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    Redação SJX

    Texto próprio da nossa redação

    Redação SJX·03 de novembro de 2026 às 19:00

    Minerva enfrenta desafios operacionais e cautela de mercado antes do 3T26

    Analistas da XP Investimentos projetam queda na receita da Minerva Foods para o terceiro trimestre de 2026. A recomendação neutra para o papel reflete incertezas sobre a capacidade de geração de caixa e o endividamento da empresa.

    A Minerva Foods aproxima-se da divulgação de seus resultados referentes ao terceiro trimestre de 2026 sob um cenário de expectativas moderadas e desafios estruturais. De acordo com análise da XP Investimentos, a companhia deve reportar uma receita líquida estimada em R$ 13,8 bilhões, o que representaria um recuo de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior e uma retração de 2% frente aos números do segundo trimestre. A projeção de margem Ebitda ajustada de 8,1% reforça a cautela, situando-se abaixo dos patamares observados tanto no 3T25, quanto no trimestre imediatamente anterior.

    O principal vetor dessa pressão financeira é a restrição das exportações brasileiras de carne bovina para o mercado chinês. Com o encerramento da cota de exportação para a China, o Brasil perdeu volume de embarque, abrindo espaço para que competidores como Argentina e Paraguai ganhassem participação na demanda global. Embora a Minerva busque compensar esse movimento focando em exportações para os Estados Unidos — beneficiando-se, inclusive, de cotas adicionais concedidas às suas operações argentinas —, a rentabilidade continua sendo impactada pelos custos elevados do gado, que pressionam as margens operacionais.

    Além das dificuldades comerciais, o fluxo de caixa livre da empresa é um ponto de atenção para os investidores. A expectativa é de um saldo negativo de R$ 37 milhões para o período. Tradicionalmente, o terceiro trimestre funcionaria como uma janela para a liberação de capital de giro, mas a redução no volume de vendas tem limitado essa movimentação. Os analistas Leonardo Alencar, Leonardo Paiva e Arthur Devite destacam que parte da geração de caixa esperada para agora pode ser postergada para o quarto trimestre, embora ainda reste a incognita sobre a necessidade de recomposição de capital de giro para a preparação do ciclo de 2027.

    No mercado financeiro, a percepção sobre o ativo segue dividida entre o potencial teórico e a execução prática. A XP Investimentos estabeleceu um preço-alvo de R$ 7,20, o que implicaria um potencial de valorização de mais de 195% sobre a cotação de referência. Contudo, a recomendação permanece neutra. Essa divergência ocorre porque, independentemente do desempenho trimestral, a tese de investimento está ancorada na capacidade real da Minerva em promover um ciclo sustentável de desalavancagem financeira.

    Para o restante do ano e o início do próximo, o monitoramento dos índices de alavancagem será o fiel da balança para o mercado. Analistas indicam que, apesar das oportunidades de crescimento, o cenário atual de juros e custos de produção exige provas concretas de eficiência operacional. Portanto, o resultado do 3T26 deve oferecer poucos elementos para alterar a narrativa predominante sobre o endividamento da companhia, mantendo o investidor em compasso de espera por sinais mais consistentes de recuperação financeira.

    Com informações de