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    Redação SJX

    Texto próprio da nossa redação

    Redação SJX·08 de novembro de 2026 às 10:00

    Desigualdade na infraestrutura urbana intensifica vulnerabilidade a desastres climáticos

    O modelo de urbanização brasileiro, focado em desigualdade e impermeabilização, amplifica os prejuízos das mudanças climáticas. Especialistas alertam que a falta de planejamento habitacional força populações de baixa renda a ocuparem áreas de risco.

    A configuração das cidades brasileiras tem se revelado um fator determinante para a severidade dos danos causados por eventos climáticos extremos. O padrão de desenvolvimento urbano, marcado por investimentos desproporcionais e ocupação irregular de solos, cria um cenário onde a precariedade habitacional e a ausência de infraestrutura básica deixam as camadas menos favorecidas da população expostas a riscos severos, como inundações e temporais recorrentes. Este cenário não é apenas um reflexo da geografia, mas um desdobramento direto de décadas de disparidade econômica territorial.

    O pesquisador Jeferson Tavares, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, aponta que o abismo social se traduz na distribuição de segurança urbana. Em municípios como Ribeirão Preto, a disparidade entre as zonas Sul e Norte exemplifica como áreas privilegiadas recebem maior aporte de recursos, o que naturalmente mitiga os efeitos negativos do clima. Por outro lado, regiões periféricas sofrem com a carência de manutenção e planejamento, tornando o processo de recuperação pós-desastre substancialmente mais lento e oneroso para essas comunidades.

    O problema é agravado por um modelo de urbanização que privilegia a impermeabilização do solo e a dependência de veículos, elementos que dificultam a drenagem natural e retêm calor. Segundo o acadêmico, insistir na reconstrução de infraestruturas nos mesmos moldes anteriores a um desastre é um erro estratégico, pois perpetua um ciclo de vulnerabilidade. A tendência atual das políticas públicas brasileiras, caso não sejam alteradas, aponta para uma continuidade dos prejuízos que afetam, prioritariamente, quem reside em zonas ambientalmente frágeis por falta de alternativas habitacionais.

    Para reverter este quadro, defende-se a transição para soluções fundamentadas na natureza, como a implementação de infraestrutura azul e verde. Estas medidas visam adaptar as cidades às novas realidades climáticas por meio de sistemas que permitem o manejo eficiente das águas e a redução de ilhas de calor. Contudo, essa mudança de paradigma precisa ser integrada a um planejamento mais amplo, que articule saúde, educação e mobilidade urbana como eixos indissociáveis da prevenção de riscos.

    Por fim, o sucesso de qualquer plano de adaptação climática depende intrinsecamente da participação popular. O desenho de políticas de mitigação deve ser precedido por um processo de escuta ativa com as comunidades afetadas, garantindo que as soluções propostas respeitem a realidade local e as especificidades de cada território. Sem a inclusão das vozes daqueles que estão na linha de frente dos desastres, as intervenções correm o risco de serem ineficazes ou desconectadas das necessidades emergenciais daqueles que mais necessitam de proteção pública.

    Com informações de