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    Texto próprio da nossa redação

    Novaya Gazeta encerra atividades após três décadas de jornalismo crítico na Rússia
    Redação SJX·30 de outubro de 2026 às 10:00

    Novaya Gazeta encerra atividades após três décadas de jornalismo crítico na Rússia

    O icônico periódico russo, cofundado por um vencedor do Prêmio Nobel, suspende suas operações definitivas. A decisão ocorre sob pressão estatal, asfixia financeira e repressão constante às vozes dissidentes no país.

    O jornal russo Novaya Gazeta, referência histórica na defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos, anunciou o fim de suas operações após mais de 30 anos de atuação. Em comunicado oficial, a redação informou que desativará seus servidores e encerrará o trabalho editorial em 9 de novembro, cedendo ao que classificou como uma ofensiva sistemática do Kremlin para silenciar qualquer voz independente dentro do território russo.

    A trajetória do veículo foi marcada por constantes embates contra o governo de Vladimir Putin, que intensificou o controle sobre a mídia desde o início do conflito na Ucrânia em 2022. O governo implementou uma série de leis de censura que penalizam com rigor a divulgação de informações consideradas desfavoráveis ao Exército ou que contradigam a narrativa oficial do Estado. Para o Kremlin, essas medidas são justificadas como uma necessidade de segurança nacional diante do que define como uma luta existencial contra as potências ocidentais.

    A sustentabilidade financeira e logística do jornal foi gradualmente estrangulada nos últimos meses. Segundo a equipe editorial, a expulsão de sua sede física e o bloqueio sistemático das plataformas de financiamento coletivo tornaram impossível a manutenção das atividades. O fechamento é o ápice de um longo processo de cerceamento que incluiu ações jurídicas contra membros da equipe e um ambiente de hostilidade que colocou jornalistas sob constante risco de prisão.

    O prestígio internacional do periódico esteve atrelado, em grande parte, à figura de seu cofundador e editor-chefe, Dmitry Muratov. Em 2021, ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz como reconhecimento pelo seu empenho em proteger a liberdade de expressão em um cenário político cada vez mais autoritário. O jornal, no entanto, sempre pagou um preço alto por seu posicionamento investigativo: ao longo de suas três décadas, seis colaboradores, incluindo a reconhecida repórter Anna Politkovskaya, foram mortos em circunstâncias ligadas ao exercício de sua profissão.

    Este encerramento representa um golpe severo ao que restava do jornalismo independente na Rússia. A ausência do Novaya Gazeta silencia um dos últimos canais de contraponto ao governo de Putin, consolidando um panorama midiático dominado quase integralmente pelo aparato estatal. O fim da publicação sublinha o isolamento das vozes críticas e reflete as consequências de um endurecimento repressivo que visa remover da sociedade civil qualquer espaço para o debate plural sobre os rumos do país.

    Com informações de