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    Centro-Sul prioriza etanol e produção de açúcar recua no ciclo 2026/2027
    Redação SJX·23 de outubro de 2026 às 19:00

    Centro-Sul prioriza etanol e produção de açúcar recua no ciclo 2026/2027

    O setor sucroenergético brasileiro registrou uma queda de 10,29% na fabricação de açúcar até o final de agosto. A retração é reflexo de uma mudança estratégica nas usinas, que direcionaram maior volume de cana para a produção de biocombustível.

    A região Centro-Sul do Brasil, responsável pela maior parte da produção sucroenergética do país, encerrou agosto com um volume de fabricação de açúcar 10,29% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) indicam que as usinas produziram 24,08 milhões de toneladas até o momento, montante abaixo das 26,84 milhões de toneladas contabilizadas na safra 2025/2026. Apenas no mês de agosto, a produção somou 7,09 milhões de toneladas, o que representa uma baixa de 5,61% na comparação anual.

    Este cenário de retração na oferta de açúcar ganha contornos específicos quando observada a estratégia de alocação da matéria-prima pelas unidades processadoras. Diferente do ciclo passado, quando o açúcar concentrava a maior fatia da produção, o atual momento é de priorização do etanol. No acumulado desta safra, 53,44% da cana-de-açúcar foi processada para fins de biocombustível, enquanto 46,56% serviu à produção de açúcar. No ano passado, essa distribuição era distinta, com 52,77% do insumo voltado ao adoçante e 47,23% ao etanol.

    Chama a atenção o fato de que a queda na oferta de açúcar não ocorreu por escassez de matéria-prima, mas por escolhas operacionais. Pelo contrário, a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul demonstrou um comportamento de crescimento. Até o fim de agosto, o volume total processado alcançou 412,37 milhões de toneladas, um avanço de 1,81% em relação ao ciclo anterior. Em agosto isoladamente, foram 100,59 milhões de toneladas processadas, o que configura um aumento de 2,60% no comparativo direto com o ano de 2025.

    O mercado de commodities acompanha de perto essa oscilação, uma vez que o Brasil é um dos principais players globais na exportação do produto. A decisão das usinas em ampliar o mix de etanol em detrimento do açúcar reflete uma dinâmica de mercado que busca equilibrar a rentabilidade entre os dois derivados. Enquanto o processamento total cresce, a pressão pelo aumento da oferta de combustíveis renováveis parece ter se sobreposto à demanda pelo açúcar durante esta fase da colheita.

    A continuidade dessa tendência dependerá tanto do comportamento dos preços internacionais quanto da competitividade do etanol no mercado interno. Analistas do setor observam que, embora a produção de açúcar tenha recuado, o desempenho operacional das plantas indica um ciclo produtivo robusto em termos de processamento. Nos próximos meses, o setor deverá seguir monitorando as condições climáticas e a demanda por biocombustíveis para definir se manterá a atual estratégia de direcionamento da colheita ou se haverá um reajuste na produção de açúcar até o encerramento da safra.

    Com informações de