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    Redação SJX

    Texto próprio da nossa redação

    Redação SJX·31 de outubro de 2026 às 10:00

    Câmara analisa proposta para flexibilizar local de trabalho de professores da rede pública

    O Projeto de Lei 3.225/26 propõe autorizar docentes da educação básica a realizar atividades de planejamento e correção de provas remotamente. A medida busca otimizar a parcela da carga horária extraclasse já prevista em lei.

    Uma nova proposta em tramitação na Câmara dos Deputados pretende alterar a dinâmica de trabalho dos professores da rede pública de ensino básico no Brasil. O Projeto de Lei 3.225/26 visa instituir o chamado "Planejamento Domiciliar Docente", instrumento que autorizaria os profissionais a exercerem tarefas burocráticas e de preparo pedagógico fora das dependências escolares. A iniciativa atinge diretamente a estrutura atual da Lei do Piso do Magistério, que hoje reserva um terço da jornada dos professores para atividades extraclasse, como o registro de notas, acompanhamento do desenvolvimento dos estudantes e a elaboração de planos de aula.

    Conforme o texto protocolado pelos deputados Idilvan Alencar (PSB-CE) e Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP), a regra seria aplicada de forma proporcional à carga horária de cada servidor. Para educadores com regime de 40 horas semanais, por exemplo, o direito ao trabalho remoto seria de, ao menos, quatro horas. Os parlamentares reforçam que a flexibilização do local de trabalho não implica redução na jornada total ou diminuição do tempo de interação com os alunos, tratando-se apenas de uma gestão mais racional das horas que já são obrigatoriamente destinadas a essas tarefas individuais de concentração.

    Atualmente, a legislação educacional brasileira já obriga que os entes federados garantam tempo para que o docente realize o preparo pedagógico, mas a execução costuma ocorrer dentro da unidade escolar. Com a mudança, estados e municípios ganhariam autonomia para definir se desejam ampliar esse período de trabalho remoto, desde que respeitados os limites da lei federal. Atividades que exigem silêncio e foco, como a correção de avaliações, a pesquisa de materiais didáticos e a atualização de relatórios eletrônicos, seriam as principais beneficiadas pela alteração de local de execução.

    Para o setor educacional, o debate reacende a discussão sobre a valorização e a infraestrutura disponível nas escolas para os profissionais. Defensores da proposta argumentam que o ambiente escolar muitas vezes é caótico, o que dificulta a realização de tarefas que demandam alta carga cognitiva, prejudicando a qualidade do planejamento pedagógico. Ao permitir que esse tempo seja cumprido em casa, a proposta pretende garantir um rendimento mais eficiente na elaboração das estratégias de ensino que serão aplicadas posteriormente em sala de aula.

    O projeto seguirá um rito rigoroso dentro do Legislativo antes de poder ser sancionado. A tramitação ocorrerá em caráter conclusivo, sendo submetida à análise das comissões de Educação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Caso receba o aval nessas instâncias, o texto precisará passar pelo crivo dos deputados e senadores no plenário. Se aprovado em ambas as Casas, o projeto seguirá para a sanção do Poder Executivo, consolidando-se então como uma nova diretriz nacional para a gestão do tempo de trabalho dos professores da rede pública.

    Com informações de