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    Investigações sobre cinebiografia de Bolsonaro revelam elos com ex-banqueiro do Master
    Redação SJX·12 de setembro de 2026 às 11:20

    Investigações sobre cinebiografia de Bolsonaro revelam elos com ex-banqueiro do Master

    Documentos sigilosos tornados públicos pelo STF indicam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro mantinha o financiamento do filme 'Dark Horse' mesmo durante a crise terminal de sua instituição. A Polícia Federal agora apura se os recursos repassados pelo empresário foram efetivamente aplicados na produção ou desviados através de fundos inativos.

    Novos desdobramentos nas apurações sobre o Banco Master expuseram uma rede de influência que conecta o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Materiais obtidos pela Polícia Federal, que tiveram o sigilo suspenso pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, indicam que o empresário priorizou o financiamento da cinebiografia 'Dark Horse', sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo no período em que sua instituição financeira enfrentava risco iminente de liquidação pelo Banco Central.

    Registros de mensagens trocadas em outubro de 2025 mostram Vorcaro assegurando a Thiago Miranda, publicitário e então proprietário do portal LeoDias, que manteria os aportes financeiros apesar das 'tempestades' enfrentadas pelo banco. As conversas revelam que Miranda servia como um intermediário constante, levando cobranças do senador Flávio Bolsonaro sobre atrasos nos depósitos para a produção cinematográfica. Em uma das ocasiões, o senador teria solicitado que Vorcaro verificasse o status de um contrato, evidenciando, segundo a PF, uma atuação de Flávio como interlocutor direto nas negociações sobre o fluxo de caixa do filme.

    A veracidade do destino desses valores, contudo, tornou-se o ponto central das investigações. Enquanto Flávio Bolsonaro sustentou publicamente, em maio de 2025, que a totalidade dos recursos providos pelo empresário teria sido investida na cinebiografia, o relatório da Polícia Federal aponta incongruências operacionais graves. Os investigadores destacam a utilização do Havengate Development Fund, um fundo sediado nos Estados Unidos que estava inativo desde sua criação em 2020 para um projeto imobiliário no Texas que nunca foi concretizado.

    O documento da corporação ressalta que, subitamente, o fundo foi reativado em 2025 para receber milhões de dólares oriundos da empresa Entre Investimentos, ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, o 'Mineiro'. A PF aponta que essa estrutura financeira, sem lastro em operações reais de mercado e desvinculada do setor audiovisual, levanta dúvidas fundamentais sobre a real finalidade das transações. A transposição de recursos entre essas entidades, segundo os agentes, não guarda compatibilidade com as normas regulatórias esperadas para uma produção cultural.

    O cenário de crise no Banco Master, que culminou em sua liquidação após uma tentativa frustrada de venda ao Banco de Brasília (BRB), também é alvo de escrutínio. As autoridades suspeitam que executivos tenham ajustado transferências vultosas, na casa dos R$ 12 bilhões, sem a devida documentação, com o objetivo de evitar o colapso da instituição privada. O filme 'Dark Horse' emerge, assim, como uma peça-chave para compreender a complexa rede de interesses e a movimentação financeira entre a cúpula do banco e o núcleo político de Jair Bolsonaro, mantendo o caso sob sigilo judicial parcial enquanto as diligências avançam para identificar os beneficiários finais das remessas internacionais.

    Com informações de