Walmart, IA e a Nova Disputa Pelo Consumidor de Alimentos
Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. Uma das histórias mais importantes do setor de restaurantes neste mês de setembro de 2026 veio de uma empresa que não opera restaurantes: o Walmart. Depois de iniciativas anteriores com Subway e Dunkin’, o Walmart anunciou, em 10 de setembro, que estava acrescentando a Papa Johns ao seu negócio de entrega de restaurantes em expansão , nos Estados Unidos.
A parceria permitirá que os clientes peçam pizza pelo ecossistema digital do Walmart e combinem refeições de restaurantes com compras de supermercado e produtos para o lar. A implantação começa em mercados selecionados neste outono, com planos de expansão para todo o país. À primeira vista, parece mais uma parceria de entrega.
Também é mais um sinal da rapidez com que estão desaparecendo as fronteiras que separam restaurantes, varejistas, marketplaces e empresas de tecnologia. E o momento é importante. A inteligência artificial começa a modificar os dois lados da transação de alimentos: como os consumidores decidem o que comprar e como os restaurantes produzem, vendem e entregam seus produtos.
A competição que surge já não se resume ao aplicativo do restaurante contra uma plataforma terceirizada de entrega. Ela está se transformando em uma disputa mais ampla para definir quem influencia a decisão sobre a comida, quem controla a transação e quem mantém o relacionamento com o cliente. O consumidor também está mudando Grande parte da discussão sobre IA em restaurantes se concentrou no operador: mão de obra, produtividade, precisão dos pedidos, escalas de trabalho, capacidade operacional e margens.
Mas outra mudança tecnológica está ocorrendo do outro lado do balcão. A McKinsey informou neste ano que 68% dos consumidores dos Estados Unidos haviam usado pelo menos uma ferramenta de IA nos três meses anteriores. Entre os usuários de IA, 19% já utilizavam a tecnologia para descobrir ou decidir entre marcas, produtos e serviços .
Isso modifica a jornada de compra. Um consumidor não precisa necessariamente abrir o aplicativo de um restaurante, pesquisar uma marca específica ou percorrer uma plataforma de entrega. Cada vez mais, o ponto de partida pode ser uma pergunta: O que posso dar de comer a quatro pessoas hoje à noite por menos de US$ 40 (cerca de R$ 200), com entrega rápida e ainda oferecendo algo que agrade a todos?
Quando isso acontece, os restaurantes deixam de competir apenas para serem escolhidos em uma lista. Passam a competir para fazer parte da resposta. Essa mudança já está chegando às decisões sobre restaurantes.
000 consumidores dos Estados Unidos, constatou que 22% haviam usado IA para ajudar na escolha de um restaurante. Outros 64% disseram que prefeririam um único aplicativo para administrar entregas, retiradas e reservas. Enquanto isso, a fidelidade aos restaurantes está sob pressão.
O Phygital Index 2026, da Tillster, constatou que 45% dos clientes disseram que sua rede de restaurantes favorita havia mudado no ano anterior, em comparação com 33% em 2025. Trinta e seis por cento informaram que estavam frequentando redes de supermercados com maior frequência, enquanto 33% estavam indo mais vezes a lojas de conveniência. As empresas de restaurantes não estão paradas.
Pesquisas da National Restaurant Association mostram que aproximadamente 26% dos operadores usam atualmente tecnologias de IA. Entre esses operadores, as aplicações já incluem marketing, trabalho administrativo, otimização de cardápios, elaboração de escalas de funcionários, pedidos de clientes, recrutamento e gestão de estoques. O sinal importante não está em uma tecnologia ou projeto piloto específico.
Está na amplitude dos experimentos. O FreshAI, da Wendy’s, está levando IA ao sistema de pedidos no drive thru. O Burger King vem testando o Patty, um assistente com IA que funciona por meio dos fones de ouvido dos funcionários, em aproximadamente 500 restaurantes nos Estados Unidos.
O sistema ajuda os funcionários com dúvidas operacionais, informações sobre estoques e interações com clientes. Em todo o setor, a IA avança para pedidos, assistência a funcionários, elaboração de escalas, personalização, estoques e atendimento ao cliente. A Papa Johns oferece um exemplo particularmente útil de como essas tecnologias estão sendo conectadas.
200 restaurantes nos Estados Unidos. Seus recursos de pedidos por IA apoiados pelo Google Cloud permitem pedidos em linguagem natural e personalização, enquanto uma parceria com a Deliverect foi estruturada para unificar os pedidos atendidos por motoristas da própria empresa e por parceiros terceirizados de entrega. A conclusão da implantação do sistema de despacho nos Estados Unidos está prevista para o fim de 2027.
Agora acrescente a distribuição do Walmart a esse conjunto de tecnologias. A Papa Johns está, ao mesmo tempo, fortalecendo sua própria infraestrutura digital e disponibilizando a marca por meio de outro poderoso ecossistema de consumo. Wonder leva a discussão sobre tecnologia ainda mais longe A transformação tecnológica não termina quando o pedido chega ao restaurante.
A Wonder, empresa de tecnologia de alimentos fundada por Marc Lore, oferece um dos exemplos mais claros até agora de onde a convergência entre IA, automação e produção de alimentos pode chegar. Em agosto, a Wonder apresentou seu sistema robótico de montagem de refeições Infinite Makeline em sua unidade de Midtown East, em Nova York. O sistema tem capacidade para produzir até 500 bowls por hora utilizando 68 ingredientes.
A Wonder espera que a tecnologia chegue a dezenas de unidades ao longo de 2027. A tecnologia surgiu na Spyce, que a Wonder adquiriu da Sweetgreen no fim do ano passado por US$ 186,4 milhões (R$ 967,78 milhões na cotação atual). A Sweetgreen continua operando aproximadamente três dezenas dessas máquinas por meio de um contrato de licenciamento.
Em Midtown East, a Infinite Makeline automatiza cerca de 80% do que entra em um bowl em aproximadamente três minutos e meio. Pessoas continuam preparando ingredientes, reabastecendo o sistema, finalizando pedidos e cuidando das embalagens. Essa combinação entre pessoas e máquinas é importante.
Automação não significa necessariamente retirar pessoas da hospitalidade. Ela muda os pontos em que o trabalho humano gera mais valor. Ainda mais significativo é o que a Wonder está construindo ao redor da máquina.
A empresa está desenvolvendo a produção automatizada de molhos, trabalhando com a Serve Robotics em entregas autônomas por terra e planejando entregas aéreas com a Zipline. A Wonder também está desenvolvendo a MEL, uma plataforma de IA concebida para usar preferências alimentares, objetivos de saúde e dados pessoais de saúde para gerar recomendações individualizadas de refeições. Depois veio outro desenvolvimento importante.
Em 15 de setembro, DoorDash e Wonder anunciaram um acordo estratégico que envolve a proposta de aquisição, pela DoorDash, do negócio Grubhub Campus Dining, da Wonder, por US$ 300 milhões (R$ 1,56 bilhão), além de um investimento separado de US$ 125 milhões (R$ 649 milhões) na Wonder. O acordo ampliaria a presença da DoorDash no segmento de alimentação em campi, ao mesmo tempo em que apoiaria a expansão da Wonder e a continuidade de seus investimentos em robótica e IA. A aquisição ainda está sujeita às condições para conclusão do negócio.
O anúncio oferece mais um exemplo de como plataformas de entrega, produção de alimentos e tecnologia estão ficando cada vez mais interligadas. Consideradas em conjunto, as iniciativas da Wonder começam a conectar praticamente toda a ocasião de consumo de alimentos: Descoberta. Decisão.
Transação. Produção. Atendimento.
Dados. É por isso que a história da tecnologia em restaurantes está se tornando maior do que qualquer robô individual, sistema de pedidos por voz ou aplicação de IA. A oportunidade e o desafio estratégico estão cada vez mais ligados à conexão dessas partes.
Vale a pena observar o Walmart também pela outra direção Há outro conjunto de iniciativas do Walmart que merece atenção. O Walmart Business ampliou suas capacidades de compras B2B. Neste ano, o Walmart também lançou a Upstream Facility Services, levando a experiência acumulada na manutenção de sua enorme rede de lojas para empresas externas com várias unidades e oferecendo serviços de climatização, refrigeração, eletricidade, encanamento e outros.
A empresa também apresentou o Prepaid Consolidation, que simplifica a logística de entrada dos fornecedores ao permitir que os produtos sejam movimentados por meio de uma única ordem de compra nacional antes que o Walmart distribua os estoques entre seus 42 centros regionais de distribuição. Recentemente, o Distribution Strategy Group descreveu essas iniciativas como parte da montagem, pelo Walmart, de diversas capacidades normalmente associadas à distribuição atacadista. O Walmart não anunciou planos de se transformar em um distribuidor generalista de produtos para foodservice, e essa distinção é importante.
Ele não precisa substituir os distribuidores tradicionais de foodservice para ganhar maior relevância entre os operadores de restaurantes. Restaurantes compram muito mais do que alimentos. A conquista de até mesmo uma parcela das compras padronizadas de operação ou de serviços poderia criar outro ponto de conexão com o ecossistema dos restaurantes.
Assim, o Walmart passa a merecer atenção pelas duas direções: como mais uma rota até o consumidor dos restaurantes e como uma empresa que está desenvolvendo capacidades relacionadas aos negócios que atendem esse consumidor. A competição está se deslocando para uma etapa anterior Durante boa parte da última década, a estratégia digital dos restaurantes esteve concentrada na transação. Qual aplicativo o cliente usa?
Quem entrega a refeição? Quem fica com os dados do cliente? Quanto é pago em comissão?
Essas perguntas continuam importantes. Ao mesmo tempo, a tecnologia está avançando para áreas mais profundas dentro do restaurante, desde a descoberta e o pedido até a produção, o atendimento e o relacionamento com o cliente. Os consumidores circularão entre aplicativos de restaurantes, varejistas, marketplaces de entrega, mecanismos de pesquisa, plataformas sociais e assistentes de IA.
Os restaurantes operarão por meio de sistemas cada vez mais conectados de pedidos, produção, mão de obra, atendimento e dados. O objetivo não pode ser simplesmente controlar cada interação. Será necessário continuar visível, relevante e confiável onde quer que a decisão sobre a comida seja tomada, ao mesmo tempo em que se compreende quem controla o relacionamento com o cliente e os dados gerados ao longo do caminho.
E as pessoas continuam sendo parte central dessa equação. Pesquisa da National Restaurant Association constatou que 94% dos operadores disseram que seus investimentos em tecnologia nos dois a três anos anteriores não resultaram na eliminação permanente de postos de trabalho. Restaurantes continuam sendo um negócio de hospitalidade.
A tecnologia pode reduzir atritos, melhorar a consistência e fortalecer os resultados econômicos. As pessoas ainda criam grande parte da experiência. As empresas que avançarem não serão necessariamente aquelas que anunciarem o maior número de projetos piloto de IA.
Serão aquelas que compreenderem onde a tecnologia modifica a economia do negócio, onde fortalece o relacionamento com o cliente e onde a interação humana ainda cria diferenciação. O ecossistema de alimentos em expansão do Walmart é um sinal. O es
Resumo publicado pelo SJX NEWS. O conteúdo integral pertence ao veículo de origem.
Leia a matéria completa em Forbes Brasil →
