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    Texto próprio da nossa redação

    Dívida bruta do Brasil atinge o maior nível em cinco anos sob pressão de juros
    Redação SJX·29 de outubro de 2026 às 19:00

    Dívida bruta do Brasil atinge o maior nível em cinco anos sob pressão de juros

    O endividamento público brasileiro alcançou 82,93% do PIB em setembro, impulsionado pelo custo dos juros. O cenário fiscal reflete desafios na gestão das contas, com déficit primário superando projeções de analistas.

    O endividamento do setor público brasileiro atingiu, em setembro, o patamar de 82,93% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), marca que não era registrada há mais de cinco anos. O indicador apresentou uma trajetória de alta ante os 82,87% anotados no mês anterior, consolidando-se como o nível mais elevado desde março de 2021, período em que o país lidava com os vultosos gastos governamentais necessários para conter os impactos da pandemia de Covid-19.

    A deterioração nas contas públicas tem como principal motor a pressão exercida pelos gastos com juros da dívida. Esse fator foi parcialmente atenuado por estratégias de gestão do Tesouro Nacional, que realizou resgates líquidos de títulos, além de uma resiliência na atividade econômica que contribuiu para frear uma escalada ainda mais abrupta no indicador. A dívida líquida do setor público, por sua vez, também seguiu a tendência de crescimento, saltando de 69,3% para 70,0% na comparação mensal.

    O desempenho fiscal foi marcado por um déficit primário de R$ 5,5 bilhões no mês de setembro, resultado que frustrou as expectativas do mercado financeiro, que projetava um superávit de R$ 0,5 bilhão. A composição desse déficit revelou disparidades nas contas dos diferentes entes federativos: enquanto o governo central obteve um superávit de R$ 3,469 bilhões, os Estados e municípios registraram um déficit de R$ 5,573 bilhões, acompanhados por um saldo negativo de R$ 3,393 bilhões nas empresas estatais.

    Para o leitor, a importância deste indicador reside no impacto que o custo da dívida exerce sobre a capacidade de investimento do Estado e na previsibilidade da economia. A alta do endividamento bruto é um tema central de monitoramento por analistas e investidores, uma vez que sinaliza os riscos fiscais de médio e longo prazo. O cenário atual coloca em foco a necessidade de equilíbrio entre as despesas correntes, as obrigações com juros e a arrecadação pública.

    A trajetória da dívida é um termômetro essencial para a saúde financeira do país. O acompanhamento contínuo dos dados do Banco Central é fundamental para compreender se a tendência de alta se estabilizará nos próximos meses ou se persistirá diante das condições macroeconômicas vigentes, marcadas pela rigidez de gastos e pela sensibilidade à política monetária nacional.

    Com informações de