita bolsonarista e o achatamento do centro liberal e do Centrão.
Tem a seu favor, se souber utilizar bem isso, as numerosas mobilizações a seu favor que tomaram as ruas a partir do primeiro turno. A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e um possível impeachment contra ministros da Corte, em especial o ministro Alexandre de Moraes, também representarão um desafio para Lula neste quarto mandato. O presidente reeleito contou, em seu terceiro mandato, com o apoio do STF para garantir sua governabilidade.
Neste quarto mandato, terá de rever essa correlação de forças políticas para aprovar sua agenda. Como foi o terceiro mandato Lula iniciou o terceiro e inédito mandato de um presidente da República tendo de lidar, logo de cara, com os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A união causada pelo episódio, somada pelo resultado eleitoral e a campanha de “frente ampla” do petista, deu ao presidente da República uma aprovação grande no início do mandato.
Pouco antes disso, logo antes de assumir, teve de trabalhar com o Congresso de 2022 para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para abarcar gastos prometidos durante a campanha, como o aumento do Bolsa Família. Depois, já na Presidência da República, Lula aprovou uma reforma tributária e um novo teto de gastos – chamado pela sua equipe econômica, liderada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, de “novo arcabouço fiscal” – logo em seu primeiro ano de mandato. Usou seu capital político para compensar políticas populares com aumento de taxação sobre os mais ricos.
Foram instituídos impostos sobre fundos exclusivos e fundos offshores, por exemplo. A última campanha O presidente e seu entorno adotaram como estratégia evitar ataques muito contundentes a Flávio Bolsonaro logo após ele se anunciar candidato à Presidência. O objetivo era evitar que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deixasse o cargo e se candidatasse à Presidência.
Os petistas consideravam Tarcísio um candidato mais forte que o filho de Jair Bolsonaro. A última campanha de Lula como presidente começou oficialmente com um ato em São Bernardo do Campo, no estádio da Vila Euclides, local onde foram realizados atos históricos das greves do ABC na década de 1970. Foi uma ideia de dar à campanha um tom de despedida e de defesa do legado do político mais longevo do País em atividade.
Essa linha foi seguida ao longo de todo o primeiro turno. Após o resultado decepcionante no primeiro turno, quando ficou atrás de Flávio Bolsonaro, a campanha fez uma correção de rotas. Lula e seus aliados passaram alguns dias discutindo os erros e como mudar o rumo da disputa.
O presidente chegou a dizer, em um evento com petistas, que esta foi a campanha “menos organizada” da qual participou desde 1989. O presidente do PT e coordenador-geral da campanha, Edinho Silva, perdeu poder. O triunvirato formado pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), pelo senador Camilo Santana (PT-CE) e pelo senador eleito Rui Costa (PT-BA) ganhou mais espaço.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, junto com Edinho e com a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, foram os mais criticados em discussões internas do partido. A campanha ganhou uma nova energia com uma atuação mais agressiva e coordenada nas redes sociais, comandada pelo deputado reeleito André Janones (Rede-MG). Janones criou um canal no WhatsApp para organizar as ações nas redes sociais.
Reuniu mais de 10 milhões de usuários em cerca de duas semanas. Manifestações em todo o Brasil também ajudaram o presidente a reduzir a diferença para Flávio Bolsonaro durante o segundo turno da campanha. Enquanto largou com cerca de seis pontos porcentuais de diferença para o adversário, Lula chegou à reta final empatado tecnicamente com Flávio, ainda que numericamente atrás em todos os principais levantamentos.
Medidas às vésperas da eleição A divulgação, em maio deste ano, de conversas entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, aumentou o otimismo entre petistas com a possibilidade de enfrentar Flávio na disputa presidencial. Foi o momento de maior turbulência na campanha bolsonarista, e de mais euforia no PT. De maio a agosto, Flávio conseguiu recuperar fôlego.
Depois de despencar após a revelação dos áudios com Vorcaro, voltou a crescer. Em meados de setembro, passou a figurar empatado na margem de erro ou até à frente de Lula nas simulações de segundo turno. No primeiro turno, porém, o petista sempre figurou à frente do seu adversário.
A crise deflagrada no Supremo Tribunal Federal (STF), com pedidos de investigação contra os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, e o constante crescimento de Flávio nas pesquisas fez com que a campanha petista lançasse, na reta final da campanha, algumas medidas de apelo popular. Primeiro, reajustou em 15,04% o Bolsa Família. Depois, anunciou a proibição das bets no Brasil e um novo Desenrola para endividados.
O presidente também prometeu disponibilizar canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS). Articulou, ainda, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para aprovar e promulgar o fim da escala de trabalho 6×1. No fim, ainda perdoou dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), prometeu um repasse de R$ 5 mil para cada MEI, enviou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) da tarifa zero do transporte público aos fins de semana.
Com esse “pacote de bondades” lançado na reta final do primeiro turno, Lula voltou a ganhar fôlego nas pesquisas nas últimas semanas antes da eleição e chegou à reta final empatado tecnicamente com Flávio, com uma trajetória de alta contra seu adversário. ]]>
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
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