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    Texto próprio da nossa redação

    IA desenvolvida na USP simplifica análise de desigualdades urbanas via voz
    Redação SJX·31 de outubro de 2026 às 10:00

    IA desenvolvida na USP simplifica análise de desigualdades urbanas via voz

    Pesquisadores do IAU-USP lançaram a assistente virtual Mari, que utiliza inteligência artificial para facilitar a leitura de mapas e indicadores ambientais da plataforma UrbVerde. A ferramenta permite que cidadãos sem conhecimento técnico consultem dados sobre calor e vegetação através de comandos de voz.

    Uma nova solução tecnológica busca democratizar o acesso a informações complexas sobre o planejamento urbano e as disparidades ambientais nas cidades brasileiras. Batizada de Mari, a assistente virtual foi integrada à plataforma UrbVerde, mantida pelo Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP em São Carlos. A ferramenta atua como uma interface conversacional baseada em inteligência artificial, permitindo que usuários obtenham dados espaciais detalhados utilizando apenas a linguagem cotidiana, sem a necessidade de domínio sobre sistemas de geoprocessamento.

    O projeto, representado graficamente por uma maritaca, é resultado de uma colaboração técnica entre o IAU e o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, contando com suporte da OpenAI. Segundo a equipe responsável, esta implementação torna a UrbVerde o primeiro WebSIG — Sistema de Informação Geográfica acessível via web — na América Latina capaz de operar integralmente por meio de comandos de voz. A iniciativa endereça um entrave histórico: a barreira técnica que frequentemente impede que cidadãos, gestores públicos e lideranças comunitárias consigam extrair inteligência de bases de dados acadêmicas robustas.

    Na prática, a Mari funciona como uma mediadora que traduz solicitações verbais em consultas complexas no sistema. O usuário pode, por exemplo, perguntar sobre a distribuição de parques ou a correlação entre a falta de arborização e as ilhas de calor em um bairro específico. A inteligência artificial não apenas localiza as informações na interface, mas também auxilia na interpretação dos resultados, sugerindo cruzamentos de dados e explicando conceitos que fundamentam o planejamento urbano. Esse suporte ajuda a identificar, de forma mais intuitiva, áreas que necessitam de intervenções de infraestrutura verde para mitigar desigualdades socioambientais.

    O coordenador do projeto, o professor Marcel Fantin, destaca que o principal objetivo é estreitar a lacuna entre o conhecimento científico gerado nas universidades e as decisões que impactam a rotina da população. Historicamente, mapas de calor e índices de vegetação ficavam restritos a especialistas devido à complexidade de seus softwares. Ao converter esses dados em uma conversa acessível, o projeto pretende fomentar a participação social, permitindo que o habitante de uma cidade possa investigar problemas do seu próprio território com maior embasamento teórico.

    Para o pesquisador Guilherme Henrique Bueno de Freitas, o impacto da ferramenta vai além da consulta de mapas, buscando incentivar a autonomia dos usuários na investigação de problemas urbanos concretos. A expectativa é que a tecnologia seja utilizada como um recurso pedagógico por estudantes e professores, além de servir como um instrumento de suporte para organizações comunitárias que buscam fundamentar discussões sobre políticas públicas. Como a ferramenta ainda está em fase recente, os desenvolvedores planejam monitorar o uso da assistente para aprimorar suas funcionalidades e ampliar sua eficácia na análise territorial.

    A transição da técnica para a consulta cotidiana marca um novo momento para a UrbVerde, que já consolidava indicadores sociais e ambientais em uma base unificada. Ao permitir a exploração de dados por voz, o sistema reduz o esforço cognitivo exigido para operar ferramentas de geotecnologia. Este avanço representa um passo importante na transparência urbana, tornando o debate sobre o futuro das cidades brasileiras um espaço mais inclusivo, onde o cidadão comum tem a possibilidade de participar ativamente da construção de soluções baseadas em evidências geográficas e estatísticas.

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